Transporte coletivo municipal ficou totalmente parado durante a manhã desta quarta-feira (7). Cerca de 50 trabalhadores participaram da mobilização, que terminou após audiência de mediação no TRT-4.
O transporte coletivo municipal de Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi normalizado na tarde desta quarta-feira (7) após uma paralisação que deixou os ônibus da Viação Santa Clara (VISAC) fora de circulação durante parte do dia.
A mobilização começou ainda durante a madrugada e ocorreu em razão de atrasos no pagamento dos salários dos trabalhadores. Segundo informações divulgadas durante o episódio, aproximadamente 50 funcionários participaram da paralisação, enquanto 23 ônibus permaneceram nas garagens da empresa.
A interrupção afetou diretamente os passageiros do transporte municipal e também prejudicou as integrações com o sistema ferroviário, já que muitos moradores utilizam os ônibus para chegar às estações do Trensurb.
A circulação foi retomada por volta das 14h, após uma audiência de mediação envolvendo trabalhadores, empresa e representantes do poder público.
Salários atrasados motivaram paralisação
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de São Leopoldo e Região, os trabalhadores decidiram interromper as atividades devido ao atraso no pagamento dos salários.
A entidade afirma que os atrasos não seriam um episódio isolado e relata que a categoria já teria enfrentado problemas semelhantes em meses anteriores.
Além dos salários, o sindicato afirma que situações envolvendo adiantamentos e plano de saúde também teriam sido afetadas pelos problemas de pagamento relatados pelos trabalhadores.
Segundo o sindicato, a categoria já havia comunicado à empresa sobre os atrasos e decidiu realizar uma paralisação após uma assembleia.

Empresa e Prefeitura são cobradas
O sindicato afirma que teria recebido da empresa a informação de que existiriam divergências financeiras entre a VISAC e a Prefeitura de Esteio, apontadas como uma das justificativas para o atraso nos pagamentos.
Para a entidade sindical, eventuais problemas financeiros entre a concessionária e o poder público não devem ser repassados aos trabalhadores.
O presidente do sindicato, Wilson Caetano, cobrou da empresa a regularização dos pagamentos e também pediu que a Prefeitura fiscalize o contrato de concessão do transporte coletivo.
A entidade defende que os trabalhadores precisam receber seus vencimentos dentro dos prazos estabelecidos e que novos atrasos devem ser evitados.
VISAC afirma que salários foram pagos
Durante a manhã, a VISAC informou que os salários referentes ao mês de setembro foram creditados aos funcionários.
A empresa também afirmou que não havia outros débitos anteriores relacionados aos trabalhadores e aguardava a retomada da operação.
A paralisação, entretanto, continuou durante parte do dia porque permaneceu um impasse relacionado às horas em que os trabalhadores ficaram parados.
A questão acabou sendo discutida durante audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4).

Acordo permite retomada dos ônibus
Durante a audiência realizada no início da tarde, a VISAC se comprometeu a não descontar dos trabalhadores as horas que deixaram de ser trabalhadas durante a paralisação.
Após a mediação, foi acordado o retorno da circulação do transporte coletivo municipal.
Com isso, os ônibus começaram a retornar às ruas a partir das 14h desta quarta-feira.
A Prefeitura de Esteio informou que continuaria acompanhando a situação e mantendo a população informada sobre eventuais novos acontecimentos.
Prefeitura diz que foi surpreendida
Antes da retomada, a Prefeitura de Esteio informou que havia sido surpreendida pela paralisação integral.
Segundo o município, a Administração Municipal não havia sido comunicada previamente sobre a interrupção do transporte.
Durante a manhã, o Executivo confirmou que 100% dos ônibus que operam no município estavam parados, provocando impacto direto para os usuários.
A Prefeitura informou que buscava informações junto aos responsáveis pelo serviço para compreender as circunstâncias da paralisação e avaliar os possíveis encaminhamentos.

Passageiros foram afetados
A paralisação provocou transtornos para moradores que dependem diariamente do transporte coletivo.
Entre os passageiros prejudicados estavam trabalhadores, estudantes e pessoas que utilizam os ônibus municipais para chegar ao Trensurb e seguir viagem para outras cidades da Região Metropolitana.
Durante a manhã, passageiros relataram dificuldades para chegar aos seus destinos e houve aumento na procura por alternativas, como corridas por aplicativos.
O impacto foi ainda maior porque a paralisação ocorreu sem que muitos usuários tivessem conhecimento prévio da interrupção.
Empresa questiona forma da paralisação
A VISAC também se manifestou sobre o movimento.
A empresa afirmou que a paralisação ocorreu sem aviso prévio e citou uma decisão judicial que, segundo a companhia, determina a necessidade de comunicação antecipada para esse tipo de mobilização.
A empresa classificou o movimento como ilegal e lamentou os transtornos provocados aos passageiros.
A questão relacionada à legalidade do movimento e às horas paradas foi discutida no processo de mediação realizado no TRT-4.

Sindicato afirma que atrasos são recorrentes
Para o sindicato, o principal problema permanece sendo a regularidade dos pagamentos.
A entidade afirma que os trabalhadores já haviam enfrentado outros atrasos e que a situação envolvendo salários, adiantamentos e plano de saúde teria se repetido.
O sindicato sustenta que os trabalhadores não podem ser prejudicados por eventuais dificuldades financeiras ou administrativas entre a empresa concessionária e o poder público.
A entidade também cobra providências para evitar que o problema volte a provocar uma nova paralisação.
Transporte volta, mas discussão continua
Com a retomada dos ônibus, o serviço municipal de transporte de Esteio voltou a funcionar nesta quarta-feira.
Entretanto, o episódio não encerra a discussão entre trabalhadores, empresa e poder público.
O sindicato continua cobrando garantias para que os próximos pagamentos sejam realizados dentro dos prazos. A empresa, por sua vez, sustenta que os salários de setembro foram pagos e questiona a forma como a paralisação foi realizada.
A Prefeitura também deverá continuar acompanhando o contrato de concessão e as condições de funcionamento do transporte coletivo municipal.
Para os passageiros, a principal consequência positiva foi o retorno dos ônibus após uma manhã de interrupção total.
O Jornal MPV seguirá acompanhando os desdobramentos do caso, especialmente diante das reclamações dos trabalhadores sobre atrasos recorrentes e de possíveis novas negociações entre a VISAC, o sindicato e a Prefeitura de Esteio.
Atualização
Esta reportagem foi atualizada após a confirmação da retomada do transporte coletivo municipal por volta das 14h desta quarta-feira (7), depois de audiência de mediação no TRT-4.










