Redução no número de vigias gera preocupação entre lojistas e trabalhadores do terminal. Veppo e empresa de segurança divergem sobre os motivos da diminuição do efetivo, enquanto a Brigada Militar afirma que não houve aumento nos registros de furtos e roubos.
Comerciantes da Estação Rodoviária de Porto Alegre relatam preocupação com abordagens insistentes a passageiros e trabalhadores, além de episódios de furtos e tentativas de furto dentro do terminal. Os relatos foram divulgados nesta quarta-feira (14) e ocorrem em meio à redução do número de vigias que atuam no local, um dos principais pontos de chegada e saída de passageiros da Capital.
Segundo comerciantes ouvidos pela reportagem de GZH, pessoas que pedem dinheiro circulam pelas áreas de embarque, desembarque e comércio, provocando situações consideradas constrangedoras por parte de quem trabalha ou utiliza o terminal. Os lojistas também relatam prejuízos relacionados a furtos de mercadorias e tentativas de subtração de produtos.
A situação levantou questionamentos sobre a estrutura de segurança da rodoviária, especialmente após a diminuição do efetivo de vigilância privada. A empresa Unnisat, responsável pela prestação desse serviço, confirmou a redução do número de profissionais.
O caso também envolve uma divergência entre a prestadora de segurança e a administração do condomínio responsável pelo terminal, representada pela Veppo. As empresas apresentam versões diferentes sobre os motivos que levaram à redução do efetivo e à suspensão de pagamentos.
Comerciantes relatam abordagens e tentativas de furto
Trabalhadores de estabelecimentos comerciais instalados na rodoviária afirmam que as abordagens de pessoas pedindo dinheiro se intensificaram nos últimos dias.
Leandro de Sousa Alves, encarregado do restaurante Passarinho, relatou que as situações provocam desconforto entre funcionários e passageiros. Ele também mencionou uma tentativa de furto no estabelecimento, ocorrida aproximadamente duas semanas antes da entrevista.
Segundo o comerciante, a redução no número de vigias dificulta o acompanhamento de toda a área do terminal, que recebe diariamente passageiros, trabalhadores, motoristas e pessoas que circulam pelo entorno.
Marcelo Patrício, outro comerciante ouvido pela reportagem, também relatou aumento nas abordagens e afirmou que já houve furtos e tentativas de subtração de mercadorias.
Os relatos indicam preocupação com a prevenção de ocorrências e com a capacidade de resposta diante de situações suspeitas. Entretanto, as declarações dos comerciantes não significam que todas as pessoas que pedem dinheiro estejam envolvidas em furtos ou outros crimes.
A situação exige distinguir os relatos de segurança pública das questões sociais relacionadas à população em situação de rua, que demandam respostas específicas do poder público.

Número de vigias caiu, segundo empresa de segurança
A Unnisat informou que atualmente mantém um vigia durante o dia e outro à noite na Estação Rodoviária de Porto Alegre.
De acordo com a empresa, o efetivo já chegou a seis profissionais durante o dia e quatro no período noturno. A redução representa uma mudança significativa na quantidade de trabalhadores disponíveis para acompanhar as diferentes áreas do terminal.
A prestadora atribuiu a diminuição da equipe à falta de repasses financeiros por parte do Condomínio Estação Rodoviária Central, responsável pela contratação do serviço.
A redução do efetivo tornou-se motivo de preocupação para comerciantes, que afirmam perceber maior dificuldade no acompanhamento da movimentação e na prevenção de furtos.
A segurança de um terminal rodoviário envolve desafios específicos, como o fluxo contínuo de passageiros, a circulação de bagagens e mercadorias e a presença de pessoas que permanecem no local por diferentes motivos.
Veppo contesta versão sobre os pagamentos
A Veppo, responsável pela administração do Condomínio Estação Rodoviária Central, apresentou uma versão diferente sobre a suspensão dos pagamentos à Unnisat.
Segundo a administradora, os repasses são realizados em três parcelas mensais, nos dias 5, 15 e 25 do mês seguinte ao período de prestação do serviço.
A empresa afirma que as parcelas com vencimento em 25 de setembro e 5 de outubro foram suspensas porque a prestadora não teria apresentado toda a documentação exigida em contrato.
Entre os documentos solicitados estariam comprovantes de pagamento dos funcionários, relação dos profissionais alocados na rodoviária e escalas de trabalho.
A Veppo também informou que, durante uma assembleia realizada em 29 de setembro, condôminos apresentaram reclamações sobre a qualidade do serviço, o número de vigias disponibilizados e o preparo dos profissionais para exercer a função.
Conforme a administradora, a prestadora foi notificada para apresentar a documentação pendente, sob pena de suspensão dos pagamentos. A Veppo sustenta que a medida foi adotada em razão do descumprimento das exigências contratuais, e não por um atraso injustificado nos repasses.
Diante da redução do efetivo, o condomínio solicitou reforço aos órgãos de segurança pública para ampliar a presença de agentes no terminal.

