Levantamento da ANP aponta preço médio de R$ 6,16 por litro no Estado, abaixo da média nacional de R$ 6,49. Na capital gaúcha, o combustível custa, em média, R$ 5,91. Produção maior, consumo praticamente estável e concorrência entre postos ajudam a explicar os valores.
Os motoristas do Rio Grande do Sul estão pagando menos pela gasolina em comparação com consumidores dos demais estados brasileiros. Um levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), divulgado em outubro de 2026, aponta que o Estado registra o menor preço médio do combustível no país.
De acordo com os dados apresentados pela jornalista Giane Guerra, de GZH, o litro da gasolina comum custa, em média, R$ 6,16 no Rio Grande do Sul. O valor coloca o Estado na primeira posição entre as unidades da Federação com o combustível mais barato.
Na comparação nacional, a diferença é significativa. O preço médio brasileiro está em R$ 6,49 por litro, aproximadamente 5% acima do valor encontrado nos postos gaúchos.
Santa Catarina aparece na segunda posição, com média de R$ 6,29 por litro.
A situação também chama atenção na comparação entre capitais. Porto Alegre apresenta o menor preço médio de gasolina entre as capitais brasileiras, com R$ 5,91 por litro.
O resultado representa um alívio para quem depende diariamente do automóvel para trabalhar, estudar, realizar entregas ou transportar passageiros.
Porto Alegre tem gasolina abaixo de R$ 6 na média
O levantamento mostra que a Capital gaúcha apresenta uma condição ainda mais favorável do que a média estadual.
Enquanto o litro custa R$ 6,16 considerando os postos pesquisados em todo o Rio Grande do Sul, em Porto Alegre a média chega a R$ 5,91.
A diferença de 25 centavos por litro pode representar uma economia relevante para quem abastece frequentemente.
Em um abastecimento de 50 litros, por exemplo, a diferença entre os dois valores representa R$ 12,50.
É importante destacar que os preços apresentados são médias da pesquisa. Isso significa que existem postos com valores acima e abaixo desses patamares, dependendo da localização, da concorrência e das condições comerciais de cada estabelecimento.

Produção maior e consumo estável ajudam a explicar os preços
Um dos principais motivos para a gasolina custar menos no Rio Grande do Sul está relacionado ao equilíbrio entre oferta e demanda.
Segundo os dados apresentados na reportagem, a produção de gasolina no Estado aumentou, enquanto o consumo apresentou crescimento bastante limitado.
A Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), localizada em Canoas, teve participação importante nesse cenário.
A unidade da Petrobras respondeu por 11,3% do refino nacional de gasolina entre janeiro e agosto de 2026. Em 2025, essa participação havia sido de 8,5%.
O crescimento da produção contribui para ampliar a disponibilidade do combustível no mercado regional e reduzir a necessidade de buscar produto em outras regiões.
Ao mesmo tempo, o consumo de gasolina no Rio Grande do Sul cresceu apenas 0,8% até agosto, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Essa combinação de maior oferta e demanda praticamente estável ajuda a explicar por que o preço médio gaúcho está abaixo da média nacional.
Etanol ganha espaço e reduz pressão sobre a gasolina
Outro fator que contribuiu para o cenário foi o aumento da utilização do etanol como alternativa à gasolina.
De acordo com os dados apresentados na reportagem, as vendas de etanol no Rio Grande do Sul cresceram 16% até agosto de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A substituição de parte do consumo de gasolina pelo combustível renovável ajuda a explicar por que a demanda por gasolina permaneceu praticamente estável.
O movimento também mostra uma mudança no comportamento de parte dos motoristas, especialmente daqueles que possuem veículos com tecnologia flex e podem escolher entre os dois combustíveis.
A decisão de abastecer com etanol, entretanto, depende da relação entre os preços e do rendimento de cada combustível no veículo.
Em geral, o etanol precisa custar aproximadamente 70% a 75% do preço da gasolina para apresentar vantagem econômica, embora essa proporção varie conforme o modelo do automóvel e seu consumo.

