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Suspeito de golpes com móveis é preso

Polícia Civil identificou 34 vítimas em oito municípios gaúchos. Investigação aponta cobrança antecipada, entrega incompleta de serviços e abertura e fechamento de empresas para atrair novos clientes.

Um homem foi preso preventivamente pela Polícia Civil, suspeito de aplicar golpes envolvendo a contratação de móveis planejados e obras na Região Metropolitana de Porto Alegre. Conforme a investigação, 34 pessoas teriam sido prejudicadas, com perdas estimadas em R$ 1,3 milhão.

A prisão ocorreu durante a Operação Projeto Frustrado, realizada entre terça-feira (13) e quinta-feira (15) de outubro, sob coordenação da 2ª Delegacia de Polícia de Canoas. A ação também cumpriu três mandados de busca e apreensão nos municípios de Canoas, Porto Alegre e Gravataí.

Segundo a Polícia Civil, os casos investigados envolvem clientes que pagaram pelos serviços antecipadamente, mas não receberam os móveis contratados ou tiveram os projetos executados apenas parcialmente.

O nome da empresa investigada não foi divulgado pelas autoridades, para não prejudicar o andamento das apurações.

Investigação identificou vítimas em oito municípios

A investigação reuniu 34 registros de ocorrência relacionados ao período entre junho de 2024 e março de 2025. As vítimas identificadas são de oito municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre.

De acordo com o delegado Rodrigo Caldas, responsável pela operação, a repetição de relatos semelhantes chamou a atenção dos investigadores. Inicialmente, os casos poderiam parecer apenas problemas relacionados ao descumprimento de contratos comerciais.

Com o avanço das apurações, porém, a Polícia Civil identificou elementos que, segundo os investigadores, indicariam uma possível prática recorrente de estelionato.

Conforme a polícia, o suspeito divulgava os serviços pela internet e pelas redes sociais, atraía consumidores e exigia pagamentos antecipados. Em diferentes situações, os trabalhos não eram concluídos ou apresentavam entregas incompletas.

Os investigadores também relatam que, quando os clientes cobravam a conclusão dos serviços, o suspeito teria bloqueado os contatos.

Casal teve prejuízo após contratar móveis para casa nova

Entre as pessoas que relataram prejuízos está Franciele da Silva Lewandowski, moradora de Porto Alegre. Ela contratou uma empresa localizada em Canoas para mobiliar o quarto e a sala da residência nova.

Os dois projetos somavam R$ 64,4 mil. A expectativa era deixar a casa pronta para o primeiro Natal do casal no imóvel, em dezembro de 2025. O plano também incluía realizar a cerimônia do casamento civil na própria residência.

Segundo Franciele, os atrasos e os problemas na entrega dos móveis comprometeram os planos e obrigaram o casal a mudar a data da cerimônia.

Antes de fechar os contratos, ela afirma que visitou o estabelecimento para verificar os materiais e acabamentos e consultou avaliações disponíveis na internet.

Os contratos foram firmados em junho e julho de 2025, com pagamentos previstos em etapas: na assinatura, na entrega dos materiais e durante a montagem.

Móveis chegaram incompletos e com diferenças no projeto

De acordo com o relato da cliente, o dormitório ficou sem itens como portas, gavetas, dobradiças e acabamentos. Na sala, algumas peças teriam sido entregues com cores e medidas diferentes das especificadas no projeto contratado.

Franciele também relatou dificuldades para acompanhar a montagem, pois precisava se ausentar do trabalho para esperar os profissionais em casa. Segundo ela, a instalação não avançava porque faltavam materiais e componentes básicos.

Após meses de cobranças, a cliente decidiu encerrar o contrato em dezembro de 2025.

Do valor inicialmente contratado, cerca de R$ 11 mil ficaram sem pagamento. Para completar os móveis e corrigir os problemas, ela afirma ter desembolsado aproximadamente R$ 35 mil para contratar outra empresa.

