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Cirurgias de catarata crescem 75% no RS

Rio Grande do Sul passou de 25.414 procedimentos em 2021 para 44.305 em 2025. Estado conta com 60 serviços habilitados para atendimento oftalmológico, ampliando a capacidade de tratamento da doença.

O número de cirurgias de catarata realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Sul aumentou aproximadamente 74,3% entre 2021 e 2025. Os procedimentos passaram de 25.414 para 44.305 no período, representando um crescimento expressivo da oferta de tratamento oftalmológico na rede pública estadual.

Os dados foram divulgados pelo governo do Rio Grande do Sul e mostram a ampliação da assistência especializada em saúde ocular. A estratégia envolve a atuação conjunta entre o Estado e os municípios para fortalecer a rede de atendimento e facilitar o acesso da população a consultas, exames e procedimentos cirúrgicos.

Atualmente, o Rio Grande do Sul conta com 60 serviços habilitados que oferecem atendimento oftalmológico integral, incluindo a cirurgia de facoemulsificação com implante de lente intraocular, uma das principais técnicas utilizadas no tratamento da catarata.

A ampliação da oferta é relevante diante do envelhecimento da população e do aumento da demanda por cuidados relacionados à visão. A catarata pode comprometer progressivamente a capacidade visual, dificultando atividades cotidianas como ler, caminhar, reconhecer rostos e realizar tarefas domésticas.

Embora seja mais frequente entre pessoas idosas, a doença possui tratamento eficaz. Quando existe indicação médica, a cirurgia pode recuperar parte importante da visão e contribuir para a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes.

Cirurgias passaram de 25 mil para mais de 44 mil

Os números divulgados pela Secretaria Estadual da Saúde demonstram o crescimento da produção cirúrgica na rede pública gaúcha.

Em 2021, foram realizadas 25.414 cirurgias de catarata pelo SUS. Em 2025, o total chegou a 44.305 procedimentos. A diferença representa 18.891 cirurgias a mais, um aumento de aproximadamente 74,3% em quatro anos.

O crescimento indica que a rede pública ampliou sua capacidade de realizar o procedimento, considerado essencial para o tratamento de uma das principais causas de perda visual associadas ao envelhecimento.

É importante, entretanto, diferenciar o número de cirurgias da quantidade de pacientes atendidos. Uma pessoa pode precisar de procedimentos nos dois olhos, realizados em momentos diferentes, de acordo com a avaliação médica.

Além disso, o aumento da produção cirúrgica não significa, necessariamente, que todas as filas de espera tenham diminuído na mesma proporção. Para avaliar o acesso efetivo, também é necessário considerar a quantidade de pacientes aguardando atendimento, os novos encaminhamentos e o tempo médio entre o diagnóstico e a cirurgia.

Rio Grande do Sul conta com 60 serviços habilitados

A rede estadual dispõe de 60 serviços habilitados para atendimento oftalmológico integral. Essas estruturas são responsáveis por oferecer assistência especializada, conforme os procedimentos para os quais estão habilitadas.

A atuação conjunta entre o governo estadual e as administrações municipais busca organizar os encaminhamentos e ampliar a disponibilidade de tratamento para pacientes que dependem do SUS.

O acesso à cirurgia normalmente começa com a avaliação em uma unidade de saúde. Quando necessário, o paciente é encaminhado para consulta com um oftalmologista, que realiza os exames e determina se existe indicação cirúrgica.

Após a confirmação da necessidade do procedimento, o encaminhamento segue os fluxos de regulação do sistema público, considerando a disponibilidade de vagas e os critérios clínicos.

A distribuição dos serviços entre as regiões é um fator importante para garantir que moradores de municípios menores também consigam acessar o tratamento. Distâncias, disponibilidade de especialistas e capacidade operacional das unidades podem influenciar o tempo necessário para a realização da cirurgia.

Por isso, a ampliação da rede precisa ser acompanhada da organização dos encaminhamentos e do monitoramento das filas de espera.

O que é a catarata?

A catarata é uma condição caracterizada pela perda progressiva da transparência do cristalino, a lente natural localizada no interior do olho. Essa estrutura ajuda a focalizar a luz e permite a formação de imagens nítidas.

Quando o cristalino se torna opaco, a passagem da luz fica comprometida e a visão pode ficar embaçada. Em muitos casos, a alteração evolui gradualmente, dificultando a identificação inicial do problema.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Visão turva ou embaçada;
  • Dificuldade para enxergar à noite;
  • Sensibilidade maior à luz;
  • Dificuldade para ler ou reconhecer rostos;
  • Cores que parecem menos intensas;
  • Necessidade frequente de mudar o grau dos óculos.

O envelhecimento é o principal fator associado à catarata, mas a doença também pode ocorrer em pessoas mais jovens. Traumatismos oculares, fatores genéticos, algumas doenças e o uso prolongado de determinados medicamentos podem estar relacionados ao desenvolvimento da condição.

Nem toda alteração visual é causada por catarata. Por isso, a avaliação de um oftalmologista é fundamental para identificar o problema e definir o tratamento adequado.

Doença é frequente entre pessoas idosas

O aumento da expectativa de vida tem ampliado a importância dos cuidados com a saúde ocular. Entre as doenças relacionadas ao envelhecimento, a catarata se destaca pela frequência e pelo potencial de comprometer a independência dos pacientes.

Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia indicam que a prevalência da catarata senil chega a 47,1% entre pessoas de 65 a 74 anos e a 73,3% entre indivíduos com mais de 75 anos.

A doença também pode acometer pessoas com menos de 65 anos, faixa etária em que a prevalência estimada é de 17,6%.

