A possibilidade de formação de um ciclone-bomba entre a Argentina, o Uruguai, o Sul do Brasil e o Oceano Atlântico colocou meteorologistas e órgãos de monitoramento em estado de atenção nesta semana. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) acompanha a evolução de um sistema de baixa pressão que poderá passar por um processo de ciclogênese explosiva, condição necessária para que um ciclone extratropical receba a classificação popular de ciclone-bomba. Os principais impactos estão previstos entre quinta-feira (6) e sábado (8), com risco de temporais, granizo e ventos intensos, principalmente na Região Sul.
Embora o nome possa causar preocupação, especialistas explicam que um ciclone-bomba não é um fenômeno diferente de um ciclone extratropical, mas sim um sistema que se intensifica muito rapidamente devido à brusca queda da pressão atmosférica. Esse fortalecimento aumenta significativamente a força dos ventos e a intensidade das tempestades associadas.
O que caracteriza um ciclone-bomba
Meteorologicamente, um ciclone-bomba ocorre quando a pressão atmosférica no centro do sistema diminui de forma muito acelerada em aproximadamente 24 horas, processo conhecido como bombogênese ou ciclogênese explosiva.
A pressão atmosférica é medida em hectopascais (hPa). Quanto menor esse valor, mais intenso tende a ser o ciclone. No sistema monitorado pelo INMET, os modelos indicam uma redução de aproximadamente 26 hPa em 24 horas, índice compatível com a classificação de ciclone-bomba caso o comportamento seja confirmado durante a evolução do fenômeno.
Essa rápida queda da pressão provoca um aumento do gradiente de pressão na atmosfera, acelerando o deslocamento do ar e favorecendo rajadas de vento muito mais intensas do que as observadas em ciclones extratropicais convencionais.
Como o fenômeno deve se formar
De acordo com o INMET, tudo começa com uma área de baixa pressão atmosférica que se organiza entre o norte da Argentina e o Paraguai.
Na quinta-feira, esse sistema deve avançar em direção ao Uruguai e posteriormente ao Oceano Atlântico, onde encontrará condições favoráveis para uma rápida intensificação.
A combinação entre o contraste de massas de ar frio e quente, a atuação da frente fria e as condições oceânicas favorece o fortalecimento do ciclone sobre o mar.
Os modelos meteorológicos apontam que o centro do sistema deverá permanecer sobre o Atlântico Sul, afastando-se gradualmente da costa após atingir sua maior intensidade, prevista para o sábado (8).
Quais impactos podem ocorrer no Rio Grande do Sul
Mesmo que o centro do ciclone permaneça sobre o oceano, seus efeitos deverão ser sentidos em grande parte do Rio Grande do Sul.
Entre os principais impactos previstos estão:
- temporais com chuva forte;
- descargas elétricas;
- possibilidade de granizo;
- rajadas intensas de vento;
- queda de árvores e postes;
- destelhamentos;
- interrupções no fornecimento de energia elétrica;
- ressaca no litoral.
Segundo o INMET, as rajadas mais intensas poderão ultrapassar 100 km/h sobre o Oceano Atlântico, enquanto áreas costeiras do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina podem registrar ventos superiores a 60 km/h.
Quinta-feira concentra o maior risco
Os modelos meteorológicos indicam que a quinta-feira (6) será o período de maior atenção para o Rio Grande do Sul.
A chegada da frente fria, combinada com a formação do ciclone sobre o oceano, deverá provocar aumento expressivo da instabilidade atmosférica.
As primeiras tempestades devem atingir o Oeste, a Campanha e as Missões, avançando ao longo do dia para a Região Central, Vales, Região Metropolitana, Costa Doce e parte da Metade Sul.
Há previsão de rajadas superiores a 70 km/h, podendo superar 85 km/h em alguns pontos, além de granizo e elevados volumes de chuva.
Fenômeno não é inédito no Sul do Brasil
Apesar da repercussão, ciclones extratropicais fazem parte da climatologia do Sul do Brasil.
O que torna um ciclone-bomba menos frequente é justamente sua rápida intensificação.
Em 2020, um ciclone-bomba provocou danos significativos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, deixando vítimas, milhões de consumidores sem energia elétrica e prejuízos expressivos em diversos municípios. Desde então, o termo passou a ser amplamente conhecido pela população.
Especialistas ressaltam, entretanto, que cada evento possui características próprias e que não é possível afirmar que o sistema previsto para esta semana produzirá impactos semelhantes aos registrados naquele episódio.
Defesa Civil orienta população a acompanhar alertas
Diante da possibilidade de tempo severo, os órgãos de meteorologia recomendam que a população acompanhe exclusivamente os avisos emitidos pelos canais oficiais.
As orientações incluem:
- evitar permanecer sob árvores durante temporais;
- não estacionar veículos próximos a postes e árvores;
- recolher objetos que possam ser levados pelo vento;
- evitar deslocamentos durante tempestades intensas;
- acompanhar os alertas da Defesa Civil e do INMET.
Caso a evolução do sistema confirme a intensificação prevista pelos modelos, novos alertas poderão ser emitidos nas próximas horas.
Monitoramento segue em tempo real
O INMET informou que acompanha continuamente a evolução do sistema por meio de imagens de satélite, radares meteorológicos e modelos numéricos.
Embora o cenário seja considerado favorável para a formação de um ciclone-bomba, a classificação definitiva dependerá da confirmação da queda de pressão atmosférica durante o desenvolvimento do fenômeno.
Até lá, meteorologistas destacam que a principal preocupação permanece voltada aos temporais associados à frente fria e às rajadas de vento que poderão atingir o Sul do Brasil entre quinta-feira e sábado.








