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RS tem alta de 51% em crimes contra menores

Dados da Segurança Pública apontam 139 ocorrências entre janeiro e julho de 2026; Porto Alegre e Canoas lideram registros no Estado.

O Rio Grande do Sul registrou aumento de 51% nas ocorrências relacionadas à pornografia infantojuvenil e à divulgação de cenas de estupro, sexo ou pornografia envolvendo crianças e adolescentes nos primeiros sete meses de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.

De acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS), foram contabilizadas 139 ocorrências entre janeiro e julho de 2026. No mesmo período de 2025, haviam sido registrados 92 casos.

Os números fazem parte da base de dados abertos da SSP-RS. A secretaria disponibiliza os registros criminais de forma desagregada para consulta pública.

O crescimento ocorre em um cenário de intensificação das investigações relacionadas a crimes sexuais praticados ou facilitados pelo ambiente digital, incluindo casos envolvendo armazenamento, compartilhamento e produção de material de abuso sexual infantojuvenil.

Dois tipos de ocorrência concentram os registros

Dos 139 registros contabilizados de janeiro a julho de 2026, 62 correspondem a casos de pornografia infantojuvenil.

Outras 77 ocorrências envolvem divulgação de cenas de estupro, sexo ou pornografia com vítimas menores de 18 anos.

No mesmo intervalo de 2025, foram registrados:

  • 58 casos de pornografia infantojuvenil;
  • 34 casos de divulgação de cenas de estupro, sexo ou pornografia envolvendo menores;
  • 92 ocorrências no total.

A comparação mostra que o crescimento não está concentrado em apenas uma categoria. Houve aumento nos dois grupos de crimes registrados pelas autoridades.

Porto Alegre e Canoas lideram ocorrências

Os registros de 2026 foram distribuídos por 63 municípios do Rio Grande do Sul.

Entre as cidades com maior número de ocorrências aparecem municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre.

O ranking até julho é:

  1. Porto Alegre — 23 casos
  2. Canoas — 16 casos
  3. Esteio — 9 casos
  4. Gravataí — 5 casos
  5. Viamão — 5 casos

Os números são referentes aos registros contabilizados pela SSP-RS e não incluem os dados da Polícia Federal, conforme a fonte utilizada no levantamento.

A concentração de ocorrências na Região Metropolitana chama atenção pela quantidade de registros e reforça a importância da atuação das delegacias especializadas no combate aos crimes praticados contra crianças e adolescentes, inclusive no ambiente digital.

Polícia Civil aponta aumento das denúncias

A alta registrada nas estatísticas não significa necessariamente que todos os crimes estejam ocorrendo em uma proporção exatamente equivalente ao crescimento percentual dos registros.

A Polícia Civil aponta diferentes fatores que ajudam a explicar o aumento das ocorrências formalizadas.

Entre eles estão o crescimento das denúncias, a maior utilização da internet por crianças e adolescentes, o aprimoramento da capacidade investigativa das forças de segurança e os mecanismos utilizados pelas plataformas digitais para identificar e comunicar conteúdos suspeitos.

O diretor da Divisão Especial da Criança e do Adolescente (Deca), delegado André Mocciaro, afirmou que o trabalho de investigação realizado pela Polícia Civil e pelas delegacias especializadas tem contribuído para identificar mais casos.

Segundo a autoridade policial, o combate ao abuso sexual infantil vem sendo intensificado em diferentes regiões do Estado.

Investigação em Porto Alegre envolve inteligência artificial

O cenário ganhou ainda mais atenção nesta quinta-feira (3), quando a Polícia Civil prendeu um homem de 39 anos em um apartamento na zona norte de Porto Alegre, suspeito de armazenar, compartilhar e produzir arquivos envolvendo cenas de abuso sexual de crianças e adolescentes com utilização de inteligência artificial.

A operação foi realizada pelo Núcleo de Operações Cibernéticas da Deca.

Durante a ação, foram apreendidos celular, tablet, computador e notebook. Os equipamentos serão submetidos a perícia.

O Instituto-Geral de Perícias (IGP), entretanto, já identificou no local a existência de armazenamento de imagens com esse tipo de conteúdo.

A identidade do suspeito não foi divulgada pelas autoridades.

A investigação também busca esclarecer a origem dos arquivos e a eventual participação do investigado em outras práticas criminosas.

Polícia diferencia conteúdo gerado por IA de abuso real

O uso de inteligência artificial acrescenta uma nova dificuldade às investigações.

Segundo o delegado André Mocciaro, é necessário distinguir imagens totalmente produzidas artificialmente de conteúdos que tenham como origem uma situação real de violência sexual contra uma criança ou adolescente.

A Polícia Civil destaca que a manipulação digital não elimina a gravidade do crime quando imagens reais de vítimas são utilizadas.

Além disso, conteúdos podem circular entre diferentes países e dispositivos, o que dificulta a identificação imediata de sua origem.