Brigada Militar afirma que não houve aumento nos registros de crimes
Apesar das reclamações dos comerciantes, a Brigada Militar informou que os registros consultados não indicam aumento no número de roubos e furtos na região da rodoviária.
O coronel Costa Limeira, comandante do Comando de Polícia Militar da Capital, afirmou que a área conta com um posto policial fixo, ocupado na maior parte do tempo, além de policiamento realizado com bicicletas.
Em nota, o comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Fabrício Rocha da Silveira, informou que a corporação mantém policiamento ostensivo na região, com ações preventivas e atuação direcionada às demandas identificadas.
A Brigada Militar também orientou que situações que possam comprometer a segurança sejam comunicadas pelo telefone 190, permitindo que as ocorrências sejam avaliadas e encaminhadas para as providências cabíveis.
A ausência de aumento nos registros oficiais, segundo a corporação, não invalida os relatos individuais dos comerciantes. Os dados apresentados pela polícia e as experiências relatadas pelos trabalhadores representam informações diferentes, que precisam ser consideradas em seus respectivos contextos.
Registrar as ocorrências é importante para que as autoridades tenham informações documentadas sobre os casos e possam avaliar eventuais mudanças no cenário de segurança.
Guarda Municipal realiza abordagens na região
A Guarda Municipal de Porto Alegre também atua na área da rodoviária. Segundo o subcomandante Marcos Lucas, as equipes realizam abordagens diariamente na região.
A presença da Guarda Municipal integra as ações de prevenção e ordenamento urbano em um espaço de grande circulação de pessoas.
No início de outubro, a prefeitura também divulgou a realização da Operação Viagem Segura, com reforço de agentes para ampliar a presença preventiva e a resposta a eventuais ocorrências no terminal.
A atuação das forças de segurança é considerada importante para proteger passageiros, comerciantes e trabalhadores, especialmente em períodos de maior movimentação.

Problemas também atingem o entorno da rodoviária
As reclamações não se limitam ao interior do terminal. O vice-presidente da Associação dos Empresários da Estação Rodoviária de Porto Alegre (Aerpa), Diogo Bombassaro, relatou problemas nas áreas próximas, incluindo furtos de fios e de hidrômetros.
Segundo ele, a circulação de turistas e passageiros que chegam à Capital também torna o entorno um ponto de atenção, já que pessoas que pedem dinheiro podem permanecer nas proximidades e, em alguns casos, entrar na rodoviária.
O cenário reforça a necessidade de ações coordenadas entre administração do terminal, comerciantes, Brigada Militar, Guarda Municipal e demais órgãos públicos responsáveis pela segurança e pela assistência social.
A rodoviária funciona como uma das principais portas de entrada de Porto Alegre. Problemas de segurança e conservação em seu entorno podem afetar não apenas quem trabalha no local, mas também passageiros que chegam à cidade pela primeira vez.
Segurança pública e assistência social são desafios distintos
A presença de pessoas em situação de rua nas proximidades da rodoviária também envolve questões sociais, como falta de moradia, vulnerabilidade econômica e, em alguns casos, problemas relacionados à dependência química.
Essas situações exigem políticas públicas de assistência social e saúde, além da atuação das forças de segurança quando houver suspeita de crime ou risco à integridade das pessoas.
É importante não associar automaticamente a população em situação de rua à prática de furtos. A apuração de cada ocorrência deve considerar evidências e informações verificadas, sem generalizações sobre grupos vulneráveis.
Ao mesmo tempo, passageiros e comerciantes têm direito à segurança e podem comunicar abordagens ameaçadoras, furtos, danos ao patrimônio ou outras ocorrências aos órgãos competentes.

O que passageiros e comerciantes podem fazer?
Quem presenciar um furto, uma ameaça ou outra situação de risco deve procurar as autoridades responsáveis e, quando necessário, acionar a Brigada Militar pelo telefone 190.
Em caso de furto ou tentativa de furto, o registro formal da ocorrência contribui para documentar o fato e permite que as autoridades avaliem a necessidade de novas medidas.
Passageiros também devem manter bolsas, documentos, celulares e outros objetos pessoais sob vigilância, principalmente em áreas movimentadas e durante o embarque e desembarque.
Os comerciantes, por sua vez, podem comunicar ocorrências à administração do terminal e às forças de segurança, fornecendo informações que auxiliem na apuração dos casos.
Situação coloca a segurança do terminal em debate
As reclamações dos comerciantes da Rodoviária de Porto Alegre evidenciam uma preocupação com a redução da vigilância privada e com os episódios de furto relatados no local.
Enquanto a Unnisat atribui a diminuição do efetivo à suspensão de pagamentos, a Veppo afirma que a medida decorreu da falta de documentação contratual e de problemas na prestação do serviço. A Brigada Militar, por sua vez, informa que os dados consultados não apontam aumento nos registros de roubos e furtos.
O cenário mantém em debate a necessidade de garantir uma estrutura adequada de vigilância e de fortalecer a atuação preventiva das forças públicas, sem deixar de considerar as questões sociais presentes no entorno do terminal.
O Jornal MPV acompanha os problemas que afetam a mobilidade e a segurança em Porto Alegre e continuará atento a novas informações sobre as medidas adotadas para melhorar as condições de circulação na rodoviária.










