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BR-116 terá mais 20 km duplicados

Novo aporte federal deve permitir a continuidade das obras nos lotes 5, 6, 7 e 8/9, com expectativa de mais 20 quilômetros duplicados até o fim de 2026.

O Governo Federal destinou R$ 96 milhões para a continuidade das obras de duplicação da BR-116 entre Guaíba e Pelotas, na Região Sul do Rio Grande do Sul. O recurso foi oficializado por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União e será utilizado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para manter os trabalhos em trechos que ainda estão em execução.

O anúncio foi recebido com expectativa por prefeitos, representantes empresariais e lideranças da região, que há anos cobram a conclusão da duplicação de um dos principais corredores rodoviários do Rio Grande do Sul.

Segundo o DNIT, o dinheiro será aplicado nos lotes 5, 6, 7 e 8/9, onde existem serviços em andamento. A expectativa da autarquia é que o novo aporte permita a entrega de aproximadamente 20 quilômetros adicionais de pista duplicada até o final de 2026, dependendo principalmente das condições climáticas e do andamento dos trabalhos.

Obra entre Guaíba e Pelotas

O projeto de duplicação da BR-116/RS contempla aproximadamente 211 quilômetros entre Guaíba e Pelotas. Atualmente, cerca de 180 quilômetros já foram duplicados e estão liberados para o tráfego, restando aproximadamente 31 quilômetros para a conclusão integral do empreendimento.

A previsão de investimento total na duplicação é de aproximadamente R$ 2,13 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 1,61 bilhão já foi aplicado, de acordo com os dados divulgados pelo DNIT.

Os trechos que ainda dependem de conclusão estão concentrados em pontos considerados estratégicos para a segurança e a fluidez do tráfego na região.

Com o novo recurso, a previsão é avançar principalmente em três segmentos: um localizado no perímetro urbano de Camaquã, outro entre Camaquã e Cristal e um terceiro nas proximidades de Turuçu.

Lideranças cobram conclusão da rodovia

O anúncio foi comemorado por representantes da região, mas também veio acompanhado de cobranças para que o Governo Federal mantenha o fluxo de recursos até a conclusão dos 211 quilômetros previstos no projeto.

O prefeito de Camaquã destacou que a obra é aguardada há anos e considera a conclusão da duplicação fundamental para o município e para toda a Metade Sul do Estado.

Segundo o prefeito, dois viadutos localizados dentro do município estão praticamente concluídos, dependendo de etapas finais e da liberação para utilização. Para a administração municipal, as estruturas devem melhorar a segurança viária, facilitar os deslocamentos da população e contribuir para a atração de investimentos.

A avaliação é de que a conclusão da duplicação poderá produzir impactos econômicos que vão além da circulação de veículos, com reflexos sobre emprego, renda, logística e desenvolvimento regional.

Preocupação com acessos e acidentes

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Camaquã (ACIC), Ênio Nunes, também avaliou positivamente a liberação dos recursos, mas chamou atenção para pontos que ainda apresentam problemas de segurança.

Entre as preocupações está o acesso ao município de Tapes, onde, segundo a entidade, a ausência de uma estrutura adequada para o cruzamento e acesso à rodovia aumenta os riscos de acidentes.

Para as lideranças empresariais, a duplicação precisa ser acompanhada pela conclusão de viadutos, acessos e demais estruturas previstas no projeto, evitando que determinados pontos continuem concentrando conflitos de tráfego.

Pressão por recursos

O coordenador do Movimento Aliança Rio Grande e vice-presidente de Infraestrutura da Federasul, Antônio Carlos Bacchieri Duarte, classificou a liberação dos R$ 96 milhões como resultado da pressão exercida por lideranças políticas, empresariais e da sociedade civil.

Apesar de considerar o valor importante para a continuidade das obras, Duarte demonstrou preocupação com os lotes 1 e 2, próximos a Guaíba, que permanecem como um dos pontos de atenção no processo de conclusão do empreendimento.

