Órgão responsável pelo planejamento metropolitano e pela fiscalização do transporte intermunicipal terá suas atribuições transferidas para a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano a partir de novembro.
O governo do Rio Grande do Sul decretou a extinção da Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan), órgão que atuou por mais de cinco décadas no planejamento regional e na gestão do transporte público intermunicipal. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (22) e entrará em vigor em 1º de novembro de 2026.
Com o encerramento da fundação, as atribuições relacionadas à regulamentação, ao planejamento e à fiscalização do transporte metropolitano serão absorvidas pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedur), pasta à qual a Metroplan já estava vinculada.
A mudança representa uma reestruturação administrativa do governo estadual e coloca em evidência questões importantes para os usuários do transporte coletivo da Região Metropolitana de Porto Alegre, especialmente em relação à continuidade dos serviços, à fiscalização das linhas e à organização do sistema.
O que muda com a extinção da metroplan?
A principal alteração será a transferência das responsabilidades da fundação para a estrutura administrativa da Sedur.
Entre as atividades historicamente desempenhadas pela Metroplan estão o planejamento e o controle operacional do transporte coletivo intermunicipal, além da fiscalização de horários, itinerários, condições da frota e outros aspectos relacionados à prestação do serviço.
A fundação também atuava no planejamento urbano e regional, com iniciativas voltadas ao desenvolvimento integrado entre municípios.
Com a mudança, essas funções deixarão de estar concentradas em uma fundação específica e passarão a ser conduzidas pela secretaria estadual responsável pelo desenvolvimento urbano e metropolitano.
A transferência exige organização administrativa para garantir que as atividades continuem sendo executadas, principalmente aquelas diretamente relacionadas à fiscalização do transporte e ao atendimento das demandas dos passageiros.
Até o momento da publicação da notícia, não havia detalhamento público suficiente sobre como será estruturada a distribuição interna de todas as atribuições após a extinção.

Como fica o transporte intermunicipal?
A Metroplan possui papel importante na organização do transporte coletivo entre municípios gaúchos, especialmente na Região Metropolitana de Porto Alegre.
O sistema intermunicipal é utilizado diariamente por trabalhadores, estudantes e pessoas que precisam se deslocar entre cidades para acessar serviços de saúde, educação, comércio e outras atividades.
A atuação do órgão envolve aspectos como planejamento das linhas, acompanhamento dos itinerários, fiscalização das condições operacionais e análise de questões relacionadas ao funcionamento do transporte metropolitano.
Com a transferência das atribuições para a Sedur, a continuidade dessas atividades será um dos pontos centrais da transição administrativa.
Para os passageiros, a extinção da fundação não significa, por si só, que as linhas de ônibus serão encerradas ou que haverá mudanças automáticas nos itinerários e horários. Eventuais alterações dependerão de decisões administrativas específicas e de medidas adotadas pelos órgãos responsáveis.
Também será importante acompanhar como ficará a estrutura de fiscalização, responsável por verificar o cumprimento das obrigações das empresas operadoras e as condições de prestação dos serviços.
O que acontecerá com os servidores?
A extinção da Metroplan também terá consequências para os trabalhadores vinculados à fundação.
Conforme o decreto governamental, os servidores que integram o quadro da instituição poderão ser exonerados ou dispensados de seus vínculos. O texto também prevê que os funcionários fiquem à disposição do Estado para eventual aproveitamento em outras funções da administração pública.
A medida abre uma etapa de reorganização do quadro de pessoal, cuja execução dependerá dos procedimentos administrativos aplicáveis a cada vínculo.
Até a divulgação da reportagem, o número exato de servidores que poderão ser exonerados, dispensados ou realocados ainda não havia sido informado oficialmente.
A Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano foi procurada para esclarecer a quantidade de trabalhadores afetados e informou que se manifestaria por meio de nota oficial.
A definição desse cenário será relevante para compreender como a secretaria pretende absorver as atividades da fundação e manter a capacidade operacional necessária para executar as funções transferidas.

Metroplan foi criada na década de 1970
A história da Metroplan começou em 1974, quando foi criada por lei. O órgão iniciou efetivamente suas atividades em 1975 e, ao longo das décadas seguintes, consolidou sua participação no planejamento metropolitano e na gestão do transporte coletivo intermunicipal.
A fundação tornou-se uma referência administrativa para a articulação de políticas regionais, em um contexto no qual o crescimento urbano e a integração entre municípios passaram a exigir planejamento conjunto.
Na Região Metropolitana de Porto Alegre, a expansão das cidades e o deslocamento diário de milhares de pessoas entre diferentes municípios reforçaram a importância de estruturas responsáveis pela organização do transporte e pelo desenvolvimento regional.
Além da mobilidade, a atuação institucional da Metroplan abrangia o planejamento urbano e a elaboração de projetos voltados à integração entre municípios.
A extinção encerra, portanto, uma trajetória institucional de mais de 50 anos.
Extinção já havia sido autorizada anteriormente
O encerramento da Metroplan não é uma proposta inteiramente nova na administração estadual.
A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou, no final de 2016, um projeto que autorizava a extinção da fundação. A medida foi sancionada em janeiro de 2017, durante o governo de José Ivo Sartori.
Entretanto, em setembro de 2019, o governo de Eduardo Leite decidiu não executar naquele momento o encerramento das atividades. Na ocasião, a administração estadual avaliava que a transferência das atribuições para uma secretaria poderia comprometer a execução dos serviços e gerar dificuldades operacionais e administrativas.
A decisão de 2026 retoma o processo de reorganização institucional e estabelece uma nova etapa para a transferência das responsabilidades da Metroplan.
A mudança ocorre em um cenário de reorganização da estrutura estadual, com redistribuição de competências entre órgãos da administração pública.

Quais são os próximos passos?
Com a entrada em vigor da extinção prevista para 1º de novembro, o governo estadual deverá conduzir a transição das atividades para a Sedur.
Entre os pontos que merecem acompanhamento estão a distribuição das atribuições entre os setores da secretaria, a situação funcional dos servidores, a manutenção da fiscalização das linhas intermunicipais e a continuidade dos trabalhos de planejamento regional.
Também será necessário observar se a reorganização produzirá mudanças na forma como as demandas relacionadas ao transporte metropolitano são recebidas, analisadas e encaminhadas.
A eficiência dessa transição dependerá da capacidade de preservar o conhecimento técnico acumulado, manter equipes suficientes para as atividades operacionais e assegurar que as responsabilidades administrativas estejam claramente definidas.
Para os moradores de Porto Alegre e das demais cidades da Região Metropolitana, o principal ponto de atenção será a continuidade dos serviços e da fiscalização do transporte coletivo, que fazem parte da rotina de milhares de passageiros.
O governo estadual ainda deverá esclarecer os detalhes operacionais da transição e a situação dos servidores atingidos pela medida.










