Homem de 40 anos admitiu ter matado Alice Nitz, de 14 anos; Polícia Civil trata oficialmente o caso como feminicídio
O homem de 40 anos preso suspeito de matar Alice Nitz, de 14 anos, em Encantado, no Vale do Taquari, confessou formalmente o crime durante depoimento à Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (19). A adolescente foi morta na segunda-feira (17), dentro de uma residência no bairro Jardim do Trabalhador.
Segundo a investigação, Wagno Arezi Henika, ex-companheiro da mãe da vítima, admitiu ter matado a adolescente. Conforme a delegada Dieli Caumo, responsável pelo caso, ele relatou que houve uma discussão entre os dois antes do assassinato.
A Polícia Civil passou a tratar oficialmente o caso como feminicídio. A investigação também descartou, neste momento, a hipótese de que Alice tenha sido morta como forma de vingança contra a mãe.
Adolescente foi morta dentro de uma residência
Alice Nitz foi encontrada morta na tarde de segunda-feira (17), em uma casa localizada no bairro Jardim do Trabalhador, em Encantado.
A adolescente sofreu golpes de um objeto cortante, possivelmente uma faca, na região do pescoço. A definição exata da arma utilizada ainda depende da conclusão dos trabalhos periciais.
Após o crime, o homem deixou o imóvel. Segundo a investigação, ele chegou a telefonar para o irmão e afirmou ter cometido o assassinato.
A comunicação levou a Brigada Militar e a Polícia Civil a iniciar as buscas pelo suspeito.
Suspeito foi preso na noite de terça-feira
Depois de permanecer escondido, o homem foi localizado na noite de terça-feira (18), na própria região onde ocorreu o crime.
A Brigada Militar efetuou a prisão e ele foi colocado à disposição da Justiça. A prisão preventiva já havia sido determinada.
No dia seguinte, durante o depoimento à Polícia Civil, o investigado confessou formalmente ter matado Alice.
A confissão representa uma mudança importante na investigação, que inicialmente trabalhava com diferentes possibilidades para explicar a motivação e o enquadramento do homicídio.
Polícia aponta conflito entre vítima e ex-padrasto
Segundo a delegada Dieli Caumo, o homem afirmou que uma discussão com Alice antecedeu o assassinato.
A investigação considera, neste momento, que o conflito ocorreu diretamente entre o autor e a adolescente. Não foram identificados elementos que indiquem que o assassinato tenha sido planejado para atingir ou provocar sofrimento na mãe da vítima.
A polícia também descartou a hipótese de vicaricídio, termo utilizado para situações em que alguém mata uma pessoa próxima de uma mulher com o objetivo específico de causar sofrimento a ela.
Segundo a delegada, não havia conflito relevante entre o suspeito e a mãe de Alice que sustentasse essa hipótese.
Relação familiar durou mais de uma década
Wagno manteve relacionamento com a mãe de Alice por aproximadamente 13 anos. Durante esse período, ele conviveu com a adolescente desde que ela ainda era criança.
O relacionamento entre o homem e a mãe de Alice havia terminado aproximadamente um mês antes do crime.
Mesmo após a separação, a adolescente continuava tendo contato com o ex-padrasto e frequentava o local onde ele morava. Segundo a investigação, não havia medida protetiva nem registros anteriores de violência doméstica envolvendo o homem e a mãe da vítima.
A existência dessa relação familiar é um dos elementos considerados pela Polícia Civil para o enquadramento do crime como feminicídio.
Caso é tratado oficialmente como feminicídio
Com o avanço da investigação, a Polícia Civil passou a classificar oficialmente o assassinato como feminicídio.
A legislação brasileira considera feminicídio o homicídio cometido contra mulher por razões da condição do sexo feminino, especialmente quando envolve violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
No caso de Alice, a investigação considera a relação familiar existente entre a vítima e o autor como um dos elementos para o enquadramento.
O caso ainda deverá seguir para as próximas etapas do inquérito policial e do processo judicial.
Perícia ainda faz parte da investigação
Mesmo com a confissão, a investigação não está encerrada.
A Polícia Civil ainda precisa reunir e analisar provas materiais, laudos periciais e depoimentos para reconstruir completamente a dinâmica do assassinato.
A perícia deverá auxiliar na definição da arma utilizada, da dinâmica das lesões e de outros elementos relacionados à morte.
Também serão analisadas as circunstâncias que antecederam a discussão relatada pelo investigado.
A polícia informou ainda que os indícios iniciais não apontam para uma hipótese de abuso, mas os trabalhos periciais continuam.
O que já está confirmado
- Alice Nitz tinha 14 anos.
- Ela foi morta em Encantado, no Vale do Taquari.
- O crime ocorreu na segunda-feira (17).
- A adolescente foi morta dentro de uma residência no bairro Jardim do Trabalhador.
- O principal investigado é Wagno Arezi Henika, de 40 anos.
- Ele era ex-companheiro da mãe de Alice.
- O relacionamento durou aproximadamente 13 anos.
- A separação ocorreu cerca de um mês antes do crime.
- O homem foi preso preventivamente na terça-feira (18).
- Ele confessou formalmente o assassinato na manhã de quarta-feira (19).
- A Polícia Civil trata oficialmente o caso como feminicídio.
- O investigado afirmou que houve uma discussão com Alice antes do crime.
- A hipótese de vingança contra a mãe foi descartada pela investigação.
- A motivação completa e a dinâmica detalhada do crime continuam sendo apuradas.
Investigação continua
A confissão do investigado acrescenta uma informação central ao inquérito, mas não encerra a investigação.
A Polícia Civil ainda deverá concluir a análise das provas e dos laudos para esclarecer todos os detalhes do assassinato.
O homem permanece preso preventivamente e à disposição da Justiça.
O caso provocou comoção em Encantado e no Vale do Taquari, onde Alice foi sepultada após a identificação do corpo.










