A investigação sobre a morte do gari Gelson da Silva Soares, de 51 anos, avançou após a Polícia Civil identificar suspeitos de participação no homicídio ocorrido na madrugada de quinta-feira (15), nas proximidades do Viaduto Tiradentes, no bairro Santa Cecília, em Porto Alegre. Dois adultos tiveram a prisão preventiva decretada, enquanto um adolescente de 17 anos é apontado como responsável pelos golpes de pá que atingiram a cabeça da vítima.
O caso ganhou novos desdobramentos com a análise de imagens de câmeras de monitoramento e os depoimentos de testemunhas. Além de identificar os envolvidos, os investigadores buscam esclarecer a motivação do crime, marcada por versões conflitantes apresentadas durante a apuração.
Como aconteceu o assassinato do gari
Gelson trabalhava para a Cootravipa, cooperativa responsável por serviços de limpeza urbana, quando foi atacado durante a madrugada de 15 de outubro. O homicídio ocorreu nas proximidades do Viaduto Tiradentes, na região do bairro Santa Cecília.
Conforme as informações divulgadas sobre a investigação, o adolescente de 17 anos teria desferido cinco golpes de pá na cabeça do trabalhador. Um dos adultos investigados teria agredido a vítima com socos e chutes. Um terceiro homem é apontado como suspeito de impedir que outros trabalhadores presentes no local prestassem socorro.
A Polícia Civil utilizou imagens de câmeras de monitoramento e depoimentos para reconstruir a sequência dos acontecimentos e identificar os possíveis envolvidos.

Dois adultos tiveram prisão preventiva decretada
Uma operação realizada na noite de sexta-feira (16), na região do Campo da Tuca, na Zona Leste de Porto Alegre, resultou em quatro prisões. Duas delas estão relacionadas à investigação da morte de Gelson.
Os dois adultos investigados pelo homicídio tiveram as prisões convertidas em preventivas, conforme as informações divulgadas pelas autoridades.
O adolescente apontado como autor dos golpes compareceu espontaneamente à delegacia, acompanhado de advogado, prestou depoimento e foi liberado. Por se tratar de um menor de idade, eventuais medidas judiciais devem observar os procedimentos previstos na legislação.
As outras duas prisões realizadas durante a operação envolveram situações distintas: uma por suspeita de porte ilegal de arma de fogo e outra em cumprimento a um mandado de prisão relacionado a outro caso. Essas ocorrências não estão diretamente ligadas ao assassinato do gari.
Polícia investiga versões conflitantes sobre a motivação
Um dos principais pontos ainda em apuração é o motivo que teria levado às agressões contra Gelson. Os investigadores trabalham com versões diferentes sobre a origem do conflito.
Desentendimento anterior na sede da Cootravipa
Uma das versões foi apresentada por colegas de trabalho e pela esposa da vítima. Segundo esses relatos, cerca de um mês antes do homicídio teria ocorrido um desentendimento envolvendo um grupo de homens que foi até a sede da Cootravipa à procura de um celular.
Os envolvidos suspeitavam que trabalhadores da cooperativa tivessem encontrado ou furtado o aparelho e levado o objeto para o local. Gelson, que exercia a função de chefe do setor, teria interferido na discussão.
De acordo com essa versão, o conflito terminou com ameaças direcionadas aos trabalhadores, incluindo ameaças de morte contra o gari.
A Polícia Civil investiga se esse episódio tem relação direta com o assassinato.

Suspeitos alegam possível abuso sexual
Outra versão foi apresentada pelos suspeitos e pelo adolescente. Eles alegaram que Gelson teria abusado sexualmente da namorada do jovem e que as agressões teriam sido uma retaliação.
Entretanto, essa alegação não está confirmada como fato. Conforme as informações divulgadas sobre a investigação, os relatos apresentados pelos investigados continham divergências e não apresentavam detalhes suficientes para esclarecer o suposto episódio.
A mulher mencionada nas declarações deveria ser ouvida pela polícia na segunda-feira (19), para contribuir com o esclarecimento das circunstâncias.
Até que as diligências sejam concluídas, não é possível afirmar qual das versões corresponde aos fatos. A investigação precisa esclarecer se houve um episódio anterior, qual teria sido sua natureza e se existe relação comprovada com o homicídio.
Suspeito tem ligação familiar com liderança criminosa
Entre os adultos presos está um homem identificado nas informações divulgadas como irmão de Juraci Oliveira da Silva, conhecido como Jura, apontado pela Polícia Civil como liderança da facção criminosa Os Abertos na região do Campo da Tuca.
Jura foi preso em fevereiro de 2026 durante a Operação La Paraguaya, que investigou um esquema de transporte e distribuição de drogas e resultou na detenção de 17 suspeitos.
Em 2023, ele havia sido absolvido da acusação de participação no assassinato de Marco Antônio Becker, então vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers).
A ligação familiar com uma pessoa apontada pelas autoridades como liderança criminosa não comprova, por si só, a participação em um delito. A responsabilidade de cada investigado deve ser estabelecida com base nas provas reunidas e nos procedimentos judiciais.

O que ainda precisa ser esclarecido
A investigação busca estabelecer a motivação do assassinato, confirmar a participação individual dos suspeitos e verificar se outras pessoas tiveram envolvimento no ataque ou contribuíram para impedir o socorro à vítima.
Também será necessário confrontar os depoimentos com as imagens de monitoramento e os demais elementos reunidos pela Polícia Civil.
O caso chama a atenção para a violência contra trabalhadores que desempenham atividades essenciais nas ruas da Capital. Gelson foi morto enquanto exercia seu trabalho de limpeza urbana, deixando familiares, amigos e colegas diante de um crime que ainda depende de esclarecimentos definitivos.
A apuração segue sob responsabilidade da Polícia Civil. A confirmação da motivação e das responsabilidades criminais dependerá do avanço das investigações e das decisões das autoridades competentes.










