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Prefeitura diz que calçada era usada irregularmente

Três veículos caíram em uma cratera na Rua Almirante Tamandaré; Dmae estima pelo menos 60 dias para concluir a recuperação.

A Prefeitura de Porto Alegre afirmou nesta quarta-feira (26) que o trecho da calçada que desabou na Rua Almirante Tamandaré, no bairro Floresta, não possuía autorização para funcionar como estacionamento. O local cedeu na manhã de segunda-feira (24), provocando a queda de três veículos em uma grande abertura no solo e derrubando uma árvore.

O incidente ocorreu no trecho entre as ruas Santos Dumont e Conde de Porto Alegre, na Zona Norte da Capital. No momento do desabamento, estavam estacionados no local um Peugeot 3008, um Volkswagen Nivus e um Hyundai HB20. Apesar da dimensão do buraco e dos danos provocados nos veículos, ninguém ficou ferido.

Segundo a prefeitura, a área atingida integra o passeio público e é considerada um bem de uso comum. A administração municipal afirma que o espaço vinha sendo utilizado de maneira irregular como estacionamento.

Prefeitura aponta uso irregular da calçada

De acordo com a Secretaria Municipal de Segurança Pública, por meio da Secretaria Executiva de Fiscalização (Sefis), o estacionamento de veículos sobre calçadas e passeios públicos é proibido pela legislação municipal.

A prefeitura também informou que a EPTC registrou 15 autos de infração desde 2018 relacionados ao estacionamento irregular naquele trecho da Rua Almirante Tamandaré.

As autuações estão relacionadas ao estacionamento de veículos sobre o passeio público, enquadrado como infração pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

O artigo 181, inciso VIII, do CTB caracteriza como infração grave o estacionamento de veículo sobre passeio ou faixa destinada a pedestres.

A administração municipal ressalta que, além de prejudicar a circulação de pedestres, o uso irregular de calçadas como estacionamento pode comprometer a infraestrutura existente sob esses espaços.

Galeria passa sob a calçada

Um dos pontos centrais da investigação está na estrutura subterrânea existente sob o trecho que desabou.

De acordo com o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), existe no local uma galeria de macrodrenagem, construída em concreto, instalada aproximadamente 2,4 metros abaixo da superfície.

A estrutura tem a função de canalizar um trecho de um arroio e faz parte de uma galeria que possui cerca de 15 quilômetros de extensão.

Após o colapso da calçada e a retirada dos veículos e dos entulhos, equipes do Dmae deverão acessar a estrutura subterrânea para verificar as condições internas e identificar a extensão dos danos.

O trabalho exige procedimentos específicos porque envolve uma área confinada e uma estrutura subterrânea de grande porte.

Conserto pode levar pelo menos 60 dias

O Dmae ainda não estabeleceu uma data definitiva para a conclusão da recuperação da área.

A estimativa divulgada pelo órgão é de que o conserto completo leve pelo menos 60 dias. O prazo, entretanto, poderá depender do diagnóstico técnico realizado dentro da galeria.

Neste momento, os trabalhos estão concentrados na limpeza da área. A etapa seguinte será a inspeção da estrutura subterrânea para verificar as condições da galeria e definir quais intervenções serão necessárias.

Por se tratar de uma estrutura de macrodrenagem e de um espaço confinado, o serviço precisa ser realizado por equipes especializadas e seguindo protocolos de segurança.

Trânsito segue afetado na região

O desabamento também provocou alterações no trânsito da região.

A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) bloqueou o trecho afetado para permitir o trabalho das equipes e evitar a circulação de veículos em uma área que ainda passa por avaliação estrutural.

A orientação é para que motoristas evitem a região e utilizem rotas alternativas enquanto os trabalhos forem realizados.

A liberação definitiva do trecho dependerá das condições encontradas durante a avaliação técnica e das medidas necessárias para garantir a segurança da via.

Responsabilidades ainda serão apuradas

Apesar de a prefeitura ter informado que o espaço era utilizado irregularmente como estacionamento, as circunstâncias do desabamento e eventuais responsabilidades pelos danos ainda serão apuradas administrativamente.

A prefeitura não atribuiu, até o momento, a causa do colapso exclusivamente ao estacionamento irregular.

A existência da galeria subterrânea também será analisada pelas equipes técnicas. Somente após a inspeção da estrutura será possível determinar com maior precisão as condições encontradas e quais fatores contribuíram para o rompimento.

O episódio ocorreu em uma área urbana de circulação e estacionamento e deixou três veículos danificados, além de provocar a queda de uma árvore e a interdição temporária da via.

Fiscalização de calçadas

A Secretaria Municipal de Segurança informou que mantém ações de fiscalização relacionadas à utilização dos espaços públicos.

Segundo a prefeitura, o Código de Posturas do Município, instituído pela Lei Complementar nº 12/1975, proíbe o estacionamento de veículos sobre calçadas e passeios públicos fora das situações previstas na legislação.

A norma também estabelece restrições para situações que possam impedir ou dificultar o livre trânsito de pedestres ou veículos nos logradouros públicos.

Denúncias e reclamações relacionadas a calçadas em Porto Alegre podem ser encaminhadas pela Central do Cidadão 156.

O que aconteceu

  • Local: Rua Almirante Tamandaré, bairro Floresta, Porto Alegre;
  • Data: segunda-feira (24);
  • Ocorrência: trecho da calçada cedeu e abriu uma grande cratera;
  • Veículos atingidos: três;
  • Vítimas: ninguém ficou ferido;
  • Estrutura subterrânea: galeria de macrodrenagem;
  • Profundidade aproximada: 2,4 metros;
  • Trânsito: trecho foi bloqueado;
  • Responsável pelos reparos: Dmae;
  • Estimativa de recuperação: pelo menos 60 dias;
  • Causa definitiva: ainda depende de avaliação técnica.

O caso permanece sob análise dos órgãos municipais, que deverão avaliar a estrutura subterrânea e as condições do local antes de definir a recuperação definitiva da área.

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