Dois equipamentos serão instalados na BR-116, em Estância Velha e São Leopoldo; tecnologia poderá identificar até 82 tipos de infrações durante período de testes.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) assinou contrato para a instalação de câmeras equipadas com inteligência artificial capazes de identificar infrações cometidas dentro dos veículos. No Rio Grande do Sul, dois equipamentos serão instalados em trechos da BR-116, nos municípios de Estância Velha e São Leopoldo.
O contrato foi firmado com a empresa Kopp Tecnologia, de Vera Cruz, no Vale do Rio Pardo. A empresa terá até novembro de 2026 para colocar os equipamentos em funcionamento.
A iniciativa faz parte de um projeto experimental da PRF que pretende ampliar a capacidade de fiscalização nas rodovias federais. Diferentemente dos radares e sistemas tradicionais, as novas câmeras poderão analisar não apenas a placa ou a velocidade do veículo, mas também o comportamento de quem está dentro do automóvel ou sobre a motocicleta.
Por que a BR-116 foi escolhida
A PRF decidiu instalar os equipamentos na BR-116, considerando o elevado número de ocorrências registrado na região.
No Rio Grande do Sul, os pontos definidos ficam em Estância Velha e São Leopoldo, municípios que integram um dos principais corredores rodoviários da Região Metropolitana.
A escolha da rodovia ocorreu após análise da corporação sobre os locais com maior quantidade de ocorrências no Estado.
Inicialmente, a empresa responsável pela tecnologia tinha interesse em instalar o equipamento em uma rodovia mais próxima de sua sede, no Vale do Rio Pardo. Nesse caso, a alternativa seria a BR-471.
A definição final, entretanto, coube à Polícia Rodoviária Federal, que optou pela BR-116.

Tecnologia poderá identificar até 82 infrações
Uma das principais novidades do sistema é a capacidade de realizar uma análise comportamental dentro dos veículos.
Segundo as informações divulgadas pela PRF, existem 82 tipos de infrações que poderão ser identificadas pela tecnologia.
Entre as situações que poderão ser detectadas estão:
- motorista sem cinto de segurança;
- condução utilizando apenas uma das mãos fora das situações permitidas pela legislação;
- uso de celular ao volante;
- motorista conduzindo enquanto toma chimarrão;
- ultrapassagem pela direita;
- ultrapassagem pelo acostamento;
- deixar de dar passagem pela esquerda quando obrigatório;
- motociclista conduzindo sem capacete.
A análise poderá ocorrer mesmo quando a infração acontece dentro do habitáculo do veículo, algo que não é possível de ser fiscalizado da mesma maneira por equipamentos convencionais posicionados às margens da rodovia.
Uso do celular e chimarrão entram no monitoramento
Entre as situações que mais chamam atenção está a possibilidade de o sistema identificar o uso de celular durante a condução.
A tecnologia também poderá detectar situações em que o motorista dirige segurando objetos ou utilizando apenas uma das mãos em circunstâncias que não estejam previstas nas exceções estabelecidas pela legislação.
Isso inclui, por exemplo, o motorista que conduz o veículo enquanto toma chimarrão.
A regra sobre condução com apenas uma das mãos possui exceções previstas no Código de Trânsito Brasileiro, como situações em que o condutor precisa realizar sinais regulamentares com o braço, trocar a marcha ou acionar equipamentos e acessórios do veículo.
Por isso, a identificação feita pela inteligência artificial não significa, por si só, que uma multa será automaticamente aplicada. O registro ainda passará pelo processo de validação da fiscalização.

Infrações serão analisadas em tempo real
O funcionamento previsto para o sistema é diferente de uma simples câmera que grava imagens para análise posterior.
Quando uma possível infração for identificada, o sistema deverá enviar um alerta em tempo real para uma central de monitoramento.
A ocorrência será então analisada por um policial rodoviário federal.
É esse agente que deverá avaliar a situação e, quando considerar que estão presentes os elementos necessários, adotar as medidas administrativas cabíveis.
Segundo a PRF, portanto, a inteligência artificial funcionará como uma ferramenta de detecção e alerta, enquanto a validação da infração ficará sob responsabilidade do agente de fiscalização.
Imagens não serão armazenadas
Outro ponto informado pela PRF é que as imagens captadas pelo sistema não serão gravadas para armazenamento durante o teste.
A proposta é que o conteúdo seja analisado imediatamente e que o policial avalie a situação em tempo real.
Isso significa que a tecnologia não funcionará simplesmente como um banco de imagens de motoristas. O objetivo declarado é utilizar a inteligência artificial para identificar possíveis irregularidades e encaminhar os alertas aos agentes responsáveis pela fiscalização.
A PRF informou que o policial responsável pela análise possui fé pública para validar a ocorrência e tomar as medidas administrativas previstas quando for constatada a infração.

