Tratamentos contemplam 13 indicações para diferentes tipos de câncer e podem beneficiar mais de 116 mil pacientes. Ministério da Saúde prevê ampliar a oferta para 23 novos medicamentos até o fim de 2026.
O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a disponibilizar nove novos medicamentos oncológicos para pacientes com diferentes tipos de câncer. A medida, anunciada pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026, amplia as opções de tratamento na rede pública e busca melhorar a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes.
Os medicamentos contemplam 13 indicações de tratamento, incluindo casos de câncer de mama, próstata, pulmão, estômago, rim e tireoide, além de determinados tipos de leucemia, linfomas e tumores neuroendócrinos.
Segundo o governo federal, a previsão é beneficiar mais de 116 mil pessoas. A distribuição começa em 20 centros especializados, localizados em diferentes regiões do país, com expectativa de expansão para os demais serviços habilitados até o fim do ano.
A iniciativa integra uma reorganização da assistência farmacêutica em oncologia, com mudanças na aquisição, no financiamento e na distribuição dos medicamentos utilizados no tratamento do câncer pelo SUS.
Investimento prevê ampliação do acesso a tratamentos
A inclusão dos nove medicamentos representa um investimento anual estimado em R$ 155,4 milhões para a aquisição desses produtos.
O Ministério da Saúde também prevê incorporar outros medicamentos oncológicos até dezembro. A meta é chegar a 23 novos fármacos disponibilizados na rede pública até o fim de 2026, ampliando em 35% as alternativas terapêuticas oferecidas pelo SUS.
Considerando o conjunto das medidas para viabilizar os 23 medicamentos, o impacto financeiro estimado é de aproximadamente R$ 4 bilhões por ano.
Para organizar o fornecimento, o Ministério da Saúde assumiu diretamente a compra e a negociação de dez medicamentos, articulou mecanismos de aquisição com preços reduzidos para outros nove e ampliou os repasses destinados ao custeio dos quatro restantes.
A estratégia busca reduzir dificuldades de acesso a tratamentos de alto custo e organizar a distribuição dos recursos entre os serviços responsáveis pelo atendimento oncológico.

Quais são os nove medicamentos incluídos no SUS?
A nova oferta contempla medicamentos destinados a diferentes tipos de câncer e situações clínicas. A indicação depende das características da doença, do estágio do tumor e da avaliação da equipe médica.
| Medicamento | Indicação prevista |
|---|---|
| Trastuzumabe | Câncer de estômago ou da junção esofagogástrica |
| Abemaciclibe | Câncer de mama em estágio inicial, com características específicas |
| Acetato de lanreotida | Determinados tumores neuroendócrinos |
| Pazopanibe | Câncer renal de células claras metastático |
| Rituximabe | Leucemia linfocítica crônica e determinados linfomas |
| Abiraterona | Câncer de próstata em situações clínicas específicas |
| Gefitinibe | Câncer de pulmão de não pequenas células, em primeira linha |
| TSH recombinante (alfatirotropina) | Câncer diferenciado de tireoide com indicação de iodo radioativo |
| Sunitinibe | Câncer renal metastático e determinados tumores gastrointestinais avançados |
A inclusão de um medicamento no SUS não significa que ele seja indicado para todos os pacientes com determinado tipo de câncer. O tratamento depende de critérios clínicos, características moleculares do tumor, estágio da doença e protocolos específicos.
Os medicamentos poderão ser utilizados em diferentes momentos do tratamento, inclusive após a cirurgia, quando o objetivo é reduzir o risco de retorno da doença.
Câncer de mama, próstata e pulmão estão entre as prioridades
Entre os destaques está o abemaciclibe, indicado para determinados casos de câncer de mama com receptores hormonais positivos, HER2 negativo e comprometimento dos linfonodos. O medicamento atua sobre mecanismos envolvidos na multiplicação das células tumorais.
Outro avanço é a ampliação das indicações do trastuzumabe, já utilizado no SUS para o câncer de mama e que passa a contemplar também pacientes com câncer de estômago ou da junção entre o estômago e o esôfago, conforme os critérios estabelecidos.
Para o câncer de próstata, a abiraterona amplia as alternativas terapêuticas em situações específicas da doença. Já o gefitinibe é destinado a determinados pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células, de acordo com as características clínicas e moleculares do tumor.
A oferta desses tratamentos pode representar uma mudança importante para pacientes que dependem exclusivamente da rede pública e enfrentam dificuldades para acessar medicamentos de alto custo.

