Consumidor ingeriu parte do alimento antes de encontrar o roedor. Polícia investiga o caso, enquanto a fiscalização identificou problemas graves de higiene em duas unidades da rede Casa de Bolos.
Um caso envolvendo a presença de um rato morto dentro de um bolo comprado em Porto Alegre provocou preocupação entre consumidores e levantou questionamentos sobre as condições de higiene na produção e comercialização de alimentos.
O cliente consumiu parte do produto durante aproximadamente três dias antes de perceber a presença do animal. Após a descoberta, procurou atendimento médico e recebeu orientação para adotar medidas preventivas. Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, ele não apresentava sintomas relacionados ao episódio.
O caso aconteceu na unidade Cavalhada da rede Casa de Bolos, localizada na zona sul da Capital. A situação passou a ser investigada pela Delegacia de Polícia de Proteção aos Direitos do Consumidor (Decon), com participação dos órgãos de fiscalização sanitária.
Além da ocorrência envolvendo o alimento, inspeções identificaram irregularidades nas condições de higiene de dois estabelecimentos ligados à rede.
Cliente recebeu orientação médica após ingerir o bolo
De acordo com as informações da investigação, o consumidor e outra pessoa da família comeram o bolo durante dois dias. A presença do roedor foi percebida apenas no terceiro dia, quando uma nova fatia foi cortada.
Após encontrar o animal, o cliente procurou atendimento com um médico infectologista e recebeu orientação para utilizar medicamentos preventivos, conforme divulgado pelas autoridades.
A investigação também informou que o consumidor deveria observar possíveis sintomas durante os 30 dias seguintes à exposição.
A ausência de sintomas imediatos não significa que todos os riscos estejam descartados. Por isso, o acompanhamento médico é importante em situações que envolvem suspeita de ingestão de alimentos contaminados.
A orientação é procurar atendimento de saúde e evitar a automedicação quando houver suspeita de exposição a agentes infecciosos.

Polícia investiga como o rato foi parar dentro do bolo
Um dos principais pontos da investigação é esclarecer como o roedor entrou em contato com o alimento durante o processo de fabricação.
Segundo a Polícia Civil, as características observadas indicam a possibilidade de que o animal tenha sido assado junto com a massa.
A hipótese investigada é de que o rato estivesse dentro do forno e, ao tentar sair, tenha caído na forma, acabando envolvido pela massa durante o preparo.
Conforme os relatos divulgados pela investigação, o corpo do animal estava incorporado ao bolo, com partes da massa grudadas nele.
Até o momento, não há confirmação de que o animal tenha sido colocado deliberadamente no produto. As circunstâncias exatas do ocorrido continuam sendo apuradas pelas autoridades.
A defesa da proprietária informou que iniciou uma auditoria interna para esclarecer o episódio e avaliar os procedimentos adotados no estabelecimento.
Os advogados também mencionaram a hipótese de uma possível sabotagem por parte de um funcionário insatisfeito. Essa alegação, entretanto, não constitui fato comprovado e deverá ser examinada caso existam elementos que a sustentem.
Fiscalização encontra fezes de ratos e produtos vencidos
A inspeção sanitária realizada na unidade da Cavalhada identificou problemas que vão além da presença do roedor no bolo.
Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, os fiscais encontraram fezes de ratos sobre recipientes com alimentos e em áreas próximas ao espaço de produção. Também foram identificados vestígios de urina de roedores, produtos vencidos, itens com fungos e estruturas enferrujadas.
As irregularidades levantaram preocupações sobre os procedimentos de limpeza, armazenamento e manipulação dos alimentos comercializados no estabelecimento.
Outra unidade da mesma rede, localizada na região central de Porto Alegre, também passou por fiscalização após denúncias. Conforme as informações divulgadas, o local apresentava problemas semelhantes relacionados à higiene.
As duas unidades fiscalizadas foram interditadas. A retomada das atividades depende da adequação às exigências sanitárias e da avaliação dos órgãos responsáveis.
A interdição tem como objetivo impedir a continuidade de atividades em condições consideradas inadequadas até que as irregularidades sejam corrigidas.

Proprietária foi presa e liberada após audiência de custódia
A proprietária da unidade da Cavalhada, Amanda Borges Lopes Schenk, de 41 anos, foi presa em flagrante em 14 de outubro, durante os desdobramentos da investigação.
Ela foi autuada por suspeita de crime contra as relações de consumo, relacionado à comercialização de produto impróprio para consumo.
No dia seguinte, 15 de outubro, a Justiça concedeu liberdade provisória após audiência de custódia, mediante o cumprimento de medidas cautelares.
Entre as condições divulgadas estão manter os dados de contato atualizados, comparecer aos atos judiciais quando intimada e adequar os estabelecimentos sob sua responsabilidade às normas sanitárias.
A concessão da liberdade provisória não significa absolvição. A investigação continua, e a eventual responsabilidade criminal deverá ser definida conforme as provas reunidas e o andamento do processo.
A legislação brasileira prevê punições para determinadas condutas relacionadas à comercialização de alimentos impróprios para consumo, mas a responsabilização depende da apuração dos fatos e da análise judicial.
O que diz a defesa da proprietária
Em manifestação divulgada à imprensa, os advogados da proprietária afirmaram que o caso está sendo tratado com seriedade e que a cliente se encontra em liberdade.
A defesa informou que o estabelecimento mantém há mais de 11 anos os serviços de uma empresa especializada em dedetização e controle de pragas. Segundo os advogados, existem comprovantes dos serviços realizados.
A nota também menciona uma auditoria interna para examinar as circunstâncias do ocorrido, os procedimentos adotados e os controles existentes na unidade.
A possibilidade de sabotagem por um funcionário insatisfeito foi apresentada pela defesa como uma hipótese a ser investigada, sem que tenha sido comprovada até o momento.
Os advogados afirmaram ainda que serão adotadas medidas para esclarecer o episódio e corrigir eventuais falhas identificadas. A defesa ressaltou a importância da segurança dos alimentos e da confiança dos consumidores.

Caso levanta alerta sobre segurança alimentar em Porto Alegre
O episódio chama a atenção para a importância da fiscalização sanitária em estabelecimentos que produzem e comercializam alimentos.
A presença de roedores em ambientes de preparo pode representar risco de contaminação, já que esses animais podem transportar agentes infecciosos. Por isso, medidas como controle de pragas, armazenamento adequado, higienização frequente e conservação das instalações são fundamentais para proteger a saúde dos consumidores.
O caso também reforça a importância de comunicar às autoridades situações envolvendo alimentos aparentemente contaminados. Denúncias podem permitir que os órgãos responsáveis verifiquem as condições dos estabelecimentos e adotem providências quando necessário.
A investigação deverá esclarecer como o animal entrou em contato com o bolo, quais falhas ocorreram durante o processo de produção e se houve responsabilidade criminal.
O Jornal MPV acompanha os desdobramentos do caso e as medidas adotadas pelas autoridades em Porto Alegre.