Meninas são maioria entre vítimas identificadas

Outro dado destacado pelas autoridades é o perfil das vítimas.

Entre os casos registrados em 2026 nos quais houve identificação da vítima, 73 eram meninas e oito eram meninos.

As vítimas identificadas tinham entre seis e 17 anos.

O levantamento indica, portanto, uma predominância expressiva de vítimas do sexo feminino entre os casos em que essa informação estava disponível.

A Polícia Civil também afirma que o perfil dos investigados é diversificado em relação a profissão e classe social, embora a maioria dos suspeitos identificados seja formada por homens.

Internet aumenta desafios para investigação

O ambiente digital criou novas formas de produção, armazenamento e distribuição de conteúdos criminosos.

Imagens podem ser copiadas, armazenadas em diferentes dispositivos e compartilhadas rapidamente por redes sociais, aplicativos de mensagens e serviços de armazenamento.

Além disso, materiais podem ser enviados para outros países, dificultando a identificação de quem produziu originalmente o conteúdo.

Por esse motivo, as investigações dependem cada vez mais de perícia digital, cooperação entre órgãos de segurança e informações fornecidas por plataformas tecnológicas.

Aumento dos registros exige atenção

Para as autoridades, o crescimento das ocorrências deve ser analisado também sob a perspectiva do fortalecimento da rede de investigação e denúncia.

Uma maior quantidade de registros pode refletir não apenas a existência de crimes, mas também maior capacidade de identificação, comunicação e investigação das situações suspeitas.

A SSP-RS mantém uma base pública de dados criminais justamente para ampliar a transparência e permitir o acompanhamento dos indicadores de segurança no Estado.

Ainda assim, os números mostram que o combate à violência sexual contra crianças e adolescentes continua sendo uma questão relevante para as forças de segurança e para toda a rede de proteção.

Como denunciar

Casos suspeitos de abuso ou exploração sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados às autoridades.

No Rio Grande do Sul, estão disponíveis os seguintes canais:

📞 190 — Brigada Militar, em situações de emergência ou risco imediato.

📞 197 — Polícia Civil, para comunicação de crimes e informações que possam auxiliar investigações.

📞 181 — Disque-Denúncia, para denúncias à segurança pública.

📞 0800 642 6400 — Divisão Especial da Criança e do Adolescente (Deca).

📞 Disque 100 — Direitos Humanos, canal nacional para denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes.

A orientação é não compartilhar, encaminhar ou republicar imagens suspeitas. O material deve ser comunicado às autoridades competentes, preservando informações que possam ajudar na investigação.

Proteção também começa dentro de casa

A Polícia Civil recomenda que pais e responsáveis acompanhem a utilização da internet por crianças e adolescentes.

Entre as medidas preventivas estão estabelecer regras para utilização de aplicativos e redes sociais, orientar sobre o risco de conversar com desconhecidos e evitar o compartilhamento de informações pessoais.

Também é recomendado manter um ambiente de diálogo no qual crianças e adolescentes possam comunicar situações desconfortáveis sem medo de punição.

Mudanças repentinas de comportamento, isolamento, agressividade, queda no rendimento escolar, uso excessivo e secreto de dispositivos ou alteração significativa da rotina podem exigir atenção dos responsáveis.

Esses sinais, isoladamente, não comprovam a ocorrência de abuso, mas podem indicar a necessidade de conversar com a criança ou adolescente e buscar orientação profissional quando houver preocupação.

Cenário no Estado

Os dados oficiais mostram que, entre janeiro e julho de 2026, o Rio Grande do Sul registrou 139 ocorrências relacionadas aos crimes analisados, contra 92 no mesmo período de 2025.

A diferença representa um aumento de 47 registros, equivalente a aproximadamente 51%.

Porto Alegre aparece na primeira posição entre os municípios com maior número de registros, seguida por Canoas, Esteio, Gravataí e Viamão.

Ao mesmo tempo em que as estatísticas aumentam, as forças de segurança ampliam o trabalho de investigação, especialmente diante da utilização crescente de tecnologias digitais e inteligência artificial para produzir, manipular ou distribuir conteúdos criminosos.

O combate a esses crimes depende da atuação integrada entre Polícia Civil, Polícia Federal, Ministério Público, Judiciário, plataformas digitais, escolas, famílias e demais integrantes da rede de proteção.

📊 Números do RS

139 — ocorrências entre janeiro e julho de 2026

92 — ocorrências no mesmo período de 2025

51% — aumento registrado

77 — casos de divulgação de cenas de estupro, sexo ou pornografia envolvendo menores em 2026

62 — casos de pornografia infantojuvenil em 2026

63 — municípios com registros em 2026

73 — vítimas identificadas do sexo feminino

8 — vítimas identificadas do sexo masculino

📍 Municípios com mais registros

Porto Alegre: 23
Canoas: 16
Esteio: 9
Gravataí: 5
Viamão: 5

Fonte: Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul.

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