Home / Últimas Notícias / Fim da 6×1: como outros países trabalham

Fim da 6×1: como outros países trabalham

Brasil prevê dois dias de descanso semanal e redução gradual da jornada para 40 horas. Chile e Colômbia já chegaram a 42 horas semanais, enquanto outros países ainda permitem jornadas de até 48 horas.

A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou um novo capítulo no Brasil com a promulgação da mudança constitucional pelo Congresso Nacional, em outubro de 2026. A medida prevê dois dias de descanso semanal remunerado e a redução gradual da jornada máxima de trabalho, sem diminuição salarial.

A mudança coloca o país em perspectiva com outras nações da América Latina, onde as regras sobre jornada de trabalho, horas de descanso e limites semanais variam de acordo com a legislação de cada país.

Enquanto algumas nações já adotam limites de 40 ou 42 horas semanais, outras mantêm jornadas ordinárias que podem chegar a 48 horas. Também existem diferenças conforme o trabalho seja diurno, noturno ou misto, além das regras específicas para determinadas categorias profissionais.

Como ficará a jornada de trabalho no Brasil?

A nova regra brasileira estabelece a transição para a escala 5×2, modelo em que o trabalhador exerce suas atividades durante cinco dias e tem dois dias de descanso por semana.

A implementação está prevista em duas etapas:

  • Primeira etapa: após o prazo de 60 dias previsto para a implementação, a jornada máxima semanal passa de 44 para 42 horas.
  • Segunda etapa: após mais 12 meses, o limite semanal será reduzido para 40 horas.

A mudança prevê a manutenção dos salários, sem redução da remuneração em razão da diminuição da jornada.

A implementação exigirá ajustes na organização das empresas, especialmente nos setores que funcionam todos os dias, como comércio, alimentação, transporte, serviços e atividades industriais.

Nesses segmentos, empregadores poderão precisar reorganizar turnos, escalas e equipes para manter o atendimento sem ultrapassar os limites legais.

Quais são as jornadas de trabalho em outros países?

As regras trabalhistas na América Latina mostram que não existe um único modelo de jornada. Confira os principais limites gerais apresentados no levantamento:

Equador

40 horas

Limite semanal ordinário, geralmente distribuído em cinco dias.

Venezuela

40 horas

Limite para jornada diurna; há limites menores para jornadas mistas e noturnas.

Chile

42 horas

Redução gradual, com previsão de chegar a 40 horas em abril de 2028.

Colômbia

42 horas

Limite alcançado em julho de 2026, após redução progressiva.

República Dominicana

44 horas

Limite geral da jornada normal.

Uruguai

44–48 horas

O limite varia conforme o setor: comércio ou indústria.

Argentina, Paraguai e Peru

Até 48 horas

São exemplos de países com limites gerais de até 48 horas semanais, observadas as regras específicas de cada legislação.

Outros países também apresentam limites distintos. No México, por exemplo, a jornada geral permanece em 48 horas semanais em 2026, com redução gradual prevista até 40 horas em 2030. Na Bolívia, a legislação estabelece limites diferentes conforme o grupo de trabalhadores e as condições da jornada.

Essas comparações consideram os limites legais gerais. Elas não significam necessariamente que todos os trabalhadores de cada país cumpram a carga horária máxima, já que acordos coletivos, categorias profissionais e regimes específicos podem estabelecer condições diferentes.

Chile e Colômbia adotaram reduções graduais

O Chile e a Colômbia são exemplos de países que reduziram progressivamente os limites semanais de trabalho.

No Chile, a jornada máxima passou de 45 para 44 horas em abril de 2024 e chegou a 42 horas em abril de 2026. A legislação prevê atingir 40 horas semanais em abril de 2028.

Na Colômbia, o limite chegou a 42 horas semanais em julho de 2026, seguindo um cronograma de redução iniciado com a legislação aprovada em 2021.

A adoção de etapas permite que empresas e trabalhadores adaptem suas rotinas às novas regras. O ritmo de implementação, porém, depende da legislação de cada país.

O que muda para trabalhadores e empresas?

A redução da jornada de trabalho envolve questões que vão além do número de horas cumpridas por semana. Entre os principais pontos estão a organização dos turnos, a cobertura de atendimento, os custos operacionais e a distribuição dos períodos de descanso.

Para os trabalhadores, a proposta de dois dias de folga semanal pode ampliar o tempo disponível para a família, o lazer, os estudos e a recuperação física.

Para as empresas, a mudança pode exigir contratação de profissionais, redistribuição de tarefas ou revisão dos horários de funcionamento, especialmente em atividades que precisam operar continuamente.

O resultado econômico dependerá de fatores como produtividade, custos de contratação, organização interna e capacidade de adaptação de cada setor.

Fim da escala 6×1 coloca o Brasil em novo cenário trabalhista

A mudança aproxima o Brasil de países latino-americanos que adotam jornadas máximas de 40 ou 42 horas semanais. Ao mesmo tempo, o modelo brasileiro passa a contar com uma regra específica de dois dias de descanso semanal remunerado, cuja aplicação deverá seguir as condições estabelecidas na nova norma.

A comparação internacional demonstra que os países adotam soluções diferentes para equilibrar tempo de trabalho, descanso e necessidades econômicas.

No Brasil, a implementação gradual será decisiva para definir como empresas e trabalhadores se adaptarão à nova jornada. Os efeitos práticos dependerão da aplicação das regras e das particularidades de cada atividade profissional.

O Jornal MPV continuará acompanhando as mudanças na legislação trabalhista e seus impactos sobre os trabalhadores e a economia.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *