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Clima esquenta entre Moraes e Mendonça

Segundo apuração do Metrópoles, encontro entre os ministros teria sido marcado por acusações e quase terminou em agressão física. Atrito ocorreu após investigação identificar Alexandre de Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro.

Uma crise interna ganhou força nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF) após um confronto entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Segundo apuração da jornalista Andreza Matais, do Metrópoles, os dois tiveram uma discussão acalorada na segunda-feira (31), depois que Moraes tomou conhecimento de que Mendonça havia determinado o aprofundamento de uma investigação relacionada ao Banco Master.

De acordo com a publicação, Moraes procurou Mendonça para uma conversa em seu gabinete. O encontro teria evoluído para um bate-boca, com os dois ministros elevando o tom e trocando acusações. A discussão teria chegado próximo de uma agressão física, embora não haja confirmação oficial de que tenha ocorrido qualquer agressão.

O episódio ocorre em meio à divulgação de documentos da Polícia Federal (PF) que apontam Alexandre de Moraes como o possível interlocutor de mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Investigação que provocou o confronto

A tensão entre os ministros teria começado depois que André Mendonça, relator do caso no STF, determinou que a Polícia Federal aprofundasse as investigações para identificar quem era o destinatário de determinadas mensagens encontradas no celular de Vorcaro.

Os diálogos mencionavam duas autoridades de alto escalão: o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Segundo a PF, o cruzamento dos dados encontrados no aparelho levou à identificação de Alexandre de Moraes como interlocutor. Em uma das mensagens, Vorcaro teria pedido ao destinatário uma espécie de “proteção” junto a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet.

A descoberta foi considerada relevante porque as mensagens fazem parte de uma investigação sobre uma possível rede de monitoramento e influência mantida por Vorcaro.

Mendonça questionou como Moraes soube da investigação

Segundo a apuração publicada pelo Metrópoles, durante a conversa entre os dois ministros, Mendonça questionou Moraes sobre como ele havia tomado conhecimento do avanço daquela investigação.

O procedimento era sigiloso e estava sob relatoria de Mendonça.

Conforme o relato, Moraes teria respondido:

“Eu tenho minhas fontes. Fui ministro da Justiça.”

Depois disso, segundo a apuração, Moraes teria acusado Mendonça de direcionar as investigações contra ele.

O episódio teria aumentado ainda mais a tensão entre os integrantes da Corte.

Investigação envolve mensagens com Vorcaro

O confronto entre os ministros não pode ser separado das informações que vieram a público nesta terça-feira (1º).

A PF encontrou no celular de Daniel Vorcaro registros que apontam para 187 interações com um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. O relatório, porém, faz uma ressalva: o nome salvo na agenda, isoladamente, não permite afirmar que o número pertencia ao ministro. A identificação foi feita a partir do cruzamento de outros elementos da perícia.

As conversas teriam ocorrido por meio de imagens enviadas pelo WhatsApp com o recurso de visualização única.

Vorcaro escrevia mensagens no aplicativo de notas do celular, fazia capturas de tela e enviava as imagens ao interlocutor. Embora elas desaparecessem do WhatsApp após a visualização, parte dos arquivos permaneceu armazenada no aparelho do banqueiro e foi recuperada pela perícia.

Vorcaro perguntou se deveria deixar o Brasil

Entre as mensagens recuperadas está uma enviada em 15 de novembro de 2025, dois dias antes da prisão de Vorcaro.

Naquele momento, o banqueiro perguntou:

“Acha que segunda já tenho que estar fora?”

A mensagem é considerada relevante porque, 48 horas depois, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Malta.

A investigação aponta que ele tinha conhecimento prévio de medidas que poderiam ser tomadas contra ele.

O material divulgado pela PF também indica que Vorcaro teria buscado informações sobre possíveis ações da Polícia Federal e do Ministério Público.

As respostas de Moraes não foram integralmente recuperadas, o que impede reconstruir toda a conversa ou afirmar, apenas com os registros divulgados, se os pedidos feitos pelo banqueiro foram atendidos.

Mendonça quer levar caso ao plenário do STF

Após o avanço da investigação, André Mendonça determinou o levantamento do sigilo de parte do material.

O ministro também defende que os novos elementos sejam analisados pelo Plenário do STF, em uma sessão presencial e pública.

Segundo Mendonça, o plenário é a instância responsável por avaliar os novos elementos apresentados pela Polícia Federal e decidir quais providências deverão ser tomadas.

A data da eventual sessão deverá ser definida pelo presidente do STF, Edson Fachin.

Mendonça também solicitou informações à Procuradoria-Geral da República sobre a mensagem de Vorcaro que menciona a necessidade de proteção envolvendo Paulo Gonet e Andrei Rodrigues.

