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Lula e Flávio trocam acusações

Confronto na TV Globo abordou economia, segurança pública, programas sociais e corrupção; candidatos tentaram conquistar eleitores indecisos antes da votação deste domingo (25).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) participaram, na noite de sexta-feira (23), do último debate presidencial antes do segundo turno das eleições de 2026. Transmitido pela TV Globo e mediado pelo jornalista César Tralli, o encontro reuniu propostas para o país, críticas às gestões anteriores e acusações que voltaram a elevar a tensão entre os candidatos.

Apesar de adotarem uma postura inicialmente mais moderada em comparação com o debate anterior, os dois adversários protagonizaram momentos de confronto direto. Economia, custo de vida, salário mínimo, segurança pública, saúde, agronegócio e suspeitas de irregularidades estiveram entre os principais assuntos discutidos.

O debate ocorreu a dois dias da votação, marcada para domingo, 25 de outubro, quando os eleitores brasileiros escolherão o próximo presidente da República.

Economia e custo de vida dominam parte do debate

Um dos principais eixos do confronto foi a situação econômica do país. Flávio Bolsonaro concentrou suas críticas no endividamento das famílias, no preço dos alimentos, nos juros e na perda do poder de compra dos brasileiros.

O senador questionou os resultados econômicos do governo Lula e defendeu medidas voltadas à recuperação da renda, à ampliação da infraestrutura e ao aumento da conectividade no país. Também prometeu investimentos em ferrovias, a conclusão da Transnordestina e medidas relacionadas à redução de custos para motociclistas.

Lula, por sua vez, defendeu os resultados de sua administração e destacou os investimentos públicos, as políticas sociais e os reajustes do salário mínimo acima da inflação.

Durante a discussão sobre infraestrutura, Flávio citou milhares de obras paralisadas e questionou a capacidade do governo de concluir empreendimentos em andamento. Lula rebateu, afirmando que o país ampliou os investimentos no setor e mencionando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com previsão de investimentos de R$ 1,4 trilhão.

A discussão econômica também envolveu o agronegócio. Flávio criticou os juros elevados e o contingenciamento de recursos destinados ao seguro rural e ao Plano Safra. Lula respondeu que seu governo ampliou o financiamento para produtores rurais, incluindo pequenos agricultores e grandes produtores.

Salário mínimo e programas sociais

O salário mínimo e as políticas de transferência de renda também ocuparam espaço importante no confronto.

Lula argumentou que os reajustes acima da inflação contribuíram para preservar o poder de compra dos trabalhadores. Em uma das discussões, afirmou que, sem a política de valorização adotada nos governos do PT, o salário mínimo estaria próximo de R$ 900, considerando a comparação apresentada pelo presidente.

Flávio contestou a avaliação econômica do governo e sustentou que os brasileiros enfrentam dificuldades para manter as despesas até o fim do mês. O senador procurou associar a situação financeira das famílias aos gastos públicos e às decisões econômicas da atual administração.

Os dois candidatos também discutiram programas sociais e o papel do Estado no enfrentamento da pobreza. Lula defendeu o histórico das políticas implementadas pelo PT, enquanto Flávio procurou destacar medidas adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro, incluindo o aumento do benefício mínimo do então Auxílio Brasil para R$ 600 em 2022.

A discussão refletiu uma das principais disputas da campanha: qual projeto econômico oferece melhores condições para recuperar a renda, reduzir o endividamento e melhorar a qualidade de vida da população.

Pedido de desculpas após ataque pessoal

Um dos momentos mais tensos ocorreu quando Lula reclamou de ter sido chamado de “nove dedos” por Flávio Bolsonaro, em referência à perda de um dedo em um acidente de trabalho.

O presidente reagiu à expressão e afirmou que não aceitaria ser tratado daquela maneira. Durante a resposta, também acusou o adversário de manter relações com milicianos, elevando o tom do confronto.

Flávio pediu desculpas pela expressão, afirmando que lamentava ter ofendido o presidente. O episódio, entretanto, não encerrou a discussão. As referências pessoais geraram pedidos de direito de resposta durante o programa.

A troca evidenciou a dificuldade dos candidatos em manter o debate restrito às propostas, mesmo diante da tentativa de adotar um discurso mais controlado na reta final da campanha.

Saúde pública e o funcionamento do SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) foi outro tema abordado pelos candidatos.

