Projeto aprovado pelo governo federal prevê empreendimento voltado a lazer, esporte e turismo; detalhes sobre investimento e prazo ainda não foram divulgados.
Porto Alegre está prestes a ganhar um novo empreendimento de lazer que pode mudar a relação da cidade com a área do Aeroporto Internacional Salgado Filho. Um projeto prevê a instalação de um parque temático com piscina de ondas artificiais para a prática de surfe dentro da área aeroportuária.
A iniciativa já recebeu autorização do Ministério de Portos e Aeroportos, etapa necessária para que o projeto avance. A aprovação ocorreu porque o contrato entre a administradora do aeroporto, a Fraport Brasil, e a empresa responsável pelo parque terá duração superior ao período restante da atual concessão aeroportuária.
O empreendimento será desenvolvido pela Wave Park Porto Alegre, que ficará responsável pela construção, operação, manutenção e exploração do espaço.
Ainda não existe, porém, uma data definida para a abertura ao público.
Projeto ainda está em fase de estruturação
Apesar da autorização federal, o parque não está pronto para começar as obras imediatamente.
A empresa responsável ainda trabalha na estruturação do empreendimento e na captação necessária para colocar o projeto em execução. Também não foram divulgados publicamente o valor do investimento, a área total que será ocupada ou o cronograma de construção.
A localização exata dentro do complexo aeroportuário também ainda será definida.
Isso significa que a autorização representa um avanço importante, mas não equivale à confirmação de que o parque será inaugurado em uma data próxima.
Antes da abertura, ainda serão necessárias etapas de desenvolvimento do projeto, definição da área, estruturação financeira, licenciamento e execução das obras.
Uma piscina de ondas dentro do aeroporto
A principal atração anunciada é uma piscina de ondas artificiais destinada à prática de surfe.
O conceito coloca Porto Alegre em uma tendência internacional de criação de estruturas capazes de oferecer experiências esportivas que normalmente dependem de condições naturais específicas.
Em uma cidade sem litoral, uma piscina desse tipo poderia criar uma nova alternativa para quem pratica ou quer aprender surfe sem precisar viajar até o Litoral Norte ou outras regiões costeiras.
O empreendimento, entretanto, não será necessariamente voltado apenas aos surfistas.
A proposta apresentada inclui lazer, esporte, turismo e entretenimento, o que abre espaço para diferentes públicos.
Aeroporto começa a ampliar sua função
A instalação do parque também está relacionada a uma estratégia mais ampla para áreas aeroportuárias concedidas à iniciativa privada.
O Ministério de Portos e Aeroportos pretende estimular a utilização de áreas dos terminais para atividades que ultrapassem a operação tradicional de embarque e desembarque.
A ideia inclui a atração de empreendimentos como hotéis, centros de compras, hospitais, escolas, centros logísticos e espaços de entretenimento.
Nesse modelo, o aeroporto passa a funcionar não apenas como ponto de partida ou chegada de viagens, mas como um polo de serviços e atividades econômicas.
Para Porto Alegre, isso pode representar uma transformação gradual da região do Salgado Filho.
Salgado Filho já recebe novas operações
O parque de ondas não será o primeiro empreendimento de entretenimento associado ao complexo aeroportuário.
O Porto Alegre Airport, administrado pela Fraport Brasil, já vem ampliando o número de serviços e experiências disponíveis aos usuários.
Em março deste ano, por exemplo, foi inaugurado no terminal um espaço de jogos e entretenimento da Black Sheep, com máquinas eletrônicas e atrações para diferentes faixas etárias.
O aeroporto também conta com espaço destinado a shows e deverá receber um hotel.
Além disso, o antigo terminal de passageiros vem sendo utilizado para eventos e exposições, incluindo edições da mostra CasaCor RS.
O movimento indica uma estratégia de diversificação do espaço aeroportuário.
Projeto já foi pensado para Canoas
A ideia de construir um parque de águas na Região Metropolitana não surgiu agora.
Antes de chegar a Porto Alegre, o projeto chegou a ser pensado para Canoas, mas a proposta não avançou naquela localização.
A transferência para a área do aeroporto muda a lógica do empreendimento.
Além de estar dentro da Capital, o projeto poderá contar com a infraestrutura de acesso já existente na região do Salgado Filho e com a circulação de pessoas associada ao aeroporto.
Isso pode favorecer tanto moradores da Região Metropolitana quanto turistas que chegam ao Estado.
Potencial para turismo e entretenimento
Se sair do papel, o parque poderá ampliar o conjunto de atrações turísticas de Porto Alegre.
A cidade possui parques, espaços culturais, eventos, gastronomia e equipamentos esportivos, mas uma estrutura permanente de surfe com ondas artificiais seria uma atração diferente dentro do cenário local.
O potencial também está relacionado à realização de eventos esportivos, aulas, atividades recreativas e competições, dependendo do formato final que será adotado pelo empreendimento.
Por enquanto, contudo, esses usos ainda dependem do projeto definitivo.
Não foram divulgados detalhes suficientes para afirmar qual será a capacidade do parque ou quais atrações, além da piscina de ondas, serão construídas.
Impacto econômico ainda depende da execução
Um empreendimento dessa dimensão pode gerar efeitos econômicos durante diferentes etapas.
A construção demanda mão de obra e contratação de serviços. Depois da abertura, o parque poderá gerar empregos permanentes e movimentar setores como alimentação, transporte, hospedagem e comércio.
Também existe potencial de atração de visitantes de outras cidades.
Mas seria precipitado estimar empregos, faturamento ou número de turistas antes que a empresa divulgue o projeto executivo.
Neste momento, o que existe é um projeto autorizado e em fase de estruturação.
Concessão do aeroporto vai até 2043
Outro ponto importante para entender a autorização é o prazo da concessão do aeroporto.
O contrato atual entre a Fraport Brasil e o governo federal vai até 2043, com possibilidade de renovação até 2048.
Como o contrato do parque terá duração superior ao período restante da concessão, foi necessária a autorização do Ministério de Portos e Aeroportos.
A aprovação, portanto, não representa apenas uma autorização para instalar uma piscina.
Ela permite que um empreendimento privado de longo prazo seja estruturado dentro de uma área vinculada a uma concessão pública.
O que falta para o parque sair do papel
A próxima fase será transformar a ideia aprovada em um projeto executável.
Entre os pontos que ainda precisam ser definidos estão:
- área exata onde o parque será instalado;
- projeto arquitetônico;
- valor do investimento;
- modelo de financiamento;
- cronograma de obras;
- licenciamento necessário;
- capacidade de atendimento;
- atrações complementares;
- data prevista para inauguração.
A empresa responsável afirma que ainda está em fase de estruturação e captação e que pretende divulgar informações mais detalhadas quando o projeto estiver consolidado.
Uma nova atração, mas sem data para abrir
O anúncio coloca Porto Alegre no mapa de projetos que aproximam aeroportos, entretenimento e turismo.
A proposta de uma piscina de ondas no Salgado Filho é diferente do modelo tradicional de parque aquático e pode criar uma nova opção de lazer para moradores da Capital e da Região Metropolitana.
Mas a expectativa precisa ser acompanhada de cautela.
O projeto foi autorizado, porém ainda não há investimento divulgado, prazo de construção ou data de inauguração.
O próximo passo será a empresa concluir a estruturação e apresentar os detalhes do empreendimento.
Se avançar conforme planejado, Porto Alegre poderá ter, dentro da área do aeroporto, uma atração que combina esporte, lazer e turismo — e que poderá transformar uma parte do complexo aeroportuário em um novo polo de entretenimento da cidade.










