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Samu: trabalhadores denunciam demissões

Condutores de ambulância relataram problemas com equipamentos de proteção, depósitos do FGTS e verbas rescisórias durante manifestação na Avenida Ipiranga, em Porto Alegre.

Um protesto de profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) realizado nesta sexta-feira, 23 de outubro, na Avenida Ipiranga, em frente à sede administrativa do serviço, na região do Partenon, trouxe à tona relatos de trabalhadores sobre demissões, condições de trabalho, fornecimento de uniformes e possíveis irregularidades trabalhistas.

Durante a manifestação, condutores de ambulância fizeram declarações sobre situações que, segundo eles, vêm se repetindo ao longo dos anos, mesmo com as mudanças das empresas responsáveis pela prestação dos serviços. Os trabalhadores também relataram dificuldades para obter equipamentos adequados e questionaram a forma como foram tratados durante uma reunião com representantes da empresa.

Em depoimentos gravados pela equipe do Jornal MPV, um dos profissionais afirmou que foi demitido depois de cobrar respeito e solicitar o fornecimento de uniforme adequado. Outro trabalhador relatou problemas relacionados a depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e ao pagamento de verbas rescisórias em contratos anteriores.

Os relatos apresentados durante o ato colocam em discussão as condições oferecidas aos profissionais responsáveis pela condução de ambulâncias e pelo suporte às equipes de atendimento de urgência.

Trabalhador afirma que foi demitido após cobrar uniforme

Um dos condutores que participou da manifestação relatou que começou a trabalhar em abril, mas recebeu o uniforme somente em outubro, meses depois de iniciar as atividades.

Segundo o profissional, durante esse período precisou trabalhar com uma bota comprada por conta própria e utilizar peças de vestuário usadas, que anteriormente pertenciam a outros trabalhadores. Ele também afirmou que colegas chegaram a emprestar macacões impermeáveis para que pudesse trabalhar em dias de chuva.

O trabalhador declarou que não se opunha a utilizar equipamentos usados em situações emergenciais, mas considerava que o fornecimento de materiais adequados deveria fazer parte das obrigações relacionadas ao contrato de trabalho.

Em seu depoimento, ele afirmou que a solicitação de uniforme foi acompanhada de um pedido de respeito e que, posteriormente, acabou sendo demitido.

“Eu pedi respeito e fui demitido”, declarou durante o protesto.

O profissional também relatou que recebeu uma mensagem do setor de Recursos Humanos determinando a devolução dos uniformes até o meio-dia, sob a possibilidade de desconto no salário caso o prazo não fosse cumprido.

Segundo ele, respondeu que teria a mesma pressa para devolver os materiais que a empresa demonstrou para fornecê-los. O trabalhador afirmou ainda que recebeu o uniforme no mesmo dia em que precisava comparecer para assinar os documentos de rescisão contratual.

As circunstâncias da demissão e a eventual relação entre o desligamento e as cobranças feitas pelo profissional não foram comprovadas de forma independente pelo Jornal MPV.

Condutores denunciam problemas com FGTS e rescisões

Outro trabalhador que participou do protesto relatou dificuldades relacionadas a direitos trabalhistas durante os últimos anos de prestação de serviços no SAMU de Porto Alegre.

Segundo o depoimento gravado pelo Jornal MPV, o profissional afirma que procurou a gestão responsável pela frota para comunicar a ausência de depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). De acordo com ele, a reclamação teria sido feita aproximadamente seis anos atrás, mas não teria resultado em uma solução.

O trabalhador declarou que, ao longo de cerca de sete anos, houve quatro empresas responsáveis pelos serviços, mas os problemas relatados pelos profissionais continuariam sem resolução.

Ele também afirmou que trabalhadores desligados em contratos anteriores teriam enfrentado dificuldades para receber os valores de FGTS e as verbas rescisórias.

“Todos aqui têm família. Ninguém vem trabalhar porque é bonito”, declarou o profissional durante a manifestação.

As declarações apontam para a necessidade de verificar a situação individual dos trabalhadores, os extratos de FGTS, os documentos de rescisão e as responsabilidades de cada empresa envolvida nos contratos anteriores.

O Jornal MPV não teve acesso, até o momento, aos documentos trabalhistas necessários para confirmar individualmente as irregularidades relatadas.

Reunião com a empresa terminou em demissões, afirma trabalhador

Os profissionais também questionaram a condução de uma reunião realizada com representantes da empresa responsável pelos condutores de ambulância.

