Fabricantes ampliam atenção a tratores compactos e equipamentos voltados a pequenos e médios produtores em meio aos juros altos e à dificuldade de acesso ao crédito.
A 49ª Expointer, realizada no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, apresenta neste ano um cenário diferente no setor de máquinas agrícolas. Embora grandes tratores, colheitadeiras e equipamentos de alta tecnologia continuem sendo destaque nos estandes, fabricantes passaram a dar maior espaço para máquinas compactas e modelos voltados a pequenos e médios produtores rurais.
A mudança ocorre em um momento de retração do mercado brasileiro de máquinas agrícolas. De janeiro a julho de 2026, o faturamento da indústria caiu 22,4%, chegando a R$ 31,5 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Para o ano, a entidade trabalha com expectativa de queda próxima de 20% na receita do setor.
O cenário é diretamente influenciado pelos juros elevados e pelo crédito mais restrito, fatores que dificultam a decisão de investimento dos produtores.
Tratores compactos ganham espaço
Entre os equipamentos apresentados na feira estão tratores de menor porte, direcionados principalmente para propriedades que não necessitam de máquinas de grande potência.
A Massey Ferguson, por exemplo, levou para a Expointer a linha MF 2700, com modelos entre 35 e 60 cavalos. Os equipamentos são destinados a atividades como horticultura, fruticultura, produção de grãos e pecuária.
A John Deere também reforçou a presença nesse segmento, apresentando modelos como o 3041E, de 41 cavalos, e o 3036EN, de 36 cavalos. Apesar da atenção aos equipamentos compactos, a fabricante mantém na feira máquinas de grande porte, como a colheitadeira S7 600 e tratores da linha 8R.
A estratégia reflete a diversidade do agronegócio gaúcho, que reúne desde grandes propriedades altamente mecanizadas até pequenas unidades de produção familiar.

Crédito rural é decisivo
Um dos principais obstáculos para a recuperação das vendas é a disponibilidade de financiamento.
Representantes do setor apontam que linhas com condições mais favoráveis, como as vinculadas ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), podem favorecer a aquisição de máquinas menores.
O problema é que juros elevados tendem a reduzir os investimentos. Para os fabricantes, a retomada do mercado depende diretamente da capacidade de o produtor conseguir financiamento em condições compatíveis com sua realidade financeira.
A Agritech, por exemplo, destaca que a velocidade de liberação do crédito rural será um dos fatores determinantes para o desempenho das vendas durante a Expointer. A empresa apresenta na feira tratores direcionados justamente às necessidades de pequenas e médias propriedades.
Mercado de máquinas sente retração
O desempenho da indústria demonstra que o momento é de cautela.
Além da queda no faturamento, a própria participação de fabricantes na Expointer foi afetada pelo cenário econômico. Segundo o Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), o número de empresas do setor na edição deste ano caiu cerca de 10%.
Para as empresas, participar de uma feira do porte da Expointer continua sendo importante para apresentar lançamentos, negociar equipamentos e manter contato direto com produtores. Porém, a estratégia comercial precisa considerar um consumidor mais cauteloso.
O produtor rural está avaliando com maior rigor o fluxo de caixa, a rentabilidade da propriedade e as condições de financiamento antes de assumir um novo investimento.

Tecnologia continua presente
A preferência por máquinas menores não significa abandono da tecnologia.
Os grandes fabricantes continuam apresentando equipamentos sofisticados, com recursos destinados à agricultura de precisão, aumento de produtividade, automação e eficiência operacional.
A diferença está no público-alvo. Enquanto máquinas de grande porte atendem principalmente operações agrícolas maiores, os tratores compactos oferecem alternativas para propriedades que precisam de mecanização, mas não possuem escala ou capacidade financeira para adquirir equipamentos de maior potência.
Também chama atenção o crescimento da presença de fabricantes chineses no mercado brasileiro. Segundo a Abimaq, várias dessas empresas estão apresentando equipamentos direcionados à agricultura familiar e ampliando sua participação nas feiras do setor.
Expointer movimenta o agronegócio gaúcho
A Expointer 2026 ocorre de 29 de agosto a 6 de setembro, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
A edição reúne cerca de 2 mil expositores, além de máquinas, equipamentos, animais, produtos da agricultura familiar, tecnologia, serviços e atrações culturais. O parque possui 141 hectares e a organização estima cerca de 30 mil empregos diretos durante as etapas de montagem, realização e desmontagem do evento.
A feira também conta com 509 expositores no Pavilhão da Agricultura Familiar, representando 218 municípios gaúchos. São 400 agroindústrias familiares, 74 empreendimentos de artesanato e 28 expositores de plantas, mudas e flores.
Neste cenário, as máquinas agrícolas continuam sendo uma das principais vitrines da Expointer. Mas, em 2026, o destaque não está apenas nas gigantes que chamam atenção do público.
A aposta comercial está também nos equipamentos menores, mais acessíveis e adequados à realidade de pequenos e médios produtores — justamente em um momento em que juros, crédito e capacidade de investimento pesam sobre as decisões do campo.
Serviço — Expointer 2026
- Local: Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, Esteio
- Período: 29 de agosto a 6 de setembro
- Horário de visitação: das 8h às 20h
- Ingresso: R$ 22
- Meia-entrada: R$ 11
- Crianças menores de 6 anos: entrada gratuita acompanhadas dos responsáveis
- Estacionamento: R$ 53 por veículo










