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Voto poderá valer como prova de vida

Aposentados e pensionistas do Previmpa que ainda não realizaram a prova de vida em 2026 poderão ter o procedimento validado a partir de informações fornecidas pela Justiça Eleitoral.

A participação nas eleições de 2026 poderá ajudar aposentados e pensionistas vinculados ao Previmpa (Departamento Municipal de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Porto Alegre) a regularizar a prova de vida. A medida prevê o aproveitamento de informações produzidas pela Justiça Eleitoral para confirmar a situação dos segurados, reduzindo a necessidade de procedimentos adicionais.

A iniciativa foi divulgada nesta quarta-feira (30) e será aplicada aos segurados que ainda não realizaram a prova de vida ao longo de 2026. O mecanismo também poderá ser utilizado para os aniversariantes do primeiro trimestre de 2027, conforme os critérios estabelecidos pelo Previmpa.

A medida representa mais uma etapa da digitalização e integração de serviços públicos, utilizando informações que já são registradas durante o processo eleitoral.

Como funcionará a validação

O procedimento será possível por meio do termo de cooperação técnica firmado entre o Previmpa e o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS). O acordo, que foi recentemente prorrogado, permite o intercâmbio de informações eleitorais para auxiliar na comprovação de vida dos segurados.

O cruzamento de dados levará em consideração as informações disponibilizadas pela Justiça Eleitoral sobre a situação do eleitor durante o período eleitoral.

Um ponto importante é que o mecanismo não ficará limitado exclusivamente ao voto. Conforme as regras divulgadas pelo Previmpa, poderão ser considerados também os registros relacionados à justificativa de ausência.

Dessa forma, dependendo dos critérios previstos no acordo, tanto o comparecimento às urnas quanto a justificativa de ausência poderão fornecer informações utilizadas na validação da prova de vida.

Quais dados serão compartilhados

Para realizar o cruzamento das informações, o Previmpa encaminhará ao TRE-RS os dados necessários para identificar os segurados.

Entre as informações utilizadas estão:

  • Nome;
  • Número do título eleitoral;
  • Data de nascimento;
  • Nome da mãe.

A Justiça Eleitoral, por sua vez, disponibilizará ao Previmpa informações relacionadas à situação eleitoral do segurado, incluindo comparecimento, ausência justificada ou abstenção, conforme as informações previstas no acordo de cooperação.

O objetivo é permitir que o instituto municipal consiga identificar registros que possam comprovar a existência de movimentação recente do beneficiário, sem exigir que ele realize uma etapa adicional exclusivamente para essa finalidade.

Medida busca reduzir burocracia

A prova de vida é utilizada pelos regimes previdenciários para confirmar que o beneficiário continua vivo e, consequentemente, evitar pagamentos indevidos.

No caso do Previmpa, o aproveitamento de informações eleitorais busca facilitar o processo para aposentados e pensionistas, especialmente aqueles que poderiam enfrentar dificuldades para realizar procedimentos presenciais.

Segundo o diretor-presidente do Previmpa, César Sulzbach, a utilização de informações já produzidas durante o exercício da cidadania faz parte de uma estratégia de simplificação dos serviços.

A proposta é aproveitar bases de dados oficiais já existentes para reduzir etapas e tornar o processo mais acessível aos segurados.

Proteção de dados

O compartilhamento das informações entre o Previmpa e o TRE-RS seguirá as regras previstas no termo de cooperação técnica e na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

Isso significa que os dados não serão utilizados de forma livre ou para qualquer finalidade. O intercâmbio está vinculado aos objetivos estabelecidos na parceria entre as instituições.

A utilização de bases eleitorais por órgãos públicos também está submetida às regras da Justiça Eleitoral. O TSE informa que o acesso de órgãos públicos às informações de seus sistemas deve observar finalidade institucional, necessidade para prestação de serviço público ou desenvolvimento de política pública e as normas de proteção de dados.

Regra também vale para beneficiários do INSS

A utilização do comparecimento eleitoral como mecanismo de comprovação de vida não se limita ao sistema previdenciário municipal de Porto Alegre.

Para as eleições de 2026, o próprio INSS confirmou que o comparecimento às urnas poderá ser utilizado no processo automático de prova de vida de aposentados, pensionistas e beneficiários de outros benefícios previdenciários e assistenciais.

Segundo o Instituto, os dados da Justiça Eleitoral serão cruzados com as informações mantidas pelo INSS. Dessa maneira, o beneficiário que tiver seu comparecimento identificado não precisará realizar outro procedimento especificamente para comprovar que está vivo.

Atualmente, a prova de vida do INSS é realizada prioritariamente por meio do cruzamento automático de diferentes bases de dados. O procedimento alcança cerca de 40 milhões de beneficiários ativos, considerando aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais.

Quem não votar terá o benefício bloqueado?

Não.

No caso do INSS, o Tribunal Superior Eleitoral esclareceu que a ausência às urnas não provoca, por si só, o bloqueio do benefício.

O instituto continuará procurando outros registros que possam comprovar a vida do beneficiário. Entre essas informações estão atendimentos realizados, emissão de documentos e outras movimentações registradas em bases governamentais.

Somente quando não houver informações suficientes para confirmar a situação do beneficiário é que poderá ser necessária uma regularização específica.

Para os segurados do Previmpa, a utilização das informações eleitorais seguirá os critérios estabelecidos no acordo firmado entre o órgão municipal e o TRE-RS.

Experiência já utilizada pelo INSS

O cruzamento entre dados eleitorais e previdenciários não é totalmente novo.

Segundo o INSS, nas eleições de 2024 foram identificados registros eleitorais relacionados a 20.957.288 beneficiários. Desse total, aproximadamente 5 milhões de provas de vida foram atualizadas a partir dessas informações.

A utilização dos dados eleitorais faz parte de uma mudança no modelo de prova de vida, que deixou de depender prioritariamente do comparecimento presencial do beneficiário.

A legislação e as normas administrativas passaram a permitir que o próprio poder público procure informações capazes de confirmar a existência do cidadão em diferentes bases de dados.

O que o segurado do Previmpa precisa fazer

Para os beneficiários do Previmpa que ainda não fizeram a prova de vida de 2026, a principal orientação é acompanhar as comunicações oficiais do órgão.

A validação a partir dos dados eleitorais será realizada por meio do cruzamento de informações entre as instituições. Portanto, não há indicação de que o segurado precise levar um comprovante de votação ao Previmpa apenas para que os dados sejam utilizados.

A medida também alcança, dentro dos critérios definidos pelo órgão, os aniversariantes do primeiro trimestre de 2027.

A iniciativa busca justamente aproveitar informações que já estarão disponíveis nos sistemas públicos, evitando que o beneficiário precise realizar procedimentos duplicados.

Eleições de 2026

O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro. Caso haja necessidade de segundo turno, a votação ocorrerá em 25 de outubro.

Para os beneficiários do INSS, o registro do comparecimento eleitoral poderá ser utilizado na prova de vida. No caso do Previmpa, a utilização dos dados decorre da cooperação específica mantida com o TRE-RS.

A mudança reforça uma tendência de integração entre diferentes órgãos públicos, com utilização de bases de dados para reduzir burocracia e facilitar o acesso dos cidadãos aos serviços.

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