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Polícia descarta crime de ódio em ataque em Alvorada

A Polícia Civil descartou a hipótese de crime de ódio no ataque contra um homem em situação de rua que teve o corpo incendiado durante a madrugada de terça-feira (11), em Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A investigação aponta, neste momento, para uma possível desavença pessoal entre a vítima e o autor. O teor do conflito ainda está sendo apurado.

O caso aconteceu na Avenida Presidente Getúlio Vargas, no Centro de Alvorada, onde o homem costumava permanecer e utilizava a estrutura de uma parada de ônibus como abrigo. Ele sofreu queimaduras graves e permanece internado em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Cristo Redentor, na zona norte de Porto Alegre.

A atualização sobre a investigação foi divulgada nesta quarta-feira (12) pelo delegado Edimar Machado, titular da Delegacia de Homicídios de Alvorada. Segundo a autoridade policial, vítima e suspeito se conheciam, o que levou os investigadores a afastarem a hipótese de que o ataque tenha sido cometido simplesmente contra uma pessoa em situação de rua por motivação discriminatória ou de ódio.

Ataque aconteceu durante a madrugada

O crime ocorreu por volta das 3h de terça-feira, quando a vítima estava junto à parada de ônibus localizada na Avenida Presidente Getúlio Vargas.

Segundo relatos de pessoas que estavam nas proximidades, um homem teria saído de um bar próximo ao local, se aproximado da vítima e jogado gasolina sobre o corpo dela. Na sequência, teria ateado fogo.

As testemunhas relataram que o homem atingido pelas chamas conseguiu correr enquanto pedia ajuda. Moradores da região utilizaram uma mangueira para tentar controlar o fogo e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

O socorro foi realizado ainda no local. Posteriormente, a vítima foi encaminhada para o Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre, onde permanece internada.

A identidade do homem não foi divulgada. Moradores afirmaram que ele costumava permanecer naquela região e utilizava os toldos da parada de ônibus para se proteger.

Polícia descarta hipótese de crime de ódio

Nas primeiras horas da investigação, a Polícia Civil chegou a considerar a possibilidade de que o ataque tivesse sido motivado por ódio contra uma pessoa em situação de rua.

Essa linha, entretanto, foi posteriormente descartada.

Conforme o delegado Edimar Machado, a investigação passou a apontar para uma desavença pessoal entre autor e vítima. A polícia ainda busca esclarecer qual teria sido a origem do conflito e o que levou o suspeito a praticar o ataque.

A informação de que os dois se conheciam é considerada relevante para a definição da linha investigativa. Com isso, o caso deixou de ser tratado como um possível ataque motivado especificamente pela condição social da vítima.

Isso não reduz a gravidade da ocorrência. O homem foi atingido por fogo após, segundo os relatos iniciais, ter gasolina jogada sobre o corpo enquanto estava em um ponto utilizado como abrigo.

A motivação exata, porém, ainda não foi esclarecida pelas autoridades.

Imagens de câmeras podem ajudar na identificação

A Polícia Civil já teve acesso a imagens de câmeras de segurança que registraram o momento do ataque.

O material está sendo analisado pelos investigadores na tentativa de identificar e localizar o responsável.

Até a atualização divulgada nesta quarta-feira (12), ninguém havia sido preso.

A principal suspeita é de que o autor seja um homem que circulava pela região acompanhado de outras pessoas em situação de rua. A polícia trabalha para confirmar a identidade do suspeito e estabelecer, com maior precisão, a relação existente entre ele e a vítima.

A análise das imagens também poderá ajudar a reconstruir a sequência dos acontecimentos antes, durante e depois do ataque.

Vítima permanece em estado gravíssimo

O estado de saúde do homem é um dos pontos mais preocupantes do caso.

Após ser atingido pelo fogo, ele sofreu diversas queimaduras e precisou ser levado para atendimento médico. No Hospital Cristo Redentor, foi internado na UTI.

A atualização divulgada na manhã desta quarta-feira apontava que o quadro permanecia gravíssimo.

Até o momento, não foram divulgadas informações que permitam identificar publicamente a vítima. A ausência de identificação também dificulta o levantamento de informações sobre sua história pessoal e eventual contato com familiares.

Moradores, entretanto, relataram que o homem era conhecido por permanecer naquela área de Alvorada, utilizando a parada de ônibus como local de abrigo.

Caso expõe violência contra pessoas em situação de rua

Embora a Polícia Civil tenha descartado a motivação de crime de ódio neste caso específico, o ataque chama atenção para a vulnerabilidade de pessoas que vivem nas ruas e permanecem expostas a diferentes formas de violência.

Uma pessoa que utiliza uma parada de ônibus como abrigo está submetida a uma condição de extrema vulnerabilidade, especialmente durante a madrugada, quando a circulação de pessoas diminui e a possibilidade de reação ou socorro pode ser limitada.

No caso de Alvorada, a vítima estava em um espaço público quando foi surpreendida pelo agressor. A violência provocou queimaduras graves e deixou o homem internado em estado gravíssimo.

Entidades que atuam na defesa dos direitos da população em situação de rua também reagiram ao episódio. O Círculo Operário Leopoldense, por exemplo, publicou manifestação chamando atenção para a violência e para a invisibilidade enfrentada por pessoas que vivem nas ruas.

A entidade afirmou que agressões, ameaças, humilhações e mortes podem ocorrer sem que esses casos recebam a devida atenção pública.

O episódio de Alvorada, portanto, apresenta duas dimensões distintas: do ponto de vista criminal, a polícia investiga uma agressão que teria sido motivada por uma desavença pessoal; do ponto de vista social, o caso evidencia a exposição de pessoas em situação de rua a situações de extrema violência.

Investigação continua em Alvorada

A Polícia Civil continua trabalhando para localizar o suspeito e esclarecer a motivação do ataque.

A investigação deverá considerar as imagens das câmeras de segurança, os relatos de testemunhas e outras informações capazes de estabelecer a relação entre vítima e autor.

Neste momento, a polícia trabalha com a hipótese de desavença pessoal, mas ainda não divulgou qual teria sido o motivo do conflito.

A identificação do suspeito também é uma etapa fundamental para o avanço do inquérito. Até a última atualização, ele permanecia em liberdade.

Enquanto isso, a vítima segue internada no Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre, em estado gravíssimo.

O caso foi registrado como uma ocorrência de extrema violência em Alvorada e permanece sob investigação da Polícia Civil.

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