Caso envolve possível rede de influência

O relatório da Polícia Federal descreve uma possível estrutura utilizada por Daniel Vorcaro para obter informações e exercer influência sobre autoridades.

Segundo os investigadores, o banqueiro teria acesso a informações sigilosas provenientes de diferentes instituições, incluindo o Banco Central e o Poder Judiciário.

A apuração busca identificar todas as pessoas que poderiam ter participado dessa rede.

O material também aponta que Vorcaro teria tomado conhecimento, com antecedência, de procedimentos investigativos que poderiam resultar em medidas contra ele.

É justamente nesse contexto que aparecem as mensagens atribuídas a Moraes.

Contrato com escritório da esposa de Moraes também está no caso

Outro elemento que aumentou a repercussão do caso é a relação comercial entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Segundo documentos divulgados nesta terça-feira, o contrato chegou a aproximadamente R$ 131 milhões.

A investigação também identificou registros relacionados à edição da minuta contratual, incluindo um arquivo cujo último usuário registrado aparece como “Ministro Alexandre de Moraes”.

A existência do contrato, entretanto, não comprova por si só qualquer irregularidade ou crime. A relação comercial e seus desdobramentos fazem parte do conjunto de elementos que estão sendo analisados pelas autoridades.

PF também enfrenta questionamentos

A própria determinação de Mendonça para aprofundar a investigação gerou divergências dentro da Polícia Federal.

Segundo informações divulgadas pelo UOL, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, teria considerado que a ordem de Mendonça poderia configurar abuso de autoridade e gerar questionamentos sobre a validade de determinados atos.

A divergência envolve justamente a questão de saber se a determinação para identificar um ministro do STF representaria uma nova investigação contra integrante da Corte.

A posição sustentada é de que uma investigação formal contra ministro do Supremo dependeria de autorização do plenário.

Essa discussão jurídica deverá ser relevante para os próximos passos do caso.

STF vive crise interna em meio ao caso Master

O episódio entre Moraes e Mendonça ocorre em um momento particularmente delicado para o Supremo.

De um lado, há a divulgação de mensagens que a PF atribui a uma comunicação entre Moraes e Vorcaro.

De outro, Mendonça, responsável pela relatoria do caso, defende que os novos elementos sejam examinados publicamente pelo plenário da Corte.

A situação cria uma disputa institucional dentro do próprio tribunal, já que um ministro aparece nos elementos investigativos enquanto outro ministro é responsável por conduzir a análise do material.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou nesta terça-feira uma manifestação na qual afirmou acompanhar com “extrema preocupação” a crise envolvendo o STF e outras instituições. A entidade defendeu uma apuração rigorosa, com respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e à presunção de inocência.

O que se sabe até agora

Até o momento, os principais pontos revelados são:

  • Alexandre de Moraes e André Mendonça tiveram uma discussão no STF, segundo apuração do Metrópoles;
  • a conversa ocorreu após Moraes saber que Mendonça havia determinado o aprofundamento de uma investigação;
  • a PF identificou Moraes como possível interlocutor de mensagens de Daniel Vorcaro;
  • Vorcaro teria pedido “proteção” envolvendo Paulo Gonet e Andrei Rodrigues;
  • o banqueiro perguntou a Moraes se deveria deixar o país antes de uma possível prisão;
  • Vorcaro foi preso dois dias depois, no Aeroporto de Guarulhos;
  • o relatório da PF aponta 187 interações com um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”;
  • Mendonça retirou o sigilo de parte dos documentos;
  • o ministro quer que o Plenário do STF analise os novos elementos;
  • a PGR também foi acionada para prestar informações;
  • não houve confirmação oficial de agressão física entre Moraes e Mendonça;
  • as respostas de Moraes às mensagens de Vorcaro não foram integralmente recuperadas;
  • não há, até o momento, condenação ou denúncia formal contra Moraes relacionada a esses fatos.

O que ainda precisa ser esclarecido

A investigação ainda deverá esclarecer pontos fundamentais, entre eles qual foi exatamente o conteúdo das respostas de Moraes às mensagens de Vorcaro, se houve repasse de informações sigilosas, se alguma autoridade efetivamente interferiu em favor do banqueiro e qual era a natureza da relação entre os envolvidos.

Também será necessário esclarecer a discussão sobre a competência para investigar ministros do STF e se os procedimentos adotados por Mendonça e pela PF respeitaram as regras internas da Corte.

No caso do confronto entre Moraes e Mendonça, a informação sobre a possibilidade de agressão física permanece baseada na apuração jornalística do Metrópoles. O STF não confirmou oficialmente que os ministros tenham chegado às vias de fato. Há relatos de outras fontes descrevendo a conversa como tensa, mas sem confirmação de agressão.

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