A cobrança das entidades é para que os recursos não sejam liberados apenas de forma pontual, mas garantam uma sequência de investimentos capaz de levar a obra até sua conclusão definitiva.

Impacto para a Metade Sul

A BR-116 é uma das principais ligações rodoviárias do Rio Grande do Sul e possui importância estratégica para o deslocamento entre a Região Metropolitana de Porto Alegre, a Metade Sul do Estado e a região de Pelotas.

A rodovia também exerce papel fundamental no transporte de cargas com destino ao Porto de Rio Grande, além de integrar um importante corredor logístico utilizado no comércio entre o Brasil e os países do Mercosul.

A duplicação, portanto, não representa apenas a construção de uma segunda pista. O projeto envolve melhorias de infraestrutura, incluindo viadutos, pontes, travessias urbanas, retornos, acessos e outras intervenções destinadas a organizar o tráfego e aumentar a segurança dos usuários.

Dados divulgados anteriormente pelo DNIT apontam que o trecho entre Guaíba e Pelotas recebe fluxo significativo de veículos de carga e passeio, reforçando a importância da obra para a logística estadual.

Uma obra marcada por atrasos

A duplicação da BR-116 entre Guaíba e Pelotas começou na década passada e acumula sucessivos adiamentos. A previsão inicial era de conclusão em prazo significativamente menor, mas restrições orçamentárias, paralisações e a necessidade de novos aportes fizeram com que o cronograma fosse prolongado.

Em agosto de 2026, a obra completou 14 anos, ainda com aproximadamente 31 quilômetros sem duplicação. A expectativa mais recente apontava para a entrega de outros 20 quilômetros em 2026, enquanto a conclusão integral passou a ser projetada para 2028.

A liberação dos R$ 96 milhões representa, portanto, uma tentativa de garantir continuidade às frentes de trabalho e evitar uma nova paralisação dos serviços.

Expectativa para 2026

Com o novo aporte, o DNIT trabalha com a possibilidade de entregar mais 20 quilômetros duplicados até dezembro de 2026. Caso a previsão seja cumprida, a quantidade de pista duplicada no corredor entre Guaíba e Pelotas poderá se aproximar ainda mais da conclusão total.

Para os municípios diretamente envolvidos, o principal desafio agora é garantir que os recursos sejam efetivamente transformados em obras e que novos aportes sejam assegurados para os quilômetros restantes.

As lideranças da região afirmam que continuarão pressionando o Governo Federal pela conclusão dos 211 quilômetros previstos no projeto, considerada uma obra estratégica para a segurança viária e para o desenvolvimento econômico da Metade Sul.

O que muda com a duplicação

Além de ampliar a capacidade da rodovia, a conclusão do projeto deverá proporcionar:

  • Mais segurança para motoristas e passageiros;
  • Redução dos conflitos entre veículos em trechos de pista simples;
  • Melhoria dos acessos aos municípios;
  • Maior fluidez no transporte de cargas;
  • Melhores condições para o escoamento da produção;
  • Redução de gargalos logísticos;
  • Estruturas como viadutos, pontes, retornos e travessias urbanas;
  • Melhores condições de ligação entre a Região Metropolitana, a Metade Sul e o Porto de Rio Grande.

Cenário atual

Dos aproximadamente 211 quilômetros previstos, 180 quilômetros já estão duplicados e em operação. Restam cerca de 31 quilômetros para a conclusão integral.

O novo aporte de R$ 96 milhões deverá garantir a continuidade dos trabalhos nos lotes que possuem serviços em andamento, com previsão de avanço de aproximadamente 20 quilômetros ainda em 2026.

O desafio, entretanto, permanece: assegurar recursos suficientes para concluir todos os trechos restantes e transformar uma obra que se arrasta há 14 anos em uma ligação rodoviária integralmente duplicada entre Guaíba e Pelotas.

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