Período de testes será de 180 dias
O projeto terá caráter experimental.
A PRF prevê um período de testes de 180 dias, durante o qual será avaliado o funcionamento da tecnologia, a capacidade de identificação das infrações e a atuação integrada entre os equipamentos e os agentes da corporação.
Mesmo durante essa fase, entretanto, as irregularidades identificadas poderão ser validadas pelos policiais e gerar as medidas administrativas correspondentes.
Ou seja, o fato de o sistema estar em período de testes não significa necessariamente que as infrações identificadas serão ignoradas. A PRF informou que os registros considerados válidos poderão resultar nas providências previstas na legislação.
Sistema não ficará restrito ao Rio Grande do Sul
O projeto desenvolvido pela PRF não será testado somente no território gaúcho.
Além dos dois equipamentos previstos para a BR-116, no Rio Grande do Sul, a tecnologia também será utilizada experimentalmente em Goiás e Minas Gerais.
A experiência nos diferentes Estados permitirá à corporação avaliar o desempenho do sistema em diferentes condições de tráfego, características de rodovias e comportamentos dos motoristas.
Caso os resultados sejam considerados positivos, a tecnologia poderá servir como referência para futuras estratégias de fiscalização em rodovias federais.

Tecnologia amplia fiscalização sobre comportamento
Atualmente, grande parte da fiscalização eletrônica está concentrada em aspectos como velocidade, avanço de sinal, circulação e identificação de veículos.
O novo sistema representa uma mudança porque pretende utilizar inteligência artificial para analisar também aquilo que acontece dentro do veículo.
Um radar convencional, por exemplo, consegue identificar a velocidade de um automóvel. Já a nova tecnologia pretende reconhecer se o motorista está usando cinto, segurando um celular ou cometendo determinadas condutas que aumentam o risco de acidentes.
A proposta é ampliar a capacidade de fiscalização sem depender exclusivamente da abordagem física do veículo por uma equipe policial.
Segurança viária é uma das justificativas
O projeto ocorre em um momento em que órgãos de trânsito vêm ampliando o uso de tecnologia para tentar reduzir acidentes e comportamentos de risco.
O uso de celular ao volante, a falta do cinto de segurança, a condução de motocicletas sem capacete e determinadas manobras de ultrapassagem estão entre as situações que podem aumentar o risco de acidentes graves.
Ao identificar esses comportamentos, a fiscalização busca atuar sobre condutas que podem passar despercebidas em operações convencionais.
No caso do Rio Grande do Sul, a escolha da BR-116 também está relacionada ao elevado número de ocorrências registrado na região, segundo a PRF.

Como será o funcionamento
De forma simplificada, o sistema deverá seguir este fluxo:
1. Captura: a câmera identifica o veículo e realiza a leitura das informações necessárias.
2. Inteligência artificial: o sistema analisa características do veículo e comportamentos dentro dele.
3. Identificação: caso seja detectada uma possível infração, o equipamento gera um alerta.
4. Central de monitoramento: a informação é encaminhada em tempo real para os agentes.
5. Validação: um policial analisa a situação.
6. Medida administrativa: se a infração for confirmada, o agente poderá adotar as providências previstas na legislação.
Esse processo é importante porque a tecnologia não substitui completamente a avaliação humana. A inteligência artificial atua como instrumento de fiscalização, enquanto a confirmação da ocorrência permanece sob responsabilidade do agente.
O que muda para os motoristas
Para quem trafega pela BR-116 nos trechos de São Leopoldo e Estância Velha, a principal mudança será a possibilidade de fiscalização de comportamentos que normalmente são difíceis de identificar à distância.
Motoristas deverão estar atentos não apenas aos limites de velocidade e à sinalização, mas também às regras relacionadas à condução segura dentro do veículo.
Entre as condutas que poderão entrar no radar da nova tecnologia estão o uso do celular, a falta do cinto de segurança e o uso inadequado das mãos durante a direção.
Motociclistas também deverão ficar atentos, especialmente em relação ao uso obrigatório do capacete.

Projeto ainda será avaliado
Apesar do avanço tecnológico, os próximos meses serão importantes para determinar a efetividade do sistema.
A PRF terá que avaliar a capacidade das câmeras de reconhecer corretamente as situações, o funcionamento da inteligência artificial em diferentes condições e a integração entre os equipamentos e as centrais de monitoramento.
Também será necessário observar a quantidade de ocorrências identificadas e quantas delas efetivamente serão confirmadas pelos agentes.
O período de 180 dias de testes deverá fornecer os primeiros dados concretos sobre o desempenho da ferramenta.
O que já está definido
- Órgão responsável: Polícia Rodoviária Federal (PRF);
- Empresa contratada: Kopp Tecnologia;
- Equipamentos no RS: dois;
- Rodovia: BR-116;
- Municípios: São Leopoldo e Estância Velha;
- Prazo para instalação: até novembro de 2026;
- Período de testes: 180 dias;
- Capacidade prevista: até 82 tipos de infrações;
- Análise: inteligência artificial;
- Alertas: enviados em tempo real;
- Validação: realizada por policial;
- Armazenamento das imagens: não previsto durante o teste;
- Outros Estados participantes: Goiás e Minas Gerais.
Fiscalização mais próxima do motorista
A instalação das câmeras representa uma nova etapa na utilização de inteligência artificial para fiscalização de trânsito no Rio Grande do Sul.
A principal diferença em relação aos equipamentos tradicionais está justamente na possibilidade de observar comportamentos dentro dos veículos, e não apenas informações externas, como velocidade e placa.
Para os motoristas que utilizam a BR-116 entre São Leopoldo e Estância Velha, a orientação passa a ser ainda mais clara: além de respeitar os limites de velocidade e a sinalização, será necessário cumprir as regras de segurança dentro do veículo.
O projeto ainda está em fase experimental, mas os resultados obtidos durante os 180 dias de testes poderão definir se esse tipo de tecnologia terá utilização mais ampla nas rodovias federais brasileiras.










