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Água começa a voltar em Porto Alegre

Obra do DMAE no Sistema São João foi concluída, mas a normalização do abastecimento ocorre de forma gradual; cerca de 150 mil moradores das áreas mais altas e distantes da rede podem ter que esperar até a madrugada deste sábado (26).

O abastecimento de água começa a ser retomado gradualmente em Porto Alegre após a conclusão de uma etapa das obras de ampliação do Sistema de Abastecimento de Água São João, realizada pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE).

A retomada começou na madrugada desta sexta-feira (25), mas a água não volta ao mesmo tempo para todos os bairros. Moradores de regiões mais próximas da rede tendem a perceber o retorno primeiro, enquanto áreas mais altas e localizadas nas pontas do sistema podem continuar sem abastecimento ou com baixa pressão até a madrugada de sábado (26).

Segundo o DMAE, aproximadamente 150 mil pessoas estão em regiões que devem enfrentar maior demora na recomposição do abastecimento. O Morro Santana está entre as áreas que devem ter o retorno mais tardio, devido à altitude e à distância em relação aos pontos de distribuição.

Obra envolveu nova adutora

A intervenção faz parte de um projeto maior de ampliação do Sistema São João, responsável pelo abastecimento de mais de 600 mil pessoas nas zonas Norte e Leste da Capital.

Nesta etapa, o DMAE realizou a conexão de uma nova adutora de recalque da Estação de Bombeamento de Água Tratada (Ebat) Ouro Preto à rede já existente.

A tubulação possui mais de quatro quilômetros de extensão e 900 milímetros de diâmetro. Ela conecta a unidade operacional ao Reservatório Costa e Silva, permitindo transportar um volume maior de água tratada sob pressão para os sistemas de reservação e distribuição.

A nova estrutura foi projetada para aumentar a capacidade de transferência de água e melhorar o desempenho do sistema, especialmente nas áreas mais altas e afastadas.

Na prática, a adutora funciona como uma espécie de corredor de grande capacidade para o transporte de água tratada.

Quatro pontos receberam intervenções

A ligação da nova adutora foi realizada simultaneamente em quatro pontos de Porto Alegre:

  • Avenida Sertório;
  • Avenida Dante Angelo Pilla;
  • Avenida General Raphael Zippin;
  • Rua Ouro Preto.

As intervenções exigiram a abertura de valas e mobilização de equipes em diferentes locais.

O trabalho provocou impactos temporários no trânsito e no abastecimento. A orientação aos motoristas é redobrar a atenção ao passar pelos pontos onde há equipes trabalhando e sinalização de obra.

Por que a água demora mais em alguns bairros?

Mesmo depois que as estações voltam a operar, a água precisa percorrer toda a rede até chegar aos imóveis.

Por isso, moradores próximos aos reservatórios e às principais linhas de distribuição tendem a ter o abastecimento restabelecido antes.

Já as áreas localizadas em regiões mais altas ou nas pontas da rede dependem de um período maior para que a pressão seja recomposta.

Esse é o motivo pelo qual bairros podem apresentar situações diferentes dentro de uma mesma região: enquanto algumas ruas já têm água, outras ainda podem permanecer sem abastecimento.

Segundo o DMAE, essa recuperação gradual é esperada e pode avançar durante toda a sexta-feira e chegar à madrugada de sábado.

Morro Santana deve ser uma das últimas regiões

O Morro Santana deve estar entre as regiões com maior demora no retorno da água.

A localização elevada e a distância em relação aos pontos de entrada do sistema fazem com que a recuperação da pressão seja mais lenta.

Moradores dessas áreas devem evitar interpretar a ausência de água imediatamente após a retomada das estações como uma nova falha no sistema.

A orientação é aguardar a recomposição gradual da rede e acompanhar as atualizações do DMAE.

34 bairros são atendidos pelo Sistema São João

A intervenção afeta, total ou parcialmente, 34 bairros de Porto Alegre.

São eles:

  1. Anchieta
  2. Auxiliadora
  3. Boa Vista
  4. Chácara das Pedras
  5. Costa e Silva
  6. Cristo Redentor
  7. Farrapos
  8. Floresta
  9. Higienópolis
  10. Humaitá
  11. Jardim Carvalho
  12. Jardim Europa
  13. Jardim Floresta
  14. Jardim Lindóia
  15. Jardim Itu
  16. Jardim Sabará
  17. Jardim Leopoldina
  18. Jardim São Pedro
  19. Mário Quintana
  20. Morro Santana
  21. Navegantes
  22. Parque Santa Fé
  23. Passo da Areia
  24. Passo das Pedras
  25. Rubem Berta
  26. Santa Maria Goretti
  27. Santa Rosa de Lima
  28. São Geraldo
  29. São João
  30. São Sebastião
  31. Sarandi
  32. Três Figueiras
  33. Vila Ipiranga
  34. Vila Jardim.

O impacto, entretanto, não é necessariamente igual em todos os imóveis desses bairros, já que o sistema abastece determinadas regiões de maneira total e outras parcialmente.