Lula questionou Flávio sobre a política de financiamento da saúde pública e criticou a condução da pandemia de Covid-19 durante o governo Jair Bolsonaro, mencionando as mortes registradas no período.

Flávio respondeu que pretende manter investimentos no SUS e citou o atendimento recebido pelo pai, Jair Bolsonaro, após o atentado a faca ocorrido em Juiz de Fora, em 2018.

O confronto colocou em discussão o financiamento da rede pública, a responsabilidade dos governos na gestão da saúde e as propostas para garantir atendimento à população.

Caso de menina morta por policial gera confronto

A segurança pública produziu outro dos momentos mais delicados do debate. Lula questionou Flávio sobre sua atuação na defesa de um policial militar acusado de envolvimento na morte de Ana Clara, uma menina de cinco anos atingida por um disparo de fuzil.

A mãe da criança, Cristina Gomes da Silva, acompanhou o debate na plateia, convidada pela equipe do presidente.

Lula utilizou o caso para questionar a política de segurança defendida pelo senador e a atuação de policiais envolvidos em ocorrências com vítimas civis.

Flávio, por sua vez, sustentou que o episódio ocorreu durante uma troca de tiros em uma comunidade conflagrada e defendeu sua posição sobre o combate ao crime organizado. Ao se dirigir à mãe da menina, manifestou solidariedade pela morte da criança.

A discussão expôs a divergência entre os candidatos sobre a atuação policial, o enfrentamento de grupos criminosos e os limites da força empregada em operações de segurança pública.

Corrupção e suspeitas marcam o bloco final

No último bloco, destinado a perguntas e discussões livres entre os candidatos, o debate voltou a ganhar intensidade.

Lula e Flávio trocaram acusações relacionadas a suspeitas de irregularidades envolvendo pessoas próximas aos dois campos políticos. Entre os assuntos citados estiveram o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e questionamentos envolvendo familiares dos candidatos.

Lula questionou a relação de Flávio com Vorcaro e mencionou valores associados ao financiamento da produção cinematográfica. Flávio negou as acusações e afirmou que não houve utilização de dinheiro público no filme, alegando que informações da Polícia Federal sustentariam sua versão.

As declarações sobre o caso foram contestadas no confronto, mas as acusações feitas pelos candidatos não devem ser tratadas automaticamente como fatos comprovados. A existência de investigações, suspeitas ou alegações políticas exige análise documental e apuração independente para estabelecer responsabilidades.

O presidente também mencionou suspeitas envolvendo seu filho, Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha. Flávio, por sua vez, fez críticas ao governo e levantou questionamentos sobre episódios relacionados a possíveis irregularidades.

O encerramento foi marcado por novos ataques verbais, com os dois candidatos acusando o adversário de mentir e tentando associar o rival a controvérsias políticas e investigações.

Candidatos fazem apelos finais aos eleitores

Nas considerações finais, Lula recorreu à própria trajetória política e profissional para pedir votos. O presidente defendeu a continuidade de seu projeto de governo e apresentou a eleição como uma escolha relacionada ao funcionamento das instituições democráticas.

Flávio Bolsonaro concentrou sua mensagem na promessa de recuperar o poder de compra da população, melhorar a segurança nas ruas e defender a liberdade. O senador pediu votos para sua candidatura e afirmou que pretende assumir compromissos que considera possíveis de cumprir.

Os discursos finais buscaram reforçar as principais mensagens das campanhas: Lula enfatizou políticas sociais, renda e democracia; Flávio destacou economia, segurança pública e críticas à administração federal.

Eleição entra na reta final

O debate da TV Globo representou a última grande oportunidade de exposição direta dos candidatos em rede nacional antes do segundo turno. Com a votação marcada para domingo (25), o confronto procurou alcançar principalmente os eleitores que ainda tinham dúvidas sobre qual projeto escolher.

A postura mais moderada observada em determinados momentos não impediu a repetição de acusações pessoais e disputas sobre episódios controversos. O resultado foi um debate que combinou apresentação de propostas com ataques políticos, especialmente nas discussões sobre segurança pública e corrupção.

A decisão agora passa para os eleitores, que deverão avaliar as propostas, o histórico dos candidatos e a consistência das afirmações feitas durante a campanha.

A votação deste domingo definirá quem comandará o Poder Executivo federal no próximo mandato.

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