Um morador procurou o Portal MPV para relatar uma tentativa de golpe envolvendo um processo judicial em andamento e a utilização indevida da identidade de um advogado.
Segundo o denunciante, um criminoso entrou em contato por meio de um número de telefone diferente do utilizado normalmente pelo advogado responsável por seu caso, mas utilizando a fotografia e a identidade profissional do advogado no perfil do aplicativo de mensagens.
A abordagem chamou a atenção porque o criminoso demonstrava ter conhecimento de informações relacionadas ao processo judicial da vítima.
Criminoso teria utilizado informações reais do processo
De acordo com o relato encaminhado ao MPV, o suspeito enviou imagens e informações relacionadas ao processo, incluindo dados que, segundo a vítima, conferiam aparência de legitimidade à abordagem.
O criminoso teria informado que seria necessário participar de uma suposta audiência por videochamada. Para aumentar a credibilidade da abordagem, também teria apresentado a identidade de uma pessoa que se passava por integrante do Judiciário.
A vítima chegou a acessar o link indicado durante a tentativa de fraude, mas percebeu inconsistências na conversa.
Segundo o relato, o processo já apresentava informações relacionadas à liberação de valores por meio de alvará, o que levantou suspeitas sobre a necessidade de uma nova audiência para viabilizar o pagamento.
A situação ficou ainda mais suspeita quando o interlocutor passou a solicitar informações bancárias e outros dados pessoais.
Diante da desconfiança, a vítima encerrou o contato e não forneceu os dados solicitados.

Advogado verdadeiro teria sido avisado
Após perceber que sua identidade estava sendo utilizada, a vítima afirma ter entrado em contato com o advogado verdadeiro, que teria sido informado sobre a utilização indevida de sua fotografia e identidade.
O denunciante também afirmou que o número utilizado pelo suspeito não correspondia ao telefone utilizado pelo profissional.
Segundo o relato, posteriormente a fotografia do perfil utilizado pelo criminoso também foi alterada.
O caso foi registrado por meio da Delegacia Online, segundo comprovante apresentado à reportagem do MPV.
Golpe do falso advogado preocupa autoridades
A situação relatada não é isolada. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já alertou para o chamado golpe do falso advogado, no qual criminosos utilizam informações de processos judiciais e identidades profissionais para convencer vítimas de que estão falando com seus próprios advogados ou com representantes do Judiciário.
Em março de 2026, o CNJ informou que sua Ouvidoria havia recebido 88 denúncias relacionadas ao golpe do falso advogado desde maio de 2025, sendo 14 delas registradas nos primeiros meses de 2026.
O órgão também apontou que parte das denúncias envolve questionamentos relacionados à segurança das informações disponíveis nos sistemas de processos judiciais.

STJ já analisou caso envolvendo uso indevido de identidade
O Superior Tribunal de Justiça também já analisou situação envolvendo o uso indevido de imagem e dados profissionais de um advogado por terceiros para aplicação de golpes.
Em decisão divulgada em 2026, o tribunal tratou especificamente de fraude praticada por terceiros mediante falsificação da identidade profissional em aplicativos de mensagens.
O caso analisado pelo STJ demonstra que a utilização de nome, fotografia e informações profissionais de um advogado pode fazer parte da estratégia utilizada por criminosos para conferir aparência de autenticidade às abordagens.
Como o golpe costuma funcionar
A estratégia utilizada nesse tipo de fraude pode envolver várias etapas.
Primeiro, o criminoso obtém informações sobre um processo judicial. Em seguida, utiliza o nome e a fotografia de um advogado relacionado ao caso para entrar em contato com a vítima.
Depois, apresenta informações verdadeiras ou aparentemente verdadeiras sobre o processo, aumentando a confiança da pessoa.
A partir daí, o criminoso pode alegar que houve liberação de valores, necessidade de pagamento de taxas ou realização de algum procedimento para liberar dinheiro.
O objetivo final costuma ser obter transferências bancárias, dados financeiros ou informações pessoais.
O CNJ já alertou que criminosos podem utilizar dados de processos para conferir credibilidade às abordagens.

O que fazer diante de uma abordagem suspeita
Especialistas e órgãos do Judiciário recomendam que qualquer pessoa que receba uma mensagem suspeita relacionada a processos judiciais confirme diretamente a informação com seu advogado por meio de um canal de contato já conhecido, e não pelo telefone ou link enviado pelo próprio suspeito.
Também é importante não realizar pagamentos nem fornecer senhas, códigos de autenticação ou informações bancárias antes de confirmar a legitimidade da solicitação.
O STJ, por exemplo, alerta que não solicita senhas ou dados pessoais por contatos não provocados e orienta que pedidos de dinheiro relacionados a processos sejam tratados com desconfiança.
Em caso de tentativa de fraude, a orientação é preservar as mensagens, números de telefone, links, documentos e demais evidências e registrar ocorrência policial.
MPV preserva dados pessoais da vítima
Por envolver informações relacionadas a processo judicial e dados pessoais, o Portal MPV não divulgará documentos ou imagens contendo CPF, telefone, endereço, dados bancários, número completo de processo ou outras informações que possam expor a vítima.
Os registros poderão ser utilizados pela reportagem para demonstrar como funciona a tentativa de fraude, sempre com a ocultação dos dados que não sejam necessários à compreensão do caso.
A reportagem também diferencia o advogado, cuja imagem teria sido utilizada indevidamente, do autor da fraude. Não há, até o momento, elemento que indique participação do profissional verdadeiro na tentativa de golpe.
O caso relatado à reportagem permanece sob apuração das autoridades competentes.

Alerta aos leitores
Quem possui processo judicial e recebe uma mensagem informando sobre liberação de valores deve desconfiar de contatos inesperados, especialmente quando houver pedido de dinheiro, dados bancários ou acesso a links.
Antes de qualquer procedimento, confirme diretamente com o advogado responsável pelo processo e utilize canais oficiais do Poder Judiciário.
Em caso de suspeita de fraude, preserve as provas e registre ocorrência policial.










