A Polícia Civil prendeu, na tarde desta terça-feira (28), o ex-namorado da adolescente Ana Carolina Perlaky, de 17 anos, morta a tiros durante a madrugada no bairro Vila Nova, na zona sul de Porto Alegre. O suspeito, Halisson Theylor Bumbel Gerônimo, de 22 anos, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça e é apontado como principal investigado pelo crime, tratado como feminicídio pelas autoridades.
O assassinato provocou forte repercussão na Capital e reacendeu o debate sobre a violência contra a mulher e a necessidade de proteção às vítimas de relacionamentos abusivos. Segundo a investigação, o crime ocorreu poucas horas após o término do relacionamento entre a adolescente e o suspeito.
A Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) conduz as investigações para esclarecer a dinâmica do homicídio, reunir provas e concluir o inquérito policial.
Prisão ocorreu horas após o crime
Após o homicídio, equipes da Polícia Civil iniciaram diligências para localizar o suspeito.
Durante a tarde, Halisson Theylor Bumbel Gerônimo foi encontrado e preso. A Justiça já havia decretado sua prisão preventiva com base nos elementos reunidos durante as primeiras horas da investigação.
Ele permanecerá à disposição da Justiça enquanto a Polícia Civil dá continuidade ao trabalho investigativo.
Crime aconteceu na madrugada
De acordo com as informações apuradas pela Polícia Civil, Ana Carolina foi atingida por um disparo de arma de fogo na madrugada desta terça-feira, na Rua Mário Sobroza, no bairro Vila Nova.
A adolescente estava acompanhada de amigas quando foi atacada.
Equipes de socorro foram acionadas, mas a vítima não resistiu aos ferimentos.
Testemunhas relataram o ocorrido aos investigadores e os depoimentos passaram a integrar o conjunto de provas analisado pela polícia.
Investigação aponta histórico de violência
As investigações revelaram que o relacionamento entre vítima e suspeito era recente, mas já havia registrado episódios de violência doméstica.
Segundo a delegada responsável pelo caso, havia um boletim de ocorrência por lesão corporal envolvendo o casal e a adolescente chegou a solicitar uma medida protetiva de urgência.
Dias antes do crime, entretanto, ela pediu a revogação dessa medida.
Essas informações agora fazem parte da investigação e poderão ajudar a esclarecer o contexto que antecedeu o assassinato.
Adolescente enfrentava situação de vulnerabilidade
Durante a investigação, a Polícia Civil identificou que Ana Carolina vivia uma situação de grande vulnerabilidade social.
Segundo a delegada Thais Dias Dequech, a adolescente era órfã de mãe, não possuía o nome do pai registrado em sua certidão de nascimento e já havia passado parte da infância em instituições de acolhimento.
Atualmente, estava sob a guarda de uma responsável legal.
Ainda conforme a investigação, neste ano houve registro de desaparecimento envolvendo a adolescente, além da ocorrência de violência doméstica relacionada ao então companheiro.
Feminicídio continua sendo um desafio no Rio Grande do Sul
O caso reforça a preocupação das autoridades com os índices de violência contra a mulher no Estado.
O feminicídio é caracterizado quando o assassinato ocorre em razão da condição de gênero da vítima, geralmente em contexto de violência doméstica, familiar ou motivado por menosprezo à condição feminina.
Especialistas apontam que grande parte desses crimes é precedida por ameaças, agressões, perseguições ou outros episódios de violência que podem se intensificar ao longo do relacionamento.
A Polícia Civil destaca que denúncias precoces e o acionamento da rede de proteção são fundamentais para reduzir o risco de novos casos.
Polícia continua reunindo provas
Mesmo com a prisão do principal suspeito, a investigação segue em andamento.
Os policiais ainda realizam oitivas de testemunhas, análise de imagens, coleta de laudos periciais e demais diligências para esclarecer todos os detalhes do crime.
Ao final da investigação, o inquérito será encaminhado ao Ministério Público, responsável por analisar as provas e decidir sobre eventual denúncia à Justiça.
Violência contra a mulher exige atuação permanente
Casos como este evidenciam a importância da atuação integrada entre Polícia Civil, Ministério Público, Poder Judiciário e rede de proteção às mulheres.
Especialistas destacam que medidas protetivas, acolhimento das vítimas, investigação rápida e responsabilização dos autores são instrumentos fundamentais no enfrentamento à violência de gênero.
As autoridades reforçam que qualquer situação de ameaça, perseguição ou agressão deve ser comunicada imediatamente aos órgãos competentes, permitindo que medidas legais sejam adotadas para proteger as vítimas.
A investigação sobre a morte de Ana Carolina continua, enquanto familiares, amigos e a comunidade aguardam o avanço do processo judicial.
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O assassinato de mulheres por ex-companheiros, conhecido como feminicídio, é um crime grave motivado pelo ódio ou pela falta de aceitação do fim do relacionamento. No Brasil, a Lei do Feminicídio torna esse tipo de homicídio um crime hediondo com penas mais duras.
Sinais de Alerta
- Ciúme excessivo e controle sobre o comportamento, roupas ou amizades.
- Ameaças de morte ou de agressão caso ocorra o término.
- Perseguição constante (stalking) e insistência em reatar.
Onde Buscar Ajuda e Denunciar
- Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia para denúncias e orientações.
- Ligue 190: Polícia Militar, para casos de emergência e perigo imediato.
- Delegacia da Mulher (Deam): Para registrar boletim de ocorrência e solicitar medidas protetivas de urgência. [1]
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