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Novo teste identifica milhares de casos de HPV

Novo teste molecular DNA-HPV já identificou 9.904 resultados positivos entre os exames processados em 2026. Tecnologia está disponível em 26 estados e permite identificar o vírus antes do aparecimento de lesões que podem evoluir para câncer do colo do útero. No Rio Grande do Sul, 34 municípios já oferecem o exame.

O Sistema Único de Saúde (SUS) identificou 9.904 resultados positivos para HPV de alto risco desde a ampliação da oferta do novo teste molecular utilizado no rastreamento do câncer do colo do útero. Os números foram divulgados pelo Ministério da Saúde e mostram a importância da expansão dos exames preventivos no país.

Dos 93 mil exames processados em 2026, aproximadamente 10,6% apresentaram resultado positivo para HPV de alto risco. Ao considerar também as amostras coletadas no ano passado, a estratégia já contabiliza 153 mil coletas em todo o território nacional.

A tecnologia, chamada DNA-HPV, identifica a presença do papilomavírus humano, incluindo tipos associados a um risco maior de desenvolvimento de câncer do colo do útero.

O novo exame representa um avanço na prevenção, pois consegue identificar a presença do vírus antes mesmo do surgimento de alterações celulares que podem evoluir para lesões pré-cancerígenas.

A implementação está acontecendo gradualmente e já alcança 26 unidades da Federação. O Espírito Santo é o único estado que ainda aguarda o início da realização dos exames, com previsão de recebimento dos materiais necessários até o final de 2026.

Novo exame permite identificar o vírus mais cedo

O teste molecular DNA-HPV utiliza tecnologia capaz de detectar o material genético do vírus no organismo.

Diferentemente do exame tradicional, que identifica alterações nas células do colo do útero, o novo método procura diretamente a presença do HPV, permitindo reconhecer infecções antes que provoquem lesões.

Essa característica é considerada importante para a prevenção do câncer, já que determinadas infecções persistentes podem provocar alterações celulares ao longo do tempo.

Entre os tipos identificados pelo exame estão o HPV 16 e o HPV 18, considerados de alto risco e associados a uma parcela significativa dos casos de câncer do colo do útero.

O exame foi recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2013 e começou a ser incorporado ao SUS em 2025, com ampliação da utilização a partir de 2026.

Uma das vantagens é que, quando o resultado é negativo, o intervalo recomendado até o próximo rastreamento pode chegar a cinco anos, conforme os critérios do protocolo.

Resultado positivo não significa diagnóstico de câncer

Um dos pontos mais importantes para compreender os números divulgados pelo Ministério da Saúde é que um resultado positivo para HPV de alto risco não significa que a mulher tenha câncer.

O resultado indica que o vírus foi identificado e que existe a necessidade de avaliação e acompanhamento conforme os protocolos médicos.

Nem todas as pessoas infectadas desenvolverão lesões ou câncer. Em muitos casos, o próprio organismo consegue controlar a infecção.

Entretanto, quando determinados tipos de HPV permanecem no organismo por períodos prolongados, podem provocar alterações celulares que exigem investigação e acompanhamento.

Por isso, a identificação precoce permite que os profissionais de saúde avaliem cada situação e indiquem os procedimentos necessários.

Dependendo do resultado, a paciente poderá precisar de exames complementares, como avaliação ginecológica e colposcopia, além de acompanhamento periódico.

O rastreamento deve estar associado à continuidade do cuidado, garantindo que as mulheres com resultados alterados recebam orientação e atendimento adequado.

Rio Grande do Sul já tem 34 municípios com o novo exame

O Rio Grande do Sul também está avançando na implantação da tecnologia.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde em 29 de outubro, 34 municípios gaúchos já contam com o teste molecular DNA-HPV pelo SUS.

A iniciativa amplia as possibilidades de prevenção e permite que mulheres tenham acesso a um método mais moderno de rastreamento do câncer do colo do útero.

Entre os municípios contemplados estão:

  • Ajuricaba;
  • Alecrim;
  • Arroio do Padre;
  • Augusto Pestana;
  • Boa Vista do Buricá;
  • Pelotas;
  • Ijuí;
  • Ibirubá;
  • Santa Rosa;
  • Santo Ângelo;
  • São Borja;
  • Três de Maio;
  • Tuparendi;
  • São Miguel das Missões;
  • Catuípe;
  • Chiapetta;
  • Condor;
  • Caibaté;
  • Rolador;
  • Santo Cristo.

A lista também inclui outros municípios do interior gaúcho.

A implantação acontece de forma gradual, conforme a organização dos serviços de saúde e a capacitação das equipes responsáveis pela coleta e pelo acompanhamento das pacientes.

Para moradores de cidades que ainda não oferecem a tecnologia, a recomendação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência para verificar a disponibilidade do exame e os procedimentos de rastreamento.

Papanicolau continua disponível no SUS

Mesmo com a chegada da nova tecnologia, o exame Papanicolau continua sendo oferecido pelo SUS e permanece como uma ferramenta importante de prevenção.

A substituição está ocorrendo de maneira gradual, conforme os municípios recebem os materiais, organizam os serviços e capacitam os profissionais.

O Papanicolau identifica alterações nas células do colo do útero que podem indicar lesões pré-cancerígenas. Já o teste DNA-HPV consegue identificar a presença do vírus antes mesmo de essas alterações aparecerem.