Descontando a parcela que deixou de pagar, Franciele estima que o prejuízo adicional ficou entre R$ 24 mil e R$ 25 mil.

Ela registrou ocorrência e prestou depoimento na delegacia de Canoas.

Polícia aponta abertura e fechamento de empresas

Outro ponto identificado durante a investigação foi a existência de pelo menos quatro empresas que, segundo a Polícia Civil, teriam sido abertas e fechadas pelo suspeito.

Para os investigadores, a sucessão de estabelecimentos e mudanças de endereço teria dificultado a localização do investigado e permitido a continuidade da captação de clientes.

Quando foi localizado, o homem já havia aberto outro estabelecimento em Porto Alegre. Conforme o delegado, ele também estaria preparando a mudança para uma nova loja no interior do Estado, em município situado a pelo menos 230 quilômetros da Capital. A cidade não foi divulgada.

A Polícia Civil informou que realizou diligências e campanas durante três dias até cumprir o mandado de prisão preventiva, solicitado pelos investigadores e decretado pela Justiça.

As buscas ocorreram em Canoas, Porto Alegre e Gravataí.

Viagens internacionais também foram citadas

Segundo o delegado Rodrigo Caldas, o investigado publicava nas redes sociais registros de viagens internacionais, incluindo destinos como Dubai e Paris, durante o período em que alegava enfrentar dificuldades financeiras.

Conforme a autoridade policial, essa justificativa também teria sido apresentada pelo homem durante o interrogatório.

As publicações e as informações reunidas pela investigação fazem parte do contexto apurado pelos policiais. A responsabilidade criminal do suspeito, entretanto, deverá ser determinada pelas autoridades competentes no curso do processo judicial.

Operação Projeto Frustrado

A operação foi conduzida pela 2ª Delegacia de Polícia de Canoas, responsável por aprofundar as apurações sobre os contratos e os relatos de prejuízo.

A prisão preventiva foi determinada pela Justiça a pedido da Polícia Civil. A medida cautelar não representa, por si só, uma condenação.

O inquérito estava em fase final, com diligências pendentes antes do encaminhamento ao Poder Judiciário, conforme as informações divulgadas pela investigação.

A Polícia Civil orienta que outras pessoas que tenham contratado serviços semelhantes e suspeitem de possíveis irregularidades registrem ocorrência para que os fatos possam ser apurados.

Como se proteger ao contratar móveis planejados

O caso chama a atenção para os cuidados necessários antes de contratar móveis sob medida, reformas ou outros serviços de valor elevado.

Entre as medidas preventivas recomendadas aos consumidores estão:

  • Verificar a empresa: consulte o CNPJ, o endereço comercial e a identificação dos responsáveis pelo negócio.
  • Pesquisar a reputação: procure avaliações de clientes e verifique se há reclamações recorrentes.
  • Formalizar o contrato: exija descrição dos materiais, medidas, acabamentos, prazos de entrega, montagem e condições de pagamento.
  • Evitar pagamentos integrais antecipados: sempre que possível, negocie parcelas vinculadas às etapas efetivamente cumpridas.
  • Guardar comprovantes: mantenha contratos, notas fiscais, recibos, conversas, anúncios e comprovantes de transferência.
  • Registrar o descumprimento: diante de suspeita de fraude, preserve as provas e procure a Polícia Civil e os órgãos de defesa do consumidor.

O pagamento antecipado ou o atraso de uma obra, isoladamente, não comprovam a existência de estelionato. A caracterização de um crime depende da análise das circunstâncias e das provas reunidas pelas autoridades.

Defesa do investigado

Até o fechamento da reportagem original, a equipe de GZH informou que tentou localizar a defesa do suspeito, mas não conseguiu contato. O espaço permaneceu aberto para manifestação.

O homem é investigado e deve ser tratado como suspeito até que haja decisão judicial definitiva.

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