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Porto Alegre testa biocombustível em ônibus

Combustível desenvolvido pela empresa gaúcha Be8 será testado durante seis meses; proposta é reduzir emissões sem modificar os motores dos veículos.

A Prefeitura de Porto Alegre vai iniciar um teste com o biocombustível Be8 BeVant em ônibus do transporte coletivo da Capital. O acordo entre o município e a empresa gaúcha Be8 será formalizado nesta quarta-feira (2), durante a Expointer, em Esteio.

A iniciativa faz parte da estratégia da administração municipal para avaliar alternativas capazes de reduzir as emissões de carbono no transporte público sem comprometer o funcionamento da frota existente. O projeto terá duração prevista de seis meses e será acompanhado pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU) e pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).

O combustível será utilizado em condições reais de operação, permitindo que técnicos e operadores avaliem seu comportamento no trânsito de Porto Alegre e os impactos sobre a rotina dos ônibus.

Primeira linha será a 520.3

A primeira linha escolhida para receber o biocombustível será a 520.3 – Triângulo/24 de Outubro/Auxiliadora.

O itinerário foi selecionado por apresentar características consideradas adequadas para a avaliação, incluindo diferentes extensões, níveis de carregamento, aclives, declives e condições variadas de circulação.

A linha parte do Terminal Triângulo, na Zona Norte, e percorre trechos como as avenidas Assis Brasil, Plínio Brasil Milano, rua 24 de Outubro, avenida Independência e avenida Mauá, chegando à região do Mercado Público.

No sentido Centro-Bairro, o trajeto inclui vias como Júlio de Castilhos, Alberto Bins, Independência, Mostardeiro, Goethe, Dr. Timóteo, Quintino Bocaiúva, Carlos Trein Filho e Plínio Brasil Milano, antes do retorno ao Terminal Triângulo.

A escolha permite observar o desempenho do combustível em uma operação urbana com diferentes condições de tráfego e relevo.

Teste vai avaliar consumo e desempenho

Durante os seis meses de demonstração, serão acompanhados indicadores como quilometragem percorrida, condições de tráfego, demanda de passageiros e desempenho operacional.

Também serão analisados aspectos relacionados ao custo da operação e à logística necessária para abastecer os veículos.

O objetivo é produzir dados que possam ajudar a Prefeitura a decidir quais tecnologias de menor emissão podem ser incorporadas futuramente ao sistema de transporte coletivo da Capital.

A proposta não se limita ao combustível. O chamamento público aberto pela Prefeitura prevê a avaliação de diferentes alternativas para a descarbonização da frota, incluindo ônibus elétricos, biocombustíveis, combustíveis alternativos e sistemas híbridos.

BeVant pode ser utilizado sem adaptação do motor

Segundo a Be8, o Be8 BeVant é um combustível renovável desenvolvido para substituir o diesel fóssil e pode ser utilizado nos motores a diesel existentes sem necessidade de modificações técnicas.

A empresa afirma que o produto pode reduzir em até 99% as emissões de gases de efeito estufa no ciclo considerado pela metodologia divulgada pela companhia, além de manter a performance dos veículos.

Outro diferencial apresentado é o conceito de combustível “drop-in”, que permite sua integração à estrutura existente sem exigir alterações de hardware nos ônibus ou na infraestrutura de abastecimento.

A tecnologia já vem sendo direcionada pela empresa para diferentes aplicações, incluindo caminhões, ônibus, máquinas e geradores.

Porto Alegre busca alternativas ao diesel

A iniciativa ocorre em um momento em que Porto Alegre avalia diferentes caminhos para modernizar sua frota de transporte coletivo.

A Prefeitura abriu, em agosto, o Edital de Chamamento Público nº 001/2026, justamente para receber propostas e testar tecnologias de baixa emissão em condições reais de operação.

A intenção é reunir informações técnicas antes de tomar decisões futuras sobre a transição energética do sistema. Para a administração municipal, testar as tecnologias diretamente nas ruas é uma maneira de verificar como cada alternativa se comporta diante das características específicas da Capital.

O desafio é encontrar uma solução que combine redução de emissões, confiabilidade, autonomia, custo operacional e viabilidade de abastecimento.

Custo também será analisado

A questão financeira terá peso importante na avaliação.

De acordo com informações da Prefeitura, o custo anual estimado do sistema de transporte coletivo de Porto Alegre em 2026 é de R$ 886,6 milhões. Os custos variáveis, que incluem combustíveis, lubrificantes, pneus, peças e acessórios, representam cerca de 34% do custo operacional, enquanto a mão de obra corresponde a 37%.

Por isso, uma eventual mudança na matriz energética da frota precisa considerar não apenas o impacto ambiental, mas também o custo por quilômetro, a disponibilidade dos veículos e a infraestrutura necessária para manter a operação.

BeVant entra na disputa com ônibus elétricos

A escolha do biocombustível ocorre paralelamente aos testes e investimentos relacionados à eletrificação do transporte coletivo.

Porto Alegre já vem avaliando ônibus elétricos e está entre os municípios brasileiros com presença desse tipo de veículo. Um dos obstáculos apontados para a eletrificação é a autonomia das baterias: modelos avaliados possuem autonomia na faixa de 220 a 250 quilômetros, enquanto algumas linhas da Capital podem chegar a aproximadamente 350 quilômetros.

Nesse contexto, combustíveis renováveis podem representar uma alternativa para reduzir emissões, utilizando parte da infraestrutura e dos veículos já existentes.

A principal vantagem do BeVant, segundo a fabricante, está justamente na possibilidade de substituir o diesel sem a necessidade de trocar os motores dos ônibus.

Decisão dependerá dos resultados

O teste não significa que Porto Alegre tenha decidido substituir o diesel por biocombustível em toda a frota.

A etapa atual é experimental e deverá gerar dados para comparar o BeVant com outras alternativas tecnológicas.

Ao final dos seis meses, os resultados poderão indicar se o combustível apresenta vantagens suficientes em termos de emissões, desempenho, consumo, custos e logística para justificar uma utilização mais ampla.

A Prefeitura deverá utilizar essas informações para orientar futuras políticas de modernização e transição energética do transporte coletivo.

O projeto coloca Porto Alegre diante de uma questão prática: como reduzir as emissões da frota sem elevar excessivamente o custo do transporte e sem comprometer a operação diária dos ônibus.

O teste com o Be8 BeVant será uma das respostas que o município pretende avaliar diretamente nas ruas da capital.

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