Distribuição começa em centros especializados
Nesta primeira etapa, a disponibilização dos medicamentos ocorre em centros de tratamento oncológico distribuídos pelas diferentes regiões brasileiras. O plano prevê a expansão gradual para os demais serviços habilitados até o final de 2026.
O Rio Grande do Sul está entre os estados contemplados nesta fase de implementação.
Os pacientes serão atendidos por equipes capacitadas para utilizar os novos fluxos de solicitação, registro e acompanhamento dos tratamentos. A organização busca melhorar o controle da distribuição e assegurar que os medicamentos cheguem às pessoas que atendam aos critérios clínicos.
A disponibilidade efetiva de cada medicamento pode variar conforme a unidade de tratamento, a organização local do serviço e os procedimentos necessários para iniciar a terapia.
Por isso, pacientes que acreditam ter indicação para algum dos tratamentos devem procurar a equipe de oncologia responsável pelo acompanhamento. O profissional poderá verificar os critérios de elegibilidade e orientar sobre o acesso.
SUS também amplia exames para detectar câncer de intestino
Além dos medicamentos, o Ministério da Saúde anunciou a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais, conhecidos pela sigla FIT, para o rastreamento do câncer colorretal.
O exame busca identificar sangue oculto nas fezes e ajudar a selecionar pessoas que precisam realizar investigação complementar. A estratégia será direcionada a homens e mulheres assintomáticos de 50 a 75 anos, conforme os critérios do programa.
Um resultado positivo não confirma, isoladamente, a existência de câncer. Nesses casos, a colonoscopia pode ser necessária para esclarecer o diagnóstico.
A medida pretende ampliar a identificação de possíveis casos em fases iniciais, quando as possibilidades de tratamento podem ser maiores.
O governo também está implementando o rastreamento do câncer do colo do útero por meio do teste de DNA-HPV, que identifica a presença de tipos do papilomavírus humano associados ao desenvolvimento da doença.
Como complemento, haverá financiamento para exames de citologia reflexa em meio líquido, com investimento anual previsto de R$ 2,7 milhões para mais de 131 mil testes.

Cirurgias oncológicas também terão mudanças no financiamento
Outra medida anunciada é a ampliação do custeio de cirurgias videotorácicas oncológicas, utilizadas principalmente no tratamento de determinados casos de câncer de pulmão.
A técnica utiliza pequenas incisões, câmera e instrumentos específicos para realizar procedimentos cirúrgicos. Quando clinicamente indicada, pode reduzir o tempo de internação e o risco de algumas complicações pós-operatórias em comparação com abordagens mais invasivas.
O Ministério da Saúde também anunciou ajustes no financiamento de procedimentos relacionados à iodoterapia para o câncer de tireoide. O valor anual destinado a essa finalidade passará de R$ 5,2 milhões para R$ 18 milhões, um aumento de aproximadamente 246%.
A atualização busca adequar os recursos aos custos dos tratamentos, incluindo a aquisição do iodo radioativo, transporte, equipes assistenciais, insumos, proteção radiológica e manutenção da estrutura.
Também estão previstos reajustes nos valores pagos por procedimentos relacionados à administração de medicamentos oncológicos e à realização de exames anatomopatológicos, que ajudam a confirmar diagnósticos e orientar decisões terapêuticas.
O que muda para os pacientes do SUS?
A principal mudança é a ampliação das alternativas de tratamento disponíveis na rede pública, especialmente para pacientes que precisam de medicamentos de alto custo.
A efetividade da medida dependerá da implantação nos serviços, da organização dos fluxos de atendimento, da disponibilidade dos produtos e do cumprimento dos critérios clínicos.
Para quem está em tratamento ou aguarda uma definição terapêutica, a recomendação é conversar com o oncologista responsável e verificar se a nova oferta contempla o caso específico.
A incorporação de medicamentos, exames e procedimentos representa uma etapa importante, mas o acesso concreto depende da estrutura dos serviços e da implementação das medidas em cada unidade de atendimento.