Com base nessas estimativas, calcula-se que aproximadamente 500 mil pessoas com mais de 65 anos convivam com catarata no Rio Grande do Sul.

Os números reforçam a necessidade de acompanhamento oftalmológico, especialmente quando surgem alterações na visão que passam a interferir na rotina.

A catarata é considerada uma das principais causas de cegueira tratável porque, diferentemente de doenças que provocam danos irreversíveis em estruturas oculares, pode ser tratada por meio da substituição do cristalino opaco por uma lente artificial.

Como funciona a cirurgia de catarata pelo SUS?

A cirurgia de catarata consiste na retirada do cristalino comprometido e na implantação de uma lente intraocular que substitui sua função óptica.

Uma das técnicas utilizadas é a facoemulsificação. Nesse procedimento, o cristalino é fragmentado e aspirado por meio de um equipamento específico. Em seguida, uma lente artificial é implantada no olho.

A técnica permite que muitos pacientes realizem o procedimento em regime ambulatorial, sem necessidade de internação prolongada, conforme a avaliação clínica e as condições de saúde de cada pessoa.

Antes da operação, o paciente passa por exames e avaliação pré-operatória. Depois da cirurgia, deve seguir as orientações médicas, utilizar os medicamentos prescritos e comparecer às consultas de acompanhamento.

A recuperação visual varia conforme as condições de cada paciente e a existência de outras doenças oculares, como alterações na retina ou no nervo óptico. Por isso, os resultados podem ser diferentes de uma pessoa para outra.

Embora seja um procedimento amplamente utilizado e considerado seguro quando realizado com indicação adequada, a cirurgia não está livre de riscos. A avaliação médica é indispensável para determinar os benefícios esperados e os cuidados necessários.

Recuperação da visão pode devolver autonomia

A catarata pode comprometer atividades simples do cotidiano, como caminhar em ambientes pouco iluminados, preparar alimentos, ler, utilizar o transporte público ou reconhecer obstáculos.

Entre os idosos, a perda visual também pode aumentar a dependência de familiares e cuidadores, além de elevar o risco de quedas e acidentes domésticos.

Quando a cirurgia apresenta resultado favorável, a recuperação da visão pode ajudar a restabelecer parte dessa autonomia, facilitar as atividades diárias e melhorar a participação social.

A possibilidade de voltar a enxergar melhor também pode contribuir para o bem-estar emocional e para a manutenção da independência durante o envelhecimento.

Os benefícios, entretanto, dependem das condições oculares de cada paciente. A existência de outras doenças pode limitar a recuperação visual, mesmo após a retirada da catarata.

Mais cirurgias não significam fim das filas de espera

O aumento de quase 75% no número de cirurgias entre 2021 e 2025 representa uma ampliação importante da produção assistencial, mas não permite concluir, isoladamente, que a demanda reprimida tenha sido eliminada.

O acesso ao tratamento depende de diferentes etapas: consulta inicial, exames, avaliação especializada, confirmação da indicação cirúrgica, regulação e disponibilidade de vagas.

Também é necessário considerar a entrada de novos pacientes na fila ao longo do tempo. Em uma população que envelhece, a demanda por consultas e cirurgias oftalmológicas pode continuar elevada mesmo quando a quantidade de procedimentos aumenta.

Para avaliar o impacto da expansão, indicadores como o tempo médio de espera, a quantidade de pacientes aguardando cirurgia e a distribuição regional dos atendimentos são fundamentais.

O governo estadual mantém ferramentas de consulta relacionadas à regulação assistencial, que permitem acompanhar informações sobre solicitações e filas de espera do SUS no Rio Grande do Sul.

Como buscar atendimento oftalmológico pelo SUS

Pessoas que apresentam visão embaçada, dificuldade para enxergar ou outros sintomas persistentes devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação inicial.

A equipe de saúde poderá orientar o paciente e realizar o encaminhamento para atendimento especializado quando necessário. A indicação de cirurgia depende da avaliação do oftalmologista e das condições clínicas de cada pessoa.

Quem já está aguardando consulta ou procedimento deve manter os dados de contato atualizados junto ao serviço responsável pelo encaminhamento e buscar informações sobre a situação do atendimento na rede municipal ou estadual.

O SUS oferece assistência gratuita aos pacientes encaminhados pela rede pública. Não é necessário pagar intermediários para conseguir uma vaga ou antecipar uma cirurgia por meios informais.

A ampliação da oferta de procedimentos pode contribuir para melhorar o acesso, mas a organização da regulação continua sendo fundamental para que os pacientes recebam o tratamento indicado.

Expansão da rede reforça importância da saúde ocular

O aumento de 25.414 cirurgias em 2021 para 44.305 em 2025 demonstra o crescimento do volume de procedimentos de catarata realizados pelo SUS no Rio Grande do Sul.

Com 60 serviços habilitados e a atuação conjunta entre Estado e municípios, a rede pública busca ampliar a assistência especializada a uma população que apresenta demanda crescente por cuidados oftalmológicos.

A catarata é uma doença frequente, principalmente entre idosos, mas possui tratamento eficaz quando existe indicação cirúrgica. O acesso à avaliação especializada e ao procedimento pode contribuir para preservar a autonomia e a qualidade de vida.

O desafio é manter a capacidade de atendimento, organizar os encaminhamentos e acompanhar os resultados da expansão, garantindo que o aumento da produção se traduza em acesso efetivo para quem precisa.

A orientação para a população é não ignorar alterações na visão e procurar atendimento profissional. O diagnóstico correto e o acompanhamento médico são fundamentais para definir o momento adequado do tratamento.

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