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O laudo de necropsia confirmou que a causa da morte de Oliver foi um trauma na região da cabeça,

O laudo de necropsia do menino Oliver Grayson, de 3 anos, confirmou que a causa da morte foi um trauma na região da cabeça, consolidando a principal linha investigativa da Polícia Civil sobre o caso que chocou o Rio Grande do Sul. O documento, elaborado pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP), aponta que a criança sofreu uma lesão crânio-encefálica, corroborando os relatos da equipe médica que realizou o atendimento inicial no Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre.

O laudo representa um avanço importante nas investigações conduzidas pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que agora reúne elementos técnicos para concluir o inquérito sobre a morte da criança e os demais crimes investigados.

Laudo reforça versão apresentada pelos médicos

Desde a internação de Oliver, os profissionais de saúde apontavam que os ferimentos apresentados eram incompatíveis com acidentes domésticos e indicavam um quadro de violência extrema. A necropsia confirmou essa avaliação ao concluir que o menino morreu em decorrência de um grave trauma craniano.

O documento encaminhado à Polícia Civil elimina dúvidas sobre a causa da morte e fortalece a acusação construída pelos investigadores, que consideram haver provas suficientes para responsabilizar os envolvidos.

Investigação foi dividida em dois inquéritos

Com o avanço das apurações, a Polícia Civil decidiu separar o caso em duas frentes.

O primeiro inquérito investiga a morte de Oliver, além de possíveis crimes de maus-tratos praticados contra ele e os outros quatro filhos do casal.

O segundo procedimento apura a possível prática de violência doméstica contra a mãe da criança, Mayanna Rodgers.

Segundo a delegada responsável pelo caso, a intenção é encaminhar ambos os inquéritos simultaneamente ao Poder Judiciário após a conclusão das diligências restantes. O prazo para finalizar a investigação sobre a morte do menino foi prorrogado em mais dez dias.

Relembre o caso

O caso ocorreu no dia 5 de julho, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Na ocasião, Oliver foi levado ao Hospital de Pronto Socorro depois de sofrer agressões praticadas pelo próprio pai, Dandre Grayson, que acabou preso preventivamente.

Durante o depoimento à Polícia Civil, o investigado confessou as agressões e afirmou que espancou o filho porque a criança não teria lhe dado “bom dia”. A declaração provocou grande repercussão nacional pela gravidade da motivação apresentada.

Oliver permaneceu internado por alguns dias, mas não resistiu aos ferimentos e teve a morte confirmada em 9 de julho.

No dia seguinte, a mãe da criança também foi presa preventivamente. Conforme a investigação, ela é suspeita de omissão diante das agressões sofridas pelo filho e também responde por suspeitas de tortura e maus-tratos.

Outros quatro irmãos seguem sob proteção

Após o caso, os outros quatro filhos do casal foram retirados do convívio familiar por determinação do Conselho Tutelar e permanecem sob acolhimento institucional.

As investigações identificaram indícios de que as demais crianças também teriam sido vítimas de violência física e psicológica ao longo do tempo.

Laudos periciais já haviam apontado anteriormente a existência de diversas lesões compatíveis com maus-tratos nos irmãos de Oliver, reforçando a hipótese de um ambiente contínuo de violência dentro da residência.

Histórico de acompanhamento por órgãos de proteção

A investigação também revelou que a família era acompanhada havia aproximadamente oito meses pela rede de proteção de Viamão.

Segundo a Polícia Civil, uma profissional da saúde acionou o Conselho Tutelar após identificar lesões em crianças da família. Apesar do acompanhamento realizado, relatórios produzidos na época não apontaram elementos suficientes para caracterizar risco iminente.

Além do Rio Grande do Sul, foram identificados registros de acompanhamento e ocorrências envolvendo a família em municípios dos estados de São Paulo e Santa Catarina, incluindo procedimentos relacionados a suspeitas de maus-tratos contra outras crianças.

Caso segue em fase decisiva

Com a confirmação técnica da causa da morte, a Polícia Civil entra na etapa final da investigação.

O laudo do Instituto-Geral de Perícias passa a integrar o conjunto de provas que embasam o inquérito e deverá ser utilizado pelo Ministério Público na análise das responsabilidades criminais dos investigados.

A expectativa é de que, após a conclusão das diligências pendentes, os dois inquéritos sejam remetidos à Justiça para as próximas fases do processo criminal.

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