Concorrência entre postos influencia os valores
A concorrência também aparece como um dos fatores importantes para explicar os preços mais baixos no Estado.
Segundo Fabrício Severo Braz, presidente do Sulpetro, entidade que representa os postos de combustíveis do Rio Grande do Sul, o Estado possui aproximadamente 3.180 postos de combustíveis.
A quantidade de estabelecimentos e a disputa por consumidores influenciam a formação dos preços nas diferentes regiões.
Outro aspecto apontado é que os postos gaúchos comercializam, em média, menos litros de combustível por estabelecimento do que a média nacional.
Isso significa que existe uma disputa entre diferentes revendedores por uma demanda relativamente menor em cada unidade, o que pode estimular estratégias comerciais e preços mais competitivos.
Na prática, os consumidores podem encontrar diferenças consideráveis entre postos próximos, reforçando a importância de pesquisar antes de abastecer.
Petrobras e subsídios também ajudam a segurar os preços
Apesar das condições favoráveis de oferta e demanda no Rio Grande do Sul, existe outro elemento importante nessa equação: as medidas adotadas pelo governo federal e a política de preços da Petrobras.
A reportagem destaca que a estatal vem evitando reajustes que poderiam ampliar o impacto das oscilações internacionais do petróleo sobre os consumidores brasileiros.
Além disso, o governo federal implementou medidas de apoio ao setor de combustíveis.
No início de outubro de 2026, o subsídio destinado à gasolina chegou a R$ 0,89 por litro, conforme os dados apresentados na reportagem.
Essas medidas ajudam a conter parte dos custos e a reduzir a pressão sobre os preços praticados nas bombas.
Entretanto, é importante considerar que subsídios e políticas de contenção não eliminam os efeitos das oscilações internacionais do petróleo, dos custos de produção, da distribuição e da tributação.

Como fica a comparação entre os preços?
Os valores apresentados no levantamento permitem visualizar a diferença entre o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e a média brasileira.
| Localidade | Gasolina por litro |
|---|---|
| Rio Grande do Sul | R$ 6,16 |
| Santa Catarina | R$ 6,29 |
| Média nacional | R$ 6,49 |
| Porto Alegre | R$ 5,91 |
Valores médios divulgados na reportagem de GZH em 30 de outubro de 2026. Porto Alegre é uma média municipal, não estadual.
A diferença entre o preço médio gaúcho e a média nacional é de R$ 0,33 por litro.
Para um motorista que abastece 50 litros, isso representa uma diferença de R$ 16,50 por abastecimento, considerando os preços médios apresentados.
Em quatro abastecimentos desse volume, a diferença acumulada chegaria a R$ 66.
Esse cálculo é uma comparação entre médias, não uma garantia de economia para todos os consumidores.
Preço mais baixo não significa ausência de riscos de aumento
Apesar da posição favorável do Rio Grande do Sul, o cenário dos combustíveis continua sujeito a mudanças.
O mercado internacional de petróleo sofre influência de conflitos geopolíticos, decisões de países produtores, variações cambiais e alterações na oferta mundial.
A guerra no Oriente Médio, por exemplo, provocou pressões sobre as cotações internacionais e aumentou a preocupação com os custos dos combustíveis.
Caso os preços internacionais avancem ou ocorram mudanças nas políticas de preços e nos subsídios, os valores nas bombas poderão sofrer alterações.
Por isso, mesmo com a gasolina mais barata do Brasil neste levantamento, não existe garantia de que o Estado manterá essa posição nos próximos meses.

O que isso representa para os motoristas gaúchos?
O resultado coloca o Rio Grande do Sul em uma posição favorável no cenário nacional dos combustíveis.
Para quem utiliza o carro diariamente, a diferença de preço pode representar uma economia importante ao longo do mês, principalmente para trabalhadores que dependem do veículo para exercer suas atividades.
Motoristas de aplicativos, taxistas, profissionais de entregas, representantes comerciais e famílias que utilizam o automóvel com frequência estão entre os beneficiados pelos valores mais baixos.
O cenário também evidencia a importância da produção regional, da concorrência entre estabelecimentos e do equilíbrio entre oferta e demanda na formação dos preços.
Em Canoas, onde está localizada a Refinaria Alberto Pasqualini, a produção de combustíveis tem importância estratégica para o abastecimento do Rio Grande do Sul.
A combinação desses fatores ajuda a explicar por que os consumidores gaúchos encontram, neste momento, uma das condições mais favoráveis do país para abastecer seus veículos.










