Inquérito foi aberto após boletim de ocorrência registrado nesta semana; caso envolve a Lei Maria da Penha e tramita sob sigilo.
O vereador José Geraldo de Farias, conhecido como Zézo (PDT), de Alvorada, na Região Metropolitana, é investigado pela Polícia Civil em um caso relacionado à Lei Maria da Penha. O boletim de ocorrência foi registrado na quarta-feira (19) e deu origem a um inquérito que atualmente tramita sob sigilo.
Segundo a apuração publicada pela GZH, a mulher apontada como vítima seria a esposa do parlamentar. Ela teria relatado agressões e violência psicológica e já prestado depoimento às autoridades.
Como a investigação está em andamento e os autos não são públicos, detalhes sobre o episódio ainda não foram divulgados oficialmente.
Caso coloca vereador no centro de investigação policial
A abertura de um inquérito significa que a Polícia Civil está apurando os fatos apresentados na ocorrência. Nesta etapa, ainda não existe uma conclusão sobre a responsabilidade criminal do vereador.
A investigação poderá reunir depoimentos, documentos e outros elementos que ajudem a esclarecer o que ocorreu.
Essa distinção é fundamental: ser investigado não significa ser condenado. Eventual responsabilização dependerá da apuração e das decisões posteriores das autoridades competentes.
No caso de Alvorada, a própria natureza sigilosa do procedimento limita, neste momento, a divulgação de informações sobre a dinâmica da ocorrência.
Câmara de Alvorada afirma não ter sido comunicada
A repercussão do caso também chegou ao Legislativo municipal.
A Câmara de Vereadores de Alvorada informou que não havia recebido denúncia ou notificação oficial relacionada ao episódio. Por isso, até a publicação da reportagem, nenhum procedimento ou sindicância havia sido aberto contra Zézo em razão da investigação.
A situação demonstra que uma investigação criminal e uma eventual apuração dentro do Legislativo são procedimentos diferentes.
A Polícia Civil atua na investigação dos fatos que podem configurar crime. Já a Câmara poderá avaliar eventuais questões administrativas ou político-institucionais dentro de suas atribuições caso seja formalmente comunicada ou surjam elementos que justifiquem uma medida.
PDT diz que aguardará a apuração
O caso também deverá ser acompanhado pela direção partidária.
O presidente do PDT no Rio Grande do Sul, Romildo Bolzan Junior, afirmou que a situação será avaliada pelo partido após a investigação dos fatos e observância do direito ao contraditório.
A direção estadual da legenda também declarou que o partido não tolera agressões contra mulheres ou pessoas em situação de vulnerabilidade.
A manifestação deixa aberta a possibilidade de uma avaliação política posteriormente, mas não antecipa qualquer medida contra o vereador.
Gabinete não respondeu aos contatos
A reportagem da GZH informou que procurou o gabinete de Zézo por mensagens de WhatsApp e ligações.
Até o momento da publicação, não houve retorno do vereador ou de sua equipe.
A ausência de manifestação não deve ser interpretada como admissão dos fatos. O parlamentar ainda poderá apresentar sua versão ou manifestação por meio de sua defesa.
Para uma cobertura jornalística responsável, o contraditório deve ser incorporado assim que houver posicionamento oficial.
Lei Maria da Penha completa 20 anos
A investigação ocorre justamente em um ano simbólico para a legislação brasileira de combate à violência doméstica.
A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) completou 20 anos em agosto de 2026. A legislação criou mecanismos específicos de prevenção, proteção e enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher.
A norma ampliou os instrumentos disponíveis para proteção das vítimas e estabeleceu medidas de assistência e proteção em situações de violência doméstica.
A legislação também reconhece diferentes formas de violência, que não se limitam à agressão física.
Entre elas estão a violência psicológica, sexual, patrimonial e moral, além da violência física.
Por isso, uma investigação instaurada no contexto da Lei Maria da Penha não permite, isoladamente, concluir qual teria sido exatamente a conduta praticada. No caso envolvendo o vereador de Alvorada, os detalhes permanecem sob sigilo.
Investigação pode definir os próximos passos
A Polícia Civil deverá avançar na coleta de informações e na análise dos elementos relacionados à ocorrência.
Dependendo do que for apurado, o caso poderá ter novos encaminhamentos na esfera criminal.
Também poderá haver consequências políticas ou administrativas, caso sejam identificados elementos que ultrapassem a esfera criminal e sejam formalmente comunicados ao Legislativo ou ao partido.
Por enquanto, porém, não há informação pública sobre eventual indiciamento ou denúncia contra o vereador.
O caso permanece em fase de investigação.
O que está confirmado até agora
Até o momento, os principais fatos conhecidos são:
- José Geraldo de Farias, o Zézo, é vereador de Alvorada pelo PDT;
- um boletim de ocorrência foi registrado na quarta-feira (19);
- a Polícia Civil abriu um inquérito relacionado à Lei Maria da Penha;
- a suposta vítima seria a esposa do vereador;
- segundo a apuração jornalística, ela teria relatado agressão e violência psicológica;
- a mulher já teria prestado depoimento;
- o inquérito tramita sob sigilo;
- a Câmara afirma não ter recebido comunicação oficial;
- o PDT informou que aguardará a apuração;
- o gabinete do vereador não havia respondido aos contatos feitos pela reportagem até a publicação da notícia.
O ponto central, portanto, é que há uma investigação em andamento, mas ainda não existe uma conclusão judicial sobre os fatos.
A evolução do inquérito deverá determinar se novas medidas serão adotadas e se o caso terá algum desdobramento além da investigação policial.










