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EUA lembram 25 anos do 11 de Setembro

Atentados de 2001 deixaram 2.977 mortos e continuam produzindo impactos sociais, políticos e de saúde nos Estados Unidos.

Os Estados Unidos se preparam para marcar, na próxima sexta-feira (11), os 25 anos dos atentados de 11 de Setembro de 2001, um dos acontecimentos que mais transformaram a história recente do país e a política internacional.

Um quarto de século depois, o desafio agora é preservar a memória de uma tragédia que já não é vivenciada diretamente por uma parcela crescente da população. Segundo informações divulgadas pela organização responsável pelo Museu e Memorial do 11 de Setembro, cerca de 100 milhões de americanos não haviam nascido ou eram jovens demais para compreender os acontecimentos daquele dia.

A mudança geracional fez com que o trabalho de preservação da memória ganhasse uma nova dimensão. Além das cerimônias anuais, o memorial passou a concentrar esforços em educação, visitas guiadas e contato com jovens que conhecem o episódio principalmente por meio de familiares, professores, livros e registros históricos.

Cerimônia reunirá autoridades no Marco Zero

Em Nova York, o chamado Marco Zero, local onde estavam as Torres Gêmeas do World Trade Center, será novamente o principal ponto das homenagens.

Familiares das vítimas participarão da tradicional leitura dos nomes das pessoas que morreram nos ataques. A cerimônia começará no horário correspondente ao primeiro impacto de um dos aviões contra o World Trade Center.

À noite, dois feixes de luz serão projetados sobre Manhattan, formando a tradicional Tribute in Light, representação simbólica das duas torres destruídas.

O memorial atualmente ocupa o espaço das antigas fundações das Torres Gêmeas e possui dois grandes espelhos d’água. O local recebe aproximadamente 2,4 milhões de visitantes por ano.

Trump fará homenagem no Pentágono

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não deverá participar da cerimônia no Marco Zero. A programação prevê que ele faça sua homenagem no Pentágono, em Washington.

O vice-presidente JD Vance e os quatro ex-presidentes americanos que antecederam Trump — Joe Biden, Barack Obama, Bill Clinton e George W. Bush — estarão em Nova York para a cerimônia.

A ausência de Trump no Marco Zero gerou discussão nos Estados Unidos. Segundo reportagem do New York Times citada pela AFP, uma das razões seria a regra que restringe discursos políticos durante a cerimônia para preservar o caráter apartidário do evento. Trump classificou essa informação como “inventada”.

O que aconteceu em 11 de setembro de 2001

Na manhã de 11 de setembro de 2001, 19 integrantes da organização extremista Al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais.

Dois deles foram lançados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York. Os edifícios, que tinham 110 andares cada, posteriormente desabaram.

Um terceiro avião atingiu o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

O quarto avião caiu em uma área rural próxima a Shanksville, na Pensilvânia, depois que passageiros e tripulantes tentaram enfrentar os sequestradores. A aeronave aparentemente tinha como destino algum alvo em Washington.

Ao todo, 2.977 pessoas morreram nos ataques, sem contar os 19 sequestradores.

O episódio provocou uma mudança profunda na política de segurança dos Estados Unidos e teve consequências que ultrapassaram as fronteiras americanas.

Uma geração que não viveu o 11 de Setembro

Um dos principais desafios atuais é explicar o significado do episódio para pessoas que nasceram depois de 2001.

Para quem era adulto ou criança naquele período, as imagens das torres em chamas, das pessoas fugindo pelas ruas de Manhattan e da fumaça cobrindo parte de Nova York fazem parte da memória pessoal.

Para milhões de jovens, entretanto, o 11 de Setembro é um acontecimento histórico.

O Museu e Memorial do 11 de Setembro passou a investir justamente nessa diferença de percepção. Voluntários, incluindo pessoas que participaram das operações de emergência, conversam com visitantes e relatam experiências pessoais.

A estratégia busca transformar um acontecimento conhecido por fotografias e vídeos em uma experiência histórica compreensível para novas gerações.

Socorristas continuam sofrendo consequências

Os efeitos do 11 de Setembro não terminaram com o encerramento das operações de resgate.

Milhares de bombeiros, policiais, trabalhadores de emergência, profissionais de limpeza e moradores foram expostos à poeira e a substâncias tóxicas liberadas após o desabamento das estruturas.

Segundo dados recentes relacionados ao Programa de Saúde do World Trade Center, mais de 150 mil socorristas e sobreviventes são acompanhados pelo programa federal.

Até 30 de junho de 2026, haviam sido registrados aproximadamente 85 mil diagnósticos relacionados às condições de saúde associadas ao World Trade Center. Cerca de metade estava relacionada à exposição à poeira, enquanto aproximadamente 30% envolviam câncer.

O impacto de longo prazo também aparece no número de mortes posteriores entre pessoas que participaram dos trabalhos de resgate e recuperação. Dados recentes apontam que mais de 9.000 socorristas acompanhados pelo programa morreram desde os ataques, embora as autoridades ressaltem que nem todas essas mortes podem ser diretamente atribuídas ao 11 de Setembro.

Outra estimativa divulgada nesta semana aponta que mais de 9.400 pessoas morreram posteriormente em decorrência de doenças relacionadas aos ataques, segundo o programa federal de assistência médica aos afetados.

Ataques mudaram a política internacional

O 11 de Setembro também marcou uma ruptura na política externa dos Estados Unidos.

Após os ataques, o governo americano iniciou a chamada Guerra ao Terror, que levou à invasão do Afeganistão e, posteriormente, à Guerra do Iraque.

A estrutura de segurança interna dos Estados Unidos também foi profundamente modificada. Procedimentos em aeroportos foram ampliados, novas medidas de inteligência foram implementadas e foi criado o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.

As consequências políticas e militares se estenderam por décadas e continuam sendo analisadas por historiadores e especialistas em relações internacionais.

Memória como instrumento de educação

Vinte e cinco anos depois, a discussão nos Estados Unidos já não envolve apenas lembrar as vítimas.

O desafio é explicar às novas gerações por que aquele dia mudou o país e o mundo.

Instituições americanas têm ampliado exposições, programas educativos e atividades voltadas a estudantes. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, por exemplo, mantém em 2026 uma exposição especial intitulada “Never Forget 9/11: 25 Year Later”, dedicada às vidas perdidas, à atuação dos socorristas e à resistência demonstrada após os ataques.

A exposição reúne objetos e informações relacionadas às Torres Gêmeas, ao ataque contra o Pentágono e ao voo 93.

A preocupação central é evitar que o episódio se transforme apenas em uma data no calendário.

Um quarto de século depois

Os 25 anos do 11 de Setembro representam um momento simbólico para os Estados Unidos.

A geração que testemunhou os ataques envelheceu. Muitos dos que participaram dos trabalhos de resgate já morreram. E milhões de americanos que hoje visitam o memorial nasceram depois da queda das Torres Gêmeas.

Mesmo assim, a dimensão do acontecimento permanece presente.

Os nomes gravados no memorial, os relatos dos sobreviventes, as histórias das famílias e as consequências de saúde entre socorristas continuam funcionando como registros de um episódio que alterou profundamente a sociedade americana.

A partir de agora, a preservação dessa memória dependerá cada vez mais da capacidade de transmitir a história para quem não estava vivo — ou não tinha idade para compreender — o que aconteceu naquela manhã de setembro de 2001.

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