Capital contabilizou 56 mortes em 55 acidentes fatais nos primeiros oito meses de 2026; número representa cinco vítimas a menos que no mesmo período do ano passado.
Porto Alegre registrou uma redução no número de mortes provocadas por acidentes de trânsito nos primeiros oito meses de 2026, segundo balanço divulgado pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).
Até o final de agosto, foram contabilizadas 56 mortes em 55 acidentes fatais nas vias da Capital. No mesmo período de 2025, eram 61 mortes em 60 ocorrências fatais.
Na comparação anual, portanto, Porto Alegre registra cinco vidas perdidas a menos. A redução ocorre depois de um início de 2026 considerado especialmente preocupante pelas autoridades, com o primeiro bimestre apresentando o maior número de mortes para o período em mais de uma década.
Primeiro bimestre acendeu alerta
O começo do ano apresentou uma trajetória bastante diferente da observada nos meses seguintes.
Entre janeiro e fevereiro, 20 pessoas morreram em acidentes de trânsito em Porto Alegre. O número provocou preocupação entre os órgãos responsáveis pela segurança viária, principalmente porque indicava uma possibilidade de crescimento significativo da mortalidade ao longo do ano.
Se aquele ritmo fosse mantido durante os 12 meses, a projeção trabalhada pelas autoridades apontava para até 120 mortes no trânsito em 2026.
A evolução dos números, entretanto, acabou sendo diferente. A mortalidade se estabilizou ao longo do primeiro semestre e, posteriormente, o balanço dos oito primeiros meses passou a indicar uma redução em relação a 2025.

Primeiro semestre terminou com estabilidade
O balanço divulgado pela EPTC em julho já havia mostrado uma mudança na tendência.
Entre janeiro e junho, foram registrados 44 acidentes fatais, que resultaram em 45 mortes. O número de vítimas era exatamente o mesmo registrado nos primeiros seis meses de 2024 e 2025.
Ou seja, depois das 20 mortes registradas somente nos dois primeiros meses, a curva deixou de apresentar o crescimento que havia sido observado no início do ano.
Com essa estabilização, a projeção de até 120 mortes para 2026 foi reduzida para aproximadamente 90 vítimas ao longo do ano, caso o comportamento observado até aquele momento fosse mantido.
Motociclistas continuam entre os mais vulneráveis
Os dados do primeiro semestre também ajudam a entender o perfil das vítimas.
Das 45 pessoas mortas entre janeiro e junho, 21 eram condutores de veículos. Entre esses condutores, 17 eram motociclistas, o equivalente a aproximadamente 81% dos condutores mortos no período.
Considerando também os demais casos em que motocicletas estiveram envolvidas, o tipo de veículo apareceu em 25 das 45 mortes registradas no primeiro semestre, correspondendo a cerca de 56% dos óbitos.
Os números reforçam a preocupação com a vulnerabilidade de quem utiliza motocicletas, especialmente diante de situações de excesso de velocidade, desrespeito à sinalização e condução sem habilitação regular.

Protásio Alves teve mais mortes
A distribuição dos acidentes fatais também mostra que alguns corredores viários concentram ocorrências graves.
No primeiro semestre, a Avenida Protásio Alves foi a via com o maior número de registros fatais, com cinco mortes.
Na sequência apareceram:
- Avenida João Pessoa: três mortes;
- Avenida Farrapos: três mortes;
- Avenida Bento Gonçalves: três mortes.
Esses dados são utilizados pela EPTC para identificar locais que necessitam de intervenções específicas de fiscalização, engenharia e educação para o trânsito.
Falta de habilitação apareceu entre os principais fatores de risco
A análise parcial realizada pelo Programa Vida no Trânsito (PVT) também identificou comportamentos associados aos acidentes fatais.
Entre os principais fatores encontrados estava a condução por pessoas sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) regularizada ou sem habilitação.
Em 13 dos acidentes fatais registrados no primeiro semestre, pelo menos um dos condutores envolvidos não possuía CNH ou estava com a habilitação irregular.
Em nove dessas ocorrências, havia uma motocicleta envolvida.
Na sequência dos fatores identificados, apareceram o desrespeito ao sinal de parada obrigatória ou ao semáforo, o excesso ou inadequação da velocidade e comportamentos considerados imprudentes.
A EPTC ressalta, porém, que parte dos exames toxicológicos e de alcoolemia ainda estava em processamento quando o levantamento do primeiro semestre foi divulgado. Por isso, a análise dos fatores de risco ainda poderia ser complementada posteriormente.

Fiscalização eletrônica foi ampliada
Diante do cenário registrado no começo de 2026, a EPTC intensificou as ações de fiscalização e passou a utilizar Detectores de Avanço de Sinal (DAS) em cruzamentos considerados críticos.
Ao todo, foram selecionados 15 cruzamentos com histórico de sinistros graves, incluindo locais onde já haviam ocorrido mortes ou acidentes com feridos graves.
Os equipamentos permitem monitorar o avanço do sinal vermelho e também contribuem para a fiscalização da velocidade nos pontos selecionados.
Entre março e julho, os detectores monitoraram mais de 23 milhões de veículos. Segundo a EPTC, somente 0,026% desse total resultou em infrações.
Para o órgão, o índice demonstra que a grande maioria dos motoristas respeita a sinalização nos locais monitorados, ao mesmo tempo em que a tecnologia permite direcionar a fiscalização para os comportamentos considerados de maior risco.
A implantação dos equipamentos ocorreu de forma gradual. Em julho, por exemplo, a EPTC ampliou o monitoramento para cruzamentos como Avenida Ipiranga com Avenida Azenha, Avenida Bento Gonçalves com Estrada João de Oliveira Remião e Avenida Baltazar de Oliveira Garcia com Avenida Dante Ângelo Pilla/Avenida Manoel Elias.
Avanço do sinal vermelho é uma preocupação
A utilização dos detectores também está relacionada a um dado identificado pela EPTC no levantamento de 2025.
Naquele ano, o avanço do sinal vermelho ou da parada obrigatória apareceu como o principal fator de risco identificado entre as mortes no trânsito de Porto Alegre.
Por isso, a fiscalização eletrônica passou a ser utilizada como uma das ferramentas para tentar reduzir esse tipo de comportamento.
A estratégia não se limita à aplicação de multas. A proposta apresentada pela EPTC inclui também educação para o trânsito, planejamento urbano, engenharia viária e análise dos locais de maior risco.

