O nível do Guaíba continua recuando na Ilha da Pintada, no bairro Arquipélago, em Porto Alegre, após os dias de elevação que provocaram alagamentos em diferentes pontos da região. Na manhã desta segunda-feira (5), a medição registrada às 9h25min apontou 1,92 metro, uma redução de 10 centímetros em relação à medição anterior.
Apesar da queda, o cenário ainda exige atenção. Algumas ruas permanecem com trechos alagados e, em determinados pontos, a circulação de veículos continua prejudicada. A Defesa Civil mantém o acompanhamento da situação e orienta os moradores a permanecerem atentos às condições locais e aos comunicados oficiais.
Guaíba apresenta queda desde sexta-feira
A redução do nível do Guaíba na Ilha da Pintada vem sendo observada desde sexta-feira (2).
O recuo mais expressivo ocorreu no sábado (3). Em um intervalo de aproximadamente 12 horas, o nível baixou 25 centímetros, representando uma melhora significativa para os moradores que enfrentaram dias de alagamento.
No sábado pela manhã, a régua de medição indicava 2,01 metros, cerca de 25 centímetros abaixo do registro realizado na manhã anterior. Mesmo com a diminuição, algumas vias continuavam parcialmente cobertas pela água.
Na segunda-feira, a marca chegou a 1,92 metro.
A sequência das medições mostra uma tendência de queda, mas ainda não significa que todos os impactos provocados pela elevação tenham desaparecido.

Moradores ainda enfrentam ruas alagadas
Na Rua Nossa Senhora da Boa Viagem, uma das áreas afetadas pela elevação do Guaíba, ainda existem pontos com água.
O cenário dificulta a circulação de pedestres e veículos. Em alguns trechos, moradores precisam utilizar alternativas para entrar ou sair de suas residências.
A situação também interfere na rotina de quem trabalha ou possui estabelecimentos comerciais na região.
Moradores relatam que a elevação da água provocou transtornos durante os últimos dias, com ruas parcialmente bloqueadas e dificuldades de deslocamento.
Moradores convivem com alagamentos frequentes
A recorrência dos alagamentos é uma das principais preocupações de quem vive na região das Ilhas.
Moradores ouvidos pelo Correio do Povo relatam que o problema se tornou cada vez mais frequente nos últimos anos.
O morador Daniel Portilla, de 64 anos, que vive há 22 anos na região, afirmou que os alagamentos pioraram desde 2023 e que episódios de chuva passaram a provocar a entrada de água nas ruas com maior frequência.
A realidade faz com que algumas famílias mantenham estratégias próprias para enfrentar eventuais elevações do nível do Guaíba.
Portilla, por exemplo, mantém um barco que já foi utilizado como refúgio durante outras inundações. Segundo o morador, a embarcação possui estrutura para servir como apoio em situações de emergência.

Ilha Grande dos Marinheiros tem melhora
Enquanto a Ilha da Pintada ainda apresenta pontos com água, a situação na Ilha Grande dos Marinheiros apresentou uma melhora mais significativa.
Segundo a Defesa Civil, a água já havia recuado completamente das ruas da região.
A diferença entre as áreas mostra que os efeitos da elevação do Guaíba não são uniformes. A topografia e a localização de cada trecho influenciam diretamente na velocidade de escoamento e na permanência da água.
Guaíba chegou próximo da cota de inundação
A elevação registrada no início de outubro chamou atenção das autoridades.
Na quinta-feira (1º), o nível do Guaíba na Ilha da Pintada chegou a 2,16 metros, próximo da cota de inundação de 2,20 metros indicada para o local.
A elevação provocou bloqueios em ruas e levou a Defesa Civil a intensificar o monitoramento da região.
Na madrugada de sexta-feira (2), o nível chegou a 2,26 metros, ultrapassando a cota de alerta para inundação na Ilha da Pintada. A Rua Nossa Senhora da Boa Viagem ficou alagada.
Com a sequência de quedas observada desde então, a situação apresentou melhora, embora ainda existam áreas afetadas.

Cais Mauá também registra redução
A queda não ocorreu somente na Ilha da Pintada.
Em Porto Alegre, a medição no Cais Mauá, na região central, também apresentou redução. Nesta segunda-feira, o nível passou de 2,20 metros para 2,13 metros, uma queda de sete centímetros.
Os dados indicam uma tendência de recuo do Guaíba na Capital, mas a situação hidrológica do Estado permanece complexa, com diversos rios ainda apresentando níveis elevados.
Interior do Estado ainda enfrenta enchentes
Enquanto o Guaíba recua em Porto Alegre, outras regiões do Rio Grande do Sul continuam enfrentando problemas provocados pela elevação dos rios.
Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira, havia 447 pessoas fora de casa no Estado, entre desalojados e desabrigados.
A situação mais grave estava concentrada em Alegrete, onde 251 pessoas estavam fora de suas residências. O Rio Ibirapuitã permanecia acima da cota de inundação, embora com previsão de declínio.
Também havia pessoas fora de casa em Eldorado do Sul, Cachoeira do Sul, São Borja, Rosário do Sul e Manoel Viana.
O cenário demonstra que, apesar da melhora observada no Guaíba, o sistema de rios que influencia a região ainda apresenta pontos de atenção.

Defesa Civil mantém monitoramento
A Defesa Civil de Porto Alegre continua acompanhando o comportamento do Guaíba e das áreas próximas.
Mesmo com o recuo, o órgão reforça que a população deve continuar acompanhando os alertas e evitar áreas que ainda apresentem risco de alagamento.
A recomendação é especialmente importante para moradores das regiões mais baixas das ilhas e de outras áreas próximas às margens do Guaíba.
A redução do nível não significa, necessariamente, que o risco desapareceu imediatamente. Ruas podem continuar com água mesmo depois que a régua começa a registrar queda.
Alerta continua para quem vive em áreas de risco
A orientação das autoridades é que moradores permaneçam atentos às condições de suas ruas e não tentem atravessar pontos alagados quando houver risco.
Veículos também podem ficar presos em áreas onde a profundidade da água é difícil de avaliar.
Em situações de emergência, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193.
A recomendação é acompanhar os canais oficiais antes de tomar decisões relacionadas a deslocamento ou retorno para imóveis atingidos.

Tendência é de melhora, mas cenário exige cautela
A queda de 2,26 metros para 1,92 metro na Ilha da Pintada representa uma redução importante em poucos dias.
Ainda assim, a recuperação completa da região depende não apenas da queda do nível do Guaíba, mas também do escoamento da água acumulada nas ruas e áreas mais baixas.
A situação deve continuar sendo monitorada nos próximos dias, especialmente diante da possibilidade de novas chuvas no Rio Grande do Sul.
Para os moradores da Ilha da Pintada, a redução representa um sinal positivo depois de dias de transtornos, mas a rotina ainda não voltou completamente ao normal.
Enquanto algumas áreas já estão livres da água, outros pontos permanecem com dificuldades de circulação.