Segundo um dos manifestantes, o encontro teria sido solicitado para discutir ajustes nas condições de trabalho. Entretanto, de acordo com seu relato, a conversa terminou com demissões e um ambiente de confronto entre os participantes.

O trabalhador afirmou que a reunião durou aproximadamente 42 minutos e que, durante esse período, ele e outros colegas teriam sido submetidos a ofensas e declarações que consideraram desrespeitosas.

“Chegamos lá para conversar, para ajustar algumas coisas”, relatou.

O profissional disse ainda que pretende apresentar os acontecimentos ao advogado que representa os trabalhadores, para que os fatos sejam avaliados e, se necessário, incluídos em procedimentos judiciais.

As alegações sobre ofensas, a condução da reunião e os motivos dos desligamentos não foram verificadas de forma independente pela reportagem.

Trabalhadores relatam medo de novas demissões

Durante a manifestação, os condutores também demonstraram preocupação com possíveis represálias profissionais. Segundo um dos participantes, alguns colegas teriam receio de se posicionar publicamente por medo de perder o emprego.

O trabalhador destacou que a participação dos profissionais no protesto representava uma tentativa de tornar públicas situações que, segundo ele, vinham sendo discutidas internamente sem produzir os resultados esperados.

Os depoimentos também revelaram insatisfação com a forma como os trabalhadores se sentem tratados pela gestão e com a dificuldade de obter respostas para reivindicações relacionadas às condições de trabalho.

A manifestação reuniu profissionais, familiares e apoiadores, além de pessoas que se identificaram com as reivindicações apresentadas durante o ato.

Contrato do SAMU e fiscalização do serviço

A discussão ocorre em meio a questionamentos mais amplos sobre a gestão dos condutores de ambulância em Porto Alegre.

Informações publicadas anteriormente pela imprensa apontaram problemas na composição das escalas do SAMU e ausências de motoristas sem reposição. Reportagens também informaram que a empresa Gerir Hospitalar é responsável pelo fornecimento dos condutores por meio de contrato com a Prefeitura de Porto Alegre.

Segundo informações divulgadas pelo Grupo de Investigação da RBS, o contrato anual da empresa com o município é de aproximadamente R$ 4,45 milhões. A cobertura também relatou a aplicação de sanções financeiras e a abertura de procedimento administrativo pela Secretaria Municipal de Saúde.

Esses dados ajudam a contextualizar a discussão sobre a gestão do serviço, mas não comprovam, por si só, as denúncias trabalhistas apresentadas pelos manifestantes nesta sexta-feira.

É importante distinguir os problemas operacionais relacionados às escalas de atendimento das questões trabalhistas individuais, como fornecimento de uniformes, depósitos de FGTS, rescisões e possíveis demissões motivadas por reivindicações.

O que dizem os trabalhadores e o que ainda precisa ser esclarecido

Os depoimentos registrados pelo Jornal MPV levantam questões que dependem de documentação e de manifestação das partes envolvidas.

Entre os pontos que precisam ser esclarecidos estão:

  • Os motivos formais das demissões relatadas pelos condutores.
  • As condições e os prazos de fornecimento dos uniformes e equipamentos de proteção individual (EPIs).
  • A situação dos depósitos de FGTS e das verbas rescisórias dos trabalhadores mencionados.
  • O conteúdo da reunião realizada com representantes da empresa.
  • As providências adotadas pela empresa e pela Prefeitura diante das reivindicações.

O fornecimento de equipamentos de proteção adequados é especialmente relevante para profissionais que atuam em situações de emergência, com exposição potencial a sangue, fluidos corporais, chuva e outros riscos ocupacionais.

A avaliação de eventuais irregularidades depende da análise dos contratos, das normas de segurança aplicáveis e dos documentos de cada trabalhador.

Até o fechamento deste texto, o Jornal MPV não dispõe de respostas específicas da empresa e da Prefeitura sobre todas as denúncias apresentadas durante a manifestação. Os questionamentos permanecem sujeitos à apuração e ao contraditório.

Jornal MPV acompanha o caso

A manifestação na Avenida Ipiranga colocou em evidência reivindicações de profissionais que atuam no transporte de pacientes e no suporte às equipes do SAMU em Porto Alegre.

Os relatos sobre uniformes, FGTS, rescisões e demissões precisam ser analisados individualmente, com base em documentos e nas manifestações dos envolvidos.

O Jornal MPV registrou os depoimentos dos trabalhadores e seguirá acompanhando o caso, buscando esclarecimentos da empresa responsável e da administração municipal sobre as denúncias apresentadas.

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