Programa Vida no Trânsito analisa acidentes fatais
Os números fazem parte do monitoramento permanente realizado pelo Programa Vida no Trânsito, que acompanha as ocorrências fatais registradas na Capital.
O programa procura identificar os fatores e comportamentos que contribuíram para cada acidente.
A partir dessas informações, os dados são utilizados para orientar ações de diferentes áreas, como fiscalização, engenharia e educação.
Porto Alegre integra o programa desde 2012, realizando análises das ocorrências fatais para identificar padrões e direcionar medidas preventivas.
A lógica é utilizar os dados dos acidentes não apenas para contabilizar vítimas, mas para identificar onde, como e por que os acidentes graves estão acontecendo.
Prefeitura destaca responsabilidade compartilhada
O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, afirmou que a construção de um trânsito mais seguro depende tanto das ações do poder público quanto do comportamento dos usuários das vias.
Motoristas, motociclistas, pedestres e ciclistas fazem parte do sistema de mobilidade e, portanto, também precisam adotar comportamentos seguros.
A administração municipal considera que não existe um número aceitável de mortes no trânsito e defende a combinação de fiscalização, infraestrutura e conscientização para reduzir a quantidade de vítimas.
O diretor-presidente da EPTC, Pedro Bisch Neto, também afirmou que o início do ano apresentou um cenário preocupante e que, diante disso, foram intensificadas ações de monitoramento, fiscalização, educação e engenharia.
Segundo ele, os números mais recentes indicam uma reversão da tendência inicial, embora ainda exista trabalho a ser realizado para reduzir a mortalidade.

Queda não significa que problema esteja resolvido
Apesar da redução de cinco mortes em relação ao mesmo período de 2025, o cenário ainda exige atenção.
São 56 vidas perdidas em apenas oito meses nas ruas e avenidas de Porto Alegre.
Além disso, os dados mostram que determinados grupos permanecem mais expostos, especialmente os motociclistas, enquanto comportamentos como velocidade inadequada, avanço de sinal e condução sem habilitação aparecem associados às ocorrências fatais.
Por isso, a redução registrada até agosto deve ser interpretada como uma melhora no indicador, mas não como solução definitiva para a violência no trânsito.
A manutenção ou ampliação das medidas de fiscalização, educação e engenharia será determinante para saber se a tendência de queda continuará até o final de 2026.
Estratégia reúne fiscalização, engenharia e educação
As ações da EPTC fazem parte do Plano de Segurança Viária Sustentável (PSVS) de Porto Alegre e seguem as diretrizes do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans).
A estratégia municipal trabalha com diferentes frentes, incluindo fiscalização eletrônica, operações com radar, intervenções de engenharia, identificação de pontos críticos e campanhas de educação.
A EPTC também realiza operações com radares portáteis em diferentes regiões da Capital. Na última semana de agosto, por exemplo, foram realizadas 72 operações, com 23.447 veículos fiscalizados. Onze motoristas foram autuados por velocidades superiores a 100 km/h.
Essas ações fazem parte de uma política de fiscalização permanente, com prioridade para vias de maior fluxo e trechos que apresentam histórico de acidentes.

O que os números mostram
Janeiro a agosto de 2026
- 56 mortes;
- 55 acidentes fatais;
- cinco mortes a menos que no mesmo período de 2025.
Janeiro a junho de 2026
- 45 mortes;
- 44 acidentes fatais;
- 21 vítimas eram condutores;
- 17 dos condutores mortos eram motociclistas;
- motocicletas estiveram envolvidas em 25 das 45 mortes;
- Avenida Protásio Alves teve cinco mortes;
- João Pessoa, Farrapos e Bento Gonçalves tiveram três mortes cada;
- 13 acidentes envolveram pelo menos um condutor sem CNH ou com habilitação irregular.
Fiscalização
- 15 cruzamentos foram selecionados para receber detectores de avanço de sinal;
- Mais de 23 milhões de veículos foram monitorados entre março e julho;
- 0,026% resultaram em infrações.
O balanço da EPTC mostra que Porto Alegre conseguiu interromper a tendência de alta observada no início de 2026 e chegou ao final de agosto com cinco mortes a menos no trânsito em comparação com o mesmo período do ano passado.
A mudança é relevante principalmente porque ocorreu depois de um primeiro bimestre considerado crítico. Ao mesmo tempo, os próprios dados revelam que a Capital ainda enfrenta problemas relacionados à condução sem habilitação regular, avanço de sinal, velocidade inadequada e à elevada participação das motocicletas nos acidentes fatais.
A continuidade das ações de fiscalização, engenharia e educação será fundamental para determinar se a redução observada até agosto será mantida até o encerramento do ano.










