Cobertura da segunda dose da vacina está em 76,36% no Estado, distante da meta de 95%. Avanço da doença nas Américas aumenta o alerta das autoridades de saúde.
Quase 70% dos municípios do Rio Grande do Sul estão abaixo da meta de vacinação contra o sarampo. Dados referentes à imunização de crianças até agosto de 2026 mostram que 344 dos 497 municípios gaúchos não atingiram a cobertura de 95% recomendada para a segunda dose da vacina.
O cenário preocupa as autoridades de saúde diante do aumento de casos da doença em diferentes países das Américas. A baixa cobertura vacinal pode facilitar a transmissão do vírus caso ele seja introduzido em comunidades com muitas pessoas desprotegidas.
Segundo os dados divulgados, a cobertura da segunda dose da vacina tríplice viral no Rio Grande do Sul está em 76,36%. O índice permanece abaixo da meta desde 2013, quando a segunda dose passou a ser indicada para crianças pequenas.
A primeira dose apresenta um resultado melhor, com cobertura de 92,37% no Estado. A diferença entre os indicadores reforça a preocupação com crianças que recebem a primeira aplicação, mas não retornam para completar o esquema de imunização.
Por que a vacinação contra o sarampo preocupa?
A vacinação é considerada a principal forma de prevenir o sarampo, uma doença viral altamente contagiosa que pode provocar complicações graves, especialmente em crianças pequenas e pessoas com o sistema imunológico comprometido.
De acordo com especialistas ouvidos na reportagem que originou os dados, a desinformação e a falta de acompanhamento da caderneta de vacinação estão entre os fatores que podem contribuir para a baixa adesão à segunda dose.
A orientação dos profissionais de saúde é que pais e responsáveis verifiquem a situação vacinal das crianças e procurem uma unidade de saúde quando houver doses pendentes.
As equipes de saúde também são incentivadas a conferir a caderneta em consultas e outros atendimentos, além de identificar pessoas que ainda não completaram a imunização.
A Secretaria Estadual da Saúde ressalta que há doses disponíveis no Estado. A recomendação é aproveitar a oferta do imunizante pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para atualizar a vacinação.

Casos de sarampo aumentam nas Américas
O alerta no Rio Grande do Sul ocorre em um momento de crescimento da doença no continente americano.
Conforme dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), entre 4 de janeiro e 3 de outubro de 2026, as Américas registraram mais de 55 mil casos confirmados de sarampo e 77 mortes. O número de casos foi 4,8 vezes superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Guatemala, México, Estados Unidos, Peru e Canadá estão entre os países que concentram os maiores números de casos confirmados.
No Brasil, até o início de outubro, foram registrados 52 casos importados da doença: 41 em São Paulo, dez no Amazonas e um no Rio de Janeiro. Casos importados são aqueles associados à infecção adquirida fora do país.
Apesar dos registros, o Ministério da Saúde informou que o Brasil continuava sem circulação endêmica do sarampo. A vigilância epidemiológica e a vacinação são fundamentais para impedir que casos vindos do exterior provoquem novas cadeias de transmissão.
Rio Grande do Sul mantém vigilância
O Rio Grande do Sul também acompanha o risco de reintrodução do vírus. Segundo informações divulgadas por autoridades estaduais, os registros mais recentes mencionados na reportagem ocorreram em 2024 e 2025 e estavam relacionados a viagens internacionais. Nenhum dos casos citados evoluiu para óbito.
A preocupação é que uma pessoa infectada possa transmitir o vírus em locais onde a cobertura vacinal é insuficiente. Quando muitas pessoas estão imunizadas, diminui a possibilidade de circulação sustentada da doença.
A meta de 95% de cobertura é importante justamente para reduzir o risco de surtos e proteger também quem não pode receber determinadas vacinas por razões médicas.
Por isso, a vigilância dos casos suspeitos precisa caminhar junto com o aumento da vacinação, segundo especialistas da área da saúde.

Porto Alegre mantém campanha de vacinação
Em Porto Alegre, a Secretaria Municipal da Saúde mantém uma campanha para intensificar a vacinação contra o sarampo, com previsão de continuidade até 30 de outubro de 2026.
A mobilização contempla pessoas de 1 a 59 anos que precisam atualizar o esquema vacinal, conforme a idade e o histórico de doses registradas.
Segundo informações divulgadas pela prefeitura, desde o início da campanha, em 14 de setembro, foram aplicadas 1.626 doses das vacinas tríplice viral e tetraviral, além da realização de 34 ações de vacinação fora das unidades de saúde.
Os indicadores municipais divulgados pela prefeitura apontavam cobertura de 88,17% para a primeira dose e de 70,13% para a segunda dose entre crianças pequenas.
A recomendação é procurar uma unidade de saúde para conferir a caderneta e verificar se há necessidade de vacinação. Pessoas sem comprovante de imunização devem receber orientação de uma equipe de saúde sobre as doses indicadas.
Quando tomar a vacina contra o sarampo?
O esquema de rotina para crianças prevê duas etapas principais:
- Aos 12 meses: primeira dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
- Aos 15 meses: segunda dose, normalmente com a vacina tetraviral, que também protege contra a varicela, ou com as vacinas indicadas pela equipe de saúde.
Adolescentes e adultos que não foram vacinados ou que possuem o esquema incompleto devem verificar as recomendações para sua faixa etária e situação vacinal.
As orientações gerais do calendário nacional preveem duas doses da tríplice viral para pessoas de 5 a 29 anos e uma dose para pessoas de 30 a 59 anos sem comprovação de vacinação anterior. Trabalhadores da saúde devem comprovar duas doses, independentemente da idade.
A indicação individual deve ser confirmada em uma unidade de saúde, especialmente quando há dúvidas sobre doses anteriores ou condições que possam interferir na vacinação.

Quais são os sintomas do sarampo?
O sarampo pode começar com febre, tosse, coriza e outros sintomas respiratórios. Manchas vermelhas na pele também são características da doença e costumam aparecer após o início dos sintomas.
Entre as possíveis complicações estão otite, pneumonia e encefalite, uma inflamação do cérebro. Em situações graves, a doença pode levar à morte.
A transmissão acontece principalmente pelo ar, por meio de secreções respiratórias expelidas quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala. A elevada capacidade de transmissão torna a prevenção especialmente importante em ambientes com circulação de muitas pessoas.
Diante de sintomas suspeitos, sobretudo quando há histórico de viagem ou contato com um caso confirmado, a orientação é procurar atendimento de saúde por telefone ou pelos canais disponíveis antes de se deslocar, para receber instruções e reduzir o risco de exposição de outras pessoas.
Baixa cobertura aumenta o risco de surtos
Os dados de vacinação reforçam o desafio enfrentado pelo Rio Grande do Sul para manter a população protegida contra uma doença que pode voltar a circular quando encontra pessoas suscetíveis.
Com 344 municípios abaixo da meta de 95% para a segunda dose, as autoridades de saúde buscam ampliar a imunização e fortalecer a identificação de pessoas com doses pendentes.
A recomendação para as famílias é conferir a caderneta de vacinação, completar o esquema indicado e procurar uma unidade do SUS em caso de dúvida. A manutenção de uma cobertura elevada é uma das principais medidas para evitar surtos e proteger a população gaúcha.










