Porto Alegre enfrentou, na noite desta quinta-feira (6), um dos episódios mais severos de ventania registrados nos últimos anos. A passagem de um sistema associado à formação de um ciclone extratropical de rápida intensificação, conhecido tecnicamente como ciclogênese explosiva, provocou rajadas de vento que chegaram a 120 km/h na estação meteorológica do Aeroporto Internacional Salgado Filho, deixando um rastro de destruição na Capital e em cidades da Região Metropolitana.
Em poucos minutos, a cidade registrou queda de árvores, destelhamentos, interrupção no fornecimento de energia elétrica, bloqueios em vias, semáforos apagados e a paralisação completa da Trensurb, afetando milhares de pessoas que tentavam retornar para casa após o expediente.
O temporal ocorreu poucas horas depois de a população receber, por meio do sistema Cell Broadcast, um alerta severo enviado pela Defesa Civil do Rio Grande do Sul aos celulares localizados em Porto Alegre, Região Metropolitana, Vales e Litoral Norte, informando sobre o risco de tempestades com ventos superiores a 90 km/h.
Rajadas atingiram 120 km/h e surpreenderam moradores
Segundo dados divulgados pela Prefeitura de Porto Alegre, a estação meteorológica instalada no Aeroporto Salgado Filho registrou rajadas de 120 quilômetros por hora, intensidade suficiente para provocar danos estruturais em diversos pontos da cidade.
O vento arrancou telhados, derrubou árvores de grande porte, espalhou placas metálicas, deslocou tapumes e lançou objetos pelas ruas.
Na Avenida Ceará, parte da cobertura de um prédio foi arrancada pela força do vento. Em bairros como Menino Deus, Navegantes e Centro Histórico também foram registrados diversos danos provocados pela ventania.
Moradores relataram que a mudança no tempo ocorreu de forma extremamente rápida.
Em vários pontos da Capital, a combinação entre chuva intensa, vento e forte atividade elétrica reduziu drasticamente a visibilidade e dificultou o deslocamento de veículos e pedestres.
Trensurb interrompe operação em toda a linha
Um dos principais impactos do temporal ocorreu no sistema metroferroviário da Região Metropolitana.
A Trensurb interrompeu completamente a circulação dos trens após uma árvore cair sobre a rede aérea de energia nas proximidades da Estação Sapucaia, comprometendo o fornecimento elétrico necessário para a operação.
Por medida de segurança, todas as estações foram fechadas.
A empresa informou que equipes técnicas foram deslocadas para avaliar a extensão dos danos, mas, durante a noite, ainda não havia previsão para a retomada do serviço.
A paralisação afetou milhares de passageiros que utilizam diariamente a linha entre Porto Alegre e Novo Hamburgo.
Na Estação Mercado, usuários relataram falta de informações sobre alternativas de transporte e criticaram a comunicação da empresa durante a interrupção.
Posteriormente, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) informou que ônibus emergenciais começaram a atender parte do trajeto ferroviário, embora o serviço tenha sido organizado após o início da paralisação.
Apagão atinge milhares de consumidores
Além dos transtornos na mobilidade urbana, o temporal provocou um grande impacto no fornecimento de energia elétrica.
De acordo com a CEEE Equatorial, mais de 90 mil unidades consumidoras ficaram sem energia na área de concessão da empresa, incluindo Porto Alegre e municípios da Região Metropolitana.
Na área atendida pela RGE, o número ultrapassou 360 mil pontos sem fornecimento de energia, evidenciando a dimensão dos danos provocados pela tempestade.
A falta de energia afetou residências, estabelecimentos comerciais, sistemas semafóricos e parte da infraestrutura urbana.
Diversos cruzamentos importantes ficaram sem sinalização luminosa, exigindo atenção redobrada de motoristas e pedestres.
Dmae alerta para risco de desabastecimento de água
O apagão também trouxe reflexos para o sistema de abastecimento de água.
O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) informou que a interrupção no fornecimento de energia poderia comprometer o funcionamento de estações de bombeamento e tratamento, criando risco de desabastecimento em até 45 bairros de Porto Alegre.
A recomendação foi para que os moradores utilizassem água de forma consciente até a normalização da energia elétrica.
Árvores caídas e bloqueios complicam o trânsito
A intensidade da ventania provocou dezenas de ocorrências relacionadas à queda de árvores e galhos.
Na Rua Navegantes, uma árvore de grande porte caiu e arrancou parte da calçada.
Na Avenida Érico Veríssimo, tapumes foram derrubados.
No Centro Histórico, um fio caído bloqueou parcialmente a Rua Siqueira Campos.
As equipes da EPTC, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) passaram a atuar simultaneamente para remover obstáculos, orientar o trânsito e reduzir riscos à população.
Defesa Civil reforçou alertas antes da tempestade
Antes da chegada da linha de instabilidade, a Defesa Civil utilizou o sistema Cell Broadcast, tecnologia que envia mensagens diretamente aos celulares localizados em áreas de risco.
O alerta foi encaminhado para moradores de cerca de 20 municípios, incluindo Porto Alegre, Canoas, Esteio, Gravataí, Cachoeirinha, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Viamão, Guaíba, Sapucaia do Sul e outras cidades da Região Metropolitana.
A mensagem orientava que a população procurasse abrigo imediatamente, evitasse permanecer sob árvores, placas metálicas e redes elétricas, além de acompanhar os comunicados oficiais.
Ciclone continua influenciando o tempo no Estado
Segundo a previsão meteorológica, o sistema responsável pela tempestade continuará influenciando o tempo no Rio Grande do Sul ao longo da sexta-feira (7).
Embora o centro do ciclone permaneça sobre o Oceano Atlântico, sua circulação mantém condições favoráveis para novas rajadas de vento, chuva intensa e queda de temperatura em diferentes regiões do Estado.
A Defesa Civil recomenda que a população permaneça atenta aos avisos meteorológicos, evite áreas com risco de queda de árvores ou estruturas e comunique imediatamente situações de emergência aos órgãos competentes.
Enquanto equipes municipais trabalham para restabelecer os serviços afetados, o episódio reforça os desafios enfrentados por Porto Alegre diante de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, exigindo respostas rápidas dos serviços públicos e atenção permanente da população durante a passagem de sistemas meteorológicos severos.