Estações Sarandi, Baltazar de Bem e Manoel Elias

Entre os pontos que exigem maior atenção estão as regiões abastecidas pelas estações de bombeamento Sarandi, Baltazar de Bem e Manoel Elias.

São justamente áreas nas quais a distância e a altitude podem fazer com que o retorno da água ocorra posteriormente.

A estimativa divulgada pelo DMAE é de que aproximadamente 150 mil moradores dessas regiões tenham que aguardar até a madrugada de sábado para uma normalização mais completa.

Caminhões-pipa atendem serviços essenciais

Durante o período de recuperação do abastecimento, o DMAE mantém uma operação com caminhões-pipa.

A prioridade é atender estabelecimentos considerados essenciais, como:

  • hospitais;
  • postos e unidades de saúde;
  • escolas;
  • casas de repouso.

Os pedidos podem ser encaminhados às subprefeituras, e outras solicitações serão atendidas conforme a disponibilidade das equipes.

A medida busca reduzir os impactos da interrupção enquanto a rede recupera os níveis de pressão e abastecimento.

Reservatório Costa e Silva também passa por manutenção

O DMAE aproveitou a paralisação programada para executar outros serviços no sistema.

Entre eles está a manutenção do Reservatório Costa e Silva, que possui capacidade para armazenar aproximadamente 10 milhões de litros de água.

Também foi realizada manutenção na tubulação de água filtrada da Estação de Tratamento de Água São João e a substituição de um registro localizado no Jardim Leopoldina.

A estratégia permite concentrar diferentes trabalhos durante uma mesma parada operacional, reduzindo a necessidade de novas interrupções futuras.

Investimento chega a R$ 87 milhões

A ampliação do Sistema São João integra um projeto com investimento de aproximadamente R$ 87 milhões.

Além da nova adutora de recalque ligada nesta etapa, o projeto contempla outras obras destinadas a ampliar a capacidade de distribuição de água.

Entre as intervenções estão uma nova adutora de sucção na região da Ebat Ouro Preto e trabalhos semelhantes na área atendida pela Ebat Sarandi.

Também está prevista a construção de uma nova estação de bombeamento e de um novo reservatório.

Obra busca preparar Porto Alegre para períodos de maior consumo

A ampliação do sistema também está relacionada ao planejamento do abastecimento para os períodos de maior demanda.

Durante o verão, o consumo de água tende a aumentar, especialmente em dias de temperaturas elevadas.

A melhoria da infraestrutura busca aumentar a capacidade de transferência de água entre as unidades e reduzir limitações existentes em regiões mais altas e distantes.

Segundo o DMAE, quando a nova estrutura estiver plenamente integrada ao sistema, haverá maior capacidade de transferência de água para as áreas atendidas.

A nova adutora ainda passará por procedimentos antes da operação plena

Embora a ligação física da nova tubulação tenha sido realizada, a estrutura não entra necessariamente em operação plena de forma instantânea.

O DMAE informou que os registros serão abertos gradualmente para a realização dos procedimentos sanitários necessários antes de a adutora começar a operar integralmente.

Esses procedimentos não devem provocar uma nova interrupção de abastecimento para a população.

O que o morador deve fazer

Para quem ainda está sem água, a principal orientação é considerar que a normalização será gradual.

Moradores das áreas mais altas e distantes podem precisar aguardar mais tempo, mesmo depois que outras regiões próximas já tenham recuperado o abastecimento.

Enquanto isso, é recomendável:

  • economizar a água armazenada;
  • priorizar consumo, alimentação e higiene;
  • evitar desperdícios;
  • acompanhar os comunicados do DMAE;
  • não descartar água de reservatórios imediatamente após o retorno;
  • verificar se há pressão suficiente antes de utilizar equipamentos que dependam de abastecimento contínuo.

Em caso de falta persistente após o período previsto de normalização, o morador deve registrar a ocorrência junto aos canais oficiais do DMAE.

Retorno deve ocorrer até sábado

A previsão oficial é que a maior parte do abastecimento seja recomposta ao longo desta sexta-feira (25).

Nas regiões mais distantes e elevadas, entretanto, o processo pode avançar até a madrugada de sábado (26).

A diferença de horário entre os bairros está diretamente relacionada à posição de cada região dentro da rede de distribuição.

Portanto, a conclusão da obra não significa que todos os imóveis terão água imediatamente.

Resumo da situação

600 mil+ — população atendida pelo Sistema São João.

34 bairros — regiões abastecidas total ou parcialmente pelo sistema.

150 mil — aproximadamente o número de moradores das áreas que podem enfrentar maior demora no retorno.

4 km+ — extensão da nova adutora.

900 mm — diâmetro da tubulação.

R$ 87 milhões — investimento previsto na ampliação do Sistema São João.

10 milhões de litros — capacidade do Reservatório Costa e Silva.

26 de setembro — madrugada prevista para a normalização nas áreas mais distantes.

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