Há cenas que dizem muito sobre o país em que vivemos. E algumas delas nos obrigam a parar, pensar e perguntar: em que momento ajudar quem tem fome passou a ser tratado como um problema?
Por Eliane Ribas Semeler | Colunista do Jornal MPV
O ativista Júlio Ritta, fundador do projeto Cozinheiros do Bem, há mais de uma década dedica parte de sua vida a uma missão que deveria ser reconhecida por todos: levar comida a pessoas em situação de rua e vulnerabilidade.
O projeto nasceu da solidariedade e cresceu com o trabalho de voluntários, parceiros e pessoas que acreditam que ninguém deveria dormir com fome. Hoje, a iniciativa alcança diferentes pontos de Porto Alegre e também cidades do interior do Rio Grande do Sul.
Mas uma cena recente provocou indignação.
Durante uma ação de distribuição de marmitas, Júlio Ritta e voluntários teriam sido abordados por agentes da Guarda Civil Municipal (GCM). O episódio terminou em uma discussão registrada em vídeo e compartilhada nas redes sociais.
A situação rapidamente ganhou repercussão.
E aqui não se trata apenas de uma discussão entre um ativista e agentes públicos. O que está em debate é algo muito maior: qual deve ser o papel do poder público diante de quem passa fome?
É evidente que a cidade precisa de regras. O espaço público precisa ser organizado. A segurança precisa ser preservada. Mas também é preciso perguntar se a resposta para a vulnerabilidade social pode ser simplesmente impedir ou dificultar que alguém entregue comida a quem não tem o que comer.
Não podemos normalizar a fome.
Não podemos aceitar que pessoas em situação de rua sejam invisíveis durante o dia e lembradas apenas quando se tornam um problema para a cidade.
Também não podemos esquecer que, por trás de cada marmita entregue, existe uma pessoa. Existe uma história. Existe alguém que, muitas vezes, perdeu tudo e ainda tenta sobreviver.
Júlio Ritta escolheu estar nas ruas. Escolheu enfrentar o frio, o cansaço, as dificuldades financeiras e os desafios de manter uma iniciativa social por mais de dez anos.
É possível discordar de métodos. É possível discutir regras. É possível buscar soluções diferentes.
Mas solidariedade não deveria ser tratada como ameaça.
O episódio envolvendo o Cozinheiros do Bem precisa servir para abrir um debate sério sobre a população em situação de rua em Porto Alegre. Um debate que não seja movido apenas por ideologia, indignação ou disputa política.
Precisamos falar de fome.
Precisamos falar de dignidade.
Precisamos falar de políticas públicas.
E precisamos falar sobre como sociedade e poder público podem trabalhar juntos para que iniciativas como essa não sejam enfraquecidas, mas fortalecidas.
Porque, no final, a pergunta que fica é simples:
Se alguém está disposto a alimentar quem tem fome, por que não estamos todos procurando maneiras de ajudar?
Talvez o verdadeiro desafio não seja impedir que uma marmita chegue às mãos de quem precisa.
Talvez seja construir uma cidade onde ninguém mais precise esperar por ela.
Coluna de Opinião – Colunistas Jornal MPV
Eliane Ribas Semeler – CEO Founder Ellis Brazil Digital
@ellisbrazildigital Colocamos seu Negócio Local no mapa digital . Estratégias de presença e autoridade. Transforme seguidores em clientes reais Agende uma Reunião Ellis Brazil Digital
@elianesemeler CEO da Ellis, Professora, Gestora, Estrategista & Lançadora de Marcas + de 500 negócios antendidos. Ativo o DNA de negócios Online.
@ellisestrategistapolítica Professora e Estrategista em Marketing Política de Campanhas, Mandatos e Governos. + de 15 anos de experiência. Consultoria e Gestão de Campanhas.
Sala Secreta da Ellis: Revista de Geopolítica & Poder / Comunicação • Posicionamento •Narrativa Politica . SALA SECRETA da Ellis a única desde 2018







