A voz de um pai atípico que escolheu transformar desafios em luta por inclusão, respeito e dignidade.
O Pai que Ficou
Meu nome é Douglas Garcia Tenedini, tenho 46 anos, sou morador de Alvorada (RS), feirante e pai de três filhos: uma filha de 21 anos, um filho de 19 anos e um menino de 6 anos, que é autista nível 2 de suporte.
Quando meu filho nasceu, como qualquer pai, sonhei com o futuro. Imaginei os momentos que viveríamos juntos, as descobertas, os aprendizados e os caminhos que percorremos lado a lado. Mas, quando ele tinha apenas 2 anos de idade, recebemos o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Naquele instante, começou uma nova etapa em nossas vidas.
Foi o início de uma caminhada marcada por desafios diários, mas também por muito amor, aprendizado e transformação. Passamos a enfrentar consultas, terapias, burocracias, laudos, dificuldades de acesso aos tratamentos, além dos momentos de sobrecarga que fazem parte da rotina de tantas famílias atípicas.
Ao longo desse percurso, ouvi inúmeras vezes frases como: “Você é um pai especial” ou “Parabéns por ter ficado”. Sempre agradeço o carinho de quem diz isso, mas, sinceramente, não consigo enxergar dessa forma.
Estar ao lado do meu filho não é um favor, nem um gesto extraordinário. É uma responsabilidade. É uma escolha que todo pai deveria fazer naturalmente. Amar, proteger, cuidar, lutar e estar presente fazem parte do verdadeiro significado da paternidade.
Talvez o mais preocupante seja perceber que ainda causa surpresa quando um pai simplesmente permanece presente na vida do filho. Isso revela uma realidade que precisa mudar.

Foi justamente essa reflexão que inspirou o nome desta coluna: O Pai que Ficou.
Não porque eu seja diferente ou mereça reconhecimento por fazer o que considero meu dever, mas porque quero mostrar que a presença paterna faz diferença. Ela fortalece a criança, apoia a mãe, une a família e ajuda a construir uma sociedade mais inclusiva.
Nesta coluna quero compartilhar experiências reais, desafios, dificuldades, direitos, informações e, principalmente, esperança. Quero falar sobre as pequenas conquistas que, para muitas famílias, representam enormes vitórias. Quero abordar os obstáculos enfrentados por quem vive o autismo todos os dias e contribuir para que mais pessoas compreendam essa realidade.
Minha luta não é apenas pelo meu filho. É por todas as crianças atípicas e por todas as famílias que enfrentam diariamente barreiras para garantir atendimento, inclusão, respeito e dignidade.
Acredito que informação gera conscientização, e conscientização gera transformação.
Se, através destas palavras, eu conseguir fazer com que uma família se sinta acolhida, um pai decida participar mais da vida do filho ou uma pessoa passe a olhar o autismo com mais empatia, então esta coluna já terá cumprido seu propósito.
Esta é apenas a primeira de muitas conversas.
Seja bem-vindo à nossa caminhada.