A mudança representa uma evolução no rastreamento, pois permite identificar mulheres que precisam de acompanhamento em uma etapa mais precoce.

O Ministério da Saúde também está investindo na capacitação de profissionais das 27 unidades da Federação, com treinamentos presenciais e on-line para organizar os novos fluxos de atendimento.

Estudo aponta antecipação de até 10 anos na detecção

Uma pesquisa realizada pelo Centro de Atenção à Saúde Integral da Mulher da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com mulheres acompanhadas por um programa de rastreamento em Indaiatuba, São Paulo, identificou uma vantagem importante da nova tecnologia.

O estudo apontou que o teste molecular DNA-HPV permitiu antecipar em aproximadamente dez anos a identificação de casos de câncer do colo do útero, quando comparado ao rastreamento tradicional.

A idade média de identificação passou de 49,3 anos, com o Papanicolau, para 39,6 anos com o exame molecular.

O resultado demonstra o potencial da tecnologia para identificar situações de risco mais cedo, permitindo que as pacientes sejam encaminhadas para investigação e acompanhamento antes que a doença avance.

Brasil pode registrar 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero

Apesar dos avanços na prevenção, o câncer do colo do útero continua sendo um importante problema de saúde pública no Brasil.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país poderá registrar aproximadamente 19,3 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028.

A doença está entre os tipos de câncer mais frequentes entre as mulheres brasileiras.

Um dos principais desafios é que, nas fases iniciais, o câncer do colo do útero pode não apresentar sintomas. Por isso, muitas mulheres podem ter a doença em desenvolvimento sem perceber qualquer alteração.

Quando identificado precocemente, o câncer apresenta elevadas possibilidades de tratamento e cura, dependendo das condições clínicas e do estágio da doença.

A ampliação dos exames preventivos é considerada uma das principais estratégias para reduzir os casos diagnosticados em fases avançadas.

Quais sintomas merecem atenção?

Embora a infecção pelo HPV frequentemente não apresente sintomas, alguns sinais podem indicar alterações que precisam ser investigadas por profissionais de saúde.

Entre os principais sintomas de alerta estão:

  • Sangramento durante ou depois da relação sexual;
  • Sangramento entre os períodos menstruais;
  • Sangramento após a menopausa;
  • Dor durante a relação sexual;
  • Corrimento vaginal com sangue ou odor desagradável.

Em situações mais avançadas, também podem aparecer:

  • Dor na região pélvica;
  • Dor na parte inferior das costas;
  • Cansaço intenso;
  • Problemas relacionados aos rins;
  • Inchaço e dor nas pernas.

Esses sintomas não significam necessariamente câncer, pois também podem estar associados a outras condições de saúde. Entretanto, quando aparecem, devem ser avaliados por um profissional.

A ausência de sintomas também não elimina a necessidade de realizar os exames preventivos recomendados.

Vacinação contra HPV alcança 87% entre meninas

Além dos exames, a vacinação é uma das principais ferramentas para prevenir infecções pelos tipos de HPV associados ao câncer.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, a cobertura vacinal brasileira em 2025 chegou a:

  • 87% entre meninas de 9 a 14 anos;
  • 74% entre meninos de 9 a 14 anos.

Os índices colocam o Brasil acima da média mundial de cobertura vacinal nessa faixa etária.

A vacina está disponível gratuitamente pelo SUS para os públicos contemplados pelo calendário nacional de imunização.

A vacinação é especialmente importante antes do início da vida sexual, pois oferece proteção contra os principais tipos de HPV responsáveis por doenças e determinados tipos de câncer.

É importante destacar que a vacina não substitui os exames preventivos. As duas estratégias são complementares: a imunização reduz o risco de infecção, enquanto o rastreamento permite identificar possíveis infecções e alterações que precisam de acompanhamento.

Como fazer o teste pelo SUS?

A coleta do exame DNA-HPV é realizada por profissionais de saúde nas Unidades Básicas de Saúde.

Em determinadas situações previstas no protocolo, também existe a possibilidade de autocoleta, realizada pela própria paciente após receber orientação de um profissional habilitado.

Para saber se o novo exame já está disponível no município, a recomendação é procurar a UBS de referência e solicitar informações sobre o rastreamento do câncer do colo do útero.

O Ministério da Saúde também orienta que as mulheres mantenham o acompanhamento preventivo, mesmo quando não apresentam sintomas.

A expansão do DNA-HPV representa um avanço na saúde pública brasileira, mas o resultado depende também da capacidade de garantir atendimento, exames complementares e continuidade do acompanhamento para todas as pacientes que necessitam de cuidados.

Prevenção e diagnóstico precoce podem salvar vidas

A identificação de quase 10 mil resultados positivos para HPV de alto risco demonstra a importância de ampliar o acesso aos exames preventivos no Brasil.

O novo teste molecular permite reconhecer infecções antes do aparecimento de lesões, oferecendo mais oportunidades para acompanhamento e intervenção médica.

Com 26 estados utilizando a tecnologia e 34 municípios gaúchos já contemplados, o SUS avança na modernização do rastreamento do câncer do colo do útero.

O desafio agora é ampliar a cobertura, garantir que as pacientes com resultados positivos recebam acompanhamento adequado e fortalecer a vacinação contra o HPV.

A prevenção continua sendo uma das principais ferramentas para reduzir a mortalidade por câncer do colo do útero.

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