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Policial é investigado por ataque em oficina

A Polícia Civil trata como tentativa de homicídio o caso envolvendo um policial militar que efetuou quatro disparos de arma de fogo contra o empresário Wilian Wink, de 32 anos, proprietário de uma oficina mecânica em Sobradinho, na Região dos Vales. O crime ocorreu no último sábado (1º) e segue sendo investigado. Segundo a delegada Graciela Foresti Chagas, responsável pelo inquérito, a conclusão das investigações deve ocorrer até o fim deste mês.

Wilian permanece internado no Hospital de Cachoeira do Sul, onde recebe atendimento médico após ser atingido por três dos quatro disparos efetuados pelo policial. Conforme a investigação, dois tiros atingiram a região do abdômen e um terceiro acertou a perna da vítima.

Investigação aponta desavença antiga entre policial e empresário

As primeiras diligências indicam que o episódio não teria sido motivado apenas pelo desentendimento ocorrido no dia do crime.

De acordo com a delegada Graciela Foresti Chagas, existe um histórico de conflitos entre o policial militar e o proprietário da oficina que remonta a aproximadamente dois anos.

Segundo a autoridade policial, já haviam sido registradas ocorrências relacionadas à perturbação do sossego envolvendo o estabelecimento.

“Já havia histórico de ocorrências de perturbação do sossego contra a vítima dos disparos”, afirmou a delegada.

A Polícia Civil busca agora esclarecer se esse histórico contribuiu diretamente para a escalada da violência registrada no sábado.

Esposa do policial deverá prestar depoimento

O inquérito entrou em uma nova fase com a oitiva das testemunhas.

Entre as pessoas que deverão ser ouvidas está a esposa do policial militar.

Segundo o boletim de ocorrência, foi ela quem telefonou para o marido informando sobre o barulho vindo da oficina mecânica.

Na ocasião, o policial militar estava na cidade vizinha de Passa Sete e teria se deslocado até Sobradinho após receber a ligação.

A expectativa da Polícia Civil é que o depoimento contribua para esclarecer as circunstâncias que antecederam os disparos.

Câmeras registraram toda a ação

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o policial chega à oficina.

As gravações mostram o militar entrando no estabelecimento, empurrando o empresário e iniciando uma discussão.

Poucos segundos depois, ele efetua quatro disparos de arma de fogo contra a vítima.

As imagens foram incorporadas ao inquérito policial e estão sendo analisadas juntamente com os demais elementos probatórios para reconstrução detalhada da dinâmica dos fatos.

Arma funcional e projéteis passam por perícia

Além das imagens, a investigação também reúne provas técnicas.

A arma utilizada pelo policial militar foi encaminhada para perícia, assim como os projéteis retirados do corpo do empresário durante o atendimento médico.

Os exames deverão confirmar aspectos como:

  • compatibilidade entre arma e projéteis;
  • distância aproximada dos disparos;
  • trajetória dos tiros;
  • dinâmica da ocorrência.

Os laudos técnicos deverão integrar o conjunto probatório que será encaminhado ao Ministério Público após a conclusão do inquérito.

Policial foi preso em flagrante

Segundo o comandante do 23º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Cristiano Marconatto, após os disparos o policial apresentou-se espontaneamente no quartel da Brigada Militar.

Na unidade, ele entregou a arma funcional utilizada na ocorrência.

Em seguida, foi autuado em flagrante pelos crimes militares que, em tese, teriam sido praticados e encaminhado ao Presídio Policial Militar, em Porto Alegre, onde permanece à disposição da Justiça Militar do Estado.

Paralelamente à investigação conduzida pela Polícia Civil, a Brigada Militar também instaurou procedimentos internos para apurar a conduta do servidor.

Oficina era alvo frequente de reclamações

Segundo o advogado Maurício Batista, que representa a família de Wilian Wink, a oficina mecânica é especializada na preparação de motocicletas para competições.

O estabelecimento possui um equipamento utilizado para testes de potência e velocidade dos motores, atividade que gera elevado nível de ruído durante o funcionamento.

Em razão disso, moradores da vizinhança já haviam registrado reclamações por perturbação do sossego.

Conforme informações apresentadas durante a investigação, existem pelo menos sete ocorrências relacionadas ao barulho da oficina, registradas tanto por familiares do policial quanto por outros moradores da região.

O andamento desses registros administrativos não foi informado pelas autoridades.

Defesa do policial ainda não se manifestou

A reportagem procurou o advogado Felipe Haas, responsável pela defesa do policial militar.

Até a última atualização das informações, não havia sido apresentada manifestação sobre o caso.

O espaço permanece aberto para eventual posicionamento da defesa.

Brigada Militar reforça compromisso com investigação

Em nota oficial, a Brigada Militar confirmou que o policial efetuou quatro disparos durante o serviço após uma discussão decorrente de desavenças pessoais com o empresário.

A corporação informou que a vítima foi socorrida e encaminhada ao Hospital de Cachoeira do Sul, onde permanece internada.

A instituição também confirmou a prisão em flagrante do militar, seu encaminhamento ao Presídio Policial Militar e a abertura dos procedimentos investigativos internos.

No comunicado, a Brigada Militar afirma que não compactua com condutas incompatíveis com os princípios da instituição e que a apuração ocorrerá com rigor, garantindo ao investigado o devido processo legal e o direito à ampla defesa.

Polícia Civil busca esclarecer todas as circunstâncias

Enquanto as perícias são concluídas e novas testemunhas são ouvidas, a Polícia Civil trabalha para definir a motivação exata do crime e verificar se houve premeditação ou outros fatores que possam influenciar o enquadramento jurídico.

A expectativa é de que o inquérito seja finalizado ainda neste mês e posteriormente encaminhado ao Ministério Público, que decidirá sobre eventual oferecimento de denúncia à Justiça.

Até eventual condenação definitiva, o policial militar investigado é presumido inocente, conforme prevê a Constituição Federal.

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