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Clínicas opera com restrição máxima

Hospital atende 130 pacientes para uma capacidade de 56; Santa Casa, Conceição e Instituto de Cardiologia também enfrentam superlotação nesta quinta-feira.

A Emergência adulta do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) opera em restrição máxima nesta quinta-feira (3) devido à superlotação. A unidade, que tem capacidade para atender até 56 pacientes, estava com 130 pessoas em atendimento na manhã de hoje.

A medida começou na manhã de quarta-feira (2), inicialmente com previsão de duração de 24 horas. Diante da permanência do quadro de lotação, o hospital decidiu estender a restrição até as 21h desta quinta-feira. Durante esse período, a emergência recebe apenas pacientes encaminhados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Segundo o Hospital de Clínicas, a restrição é necessária para garantir condições adequadas de atendimento aos pacientes que já estão na unidade e evitar uma sobrecarga ainda maior das equipes.

Emergência está mais de duas vezes acima da capacidade

A situação representa uma ocupação de aproximadamente 232% da capacidade da emergência adulta.

Na quarta-feira, quando a restrição foi adotada, o setor chegou a registrar 160 pacientes para uma estrutura projetada para 56 pessoas.

Nesta quinta-feira, o número havia recuado para 130, mas permanecia muito acima do limite operacional.

Esta é a terceira vez em 2026 que o Hospital de Clínicas precisa adotar uma restrição máxima em sua emergência adulta em razão da superlotação.

Falta de leitos é um dos principais problemas

De acordo com o chefe da emergência do Clínicas, Daniel Pedrollo, um dos principais fatores por trás da superlotação é a falta de leitos para internação.

Grande parte dos pacientes permanece na emergência aguardando a disponibilidade de uma vaga para ser transferida para uma unidade de internação.

Esse cenário acaba reduzindo a capacidade de atendimento do setor de emergência, já que pacientes que deveriam seguir para outras áreas permanecem ocupando espaços destinados ao atendimento de novos casos.

O problema não é exclusivo do Hospital de Clínicas. Outras instituições de referência de Porto Alegre também registram ocupação acima da capacidade nesta quinta-feira.

Santa Casa tem 53 pacientes para 28 leitos

Na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, a emergência destinada ao Sistema Único de Saúde (SUS) também apresenta superlotação.

A unidade possui capacidade para 28 leitos, mas registrava 53 pacientes na manhã desta quinta-feira.

A emergência atende pacientes em situação de risco de vida ou pessoas encaminhadas por órgãos públicos da área da saúde.

A situação representa quase o dobro da capacidade física disponível no setor.

Hospital Conceição também está superlotado

O Hospital Nossa Senhora da Conceição, referência para atendimento pelo SUS na Capital, também opera acima da capacidade.

A emergência possui 51 leitos, mas registrava 88 pacientes na manhã desta quinta-feira.

Assim como nas demais instituições, a elevada ocupação limita a capacidade de absorver novos pacientes e aumenta a pressão sobre profissionais e estruturas hospitalares.

Instituto de Cardiologia ultrapassa 400% de ocupação

O cenário também é crítico no Instituto de Cardiologia, que registra uma ocupação superior a 400% na emergência SUS.

Segundo a instituição, o quadro é reflexo de um problema considerado crônico e complexo de superlotação dos hospitais credenciados para atendimento pelo SUS.

Mesmo diante da elevada ocupação, a unidade continua recebendo pacientes em risco iminente de vida e aqueles regulados pelo Samu.

São Lucas passa por reformas

No Hospital São Lucas da PUCRS, a situação possui uma particularidade.

A emergência SUS passa por obras de reforma, fazendo com que pacientes sejam absorvidos por outros setores da instituição.

Na manhã desta quinta-feira, eram atendidas 24 pessoas, incluindo pacientes com diferentes condições clínicas, entre elas casos oncológicos e neurológicos.

A unidade já vinha enfrentando limitações relacionadas à reforma desde junho.

Por que as emergências estão lotadas?

A Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre informou que a elevada ocupação dos leitos hospitalares vem sendo observada desde julho.

Entre os fatores apontados pela secretaria estão:

  • Aumento das internações por doenças respiratórias;
  • Permanência prolongada de pacientes oncológicos;
  • Aumento de casos de infecções;
  • Atendimento de pacientes provenientes de outros municípios.

A combinação desses fatores aumenta a demanda sobre as emergências e reduz a disponibilidade de leitos para novas internações.

Orientação da Secretaria Municipal de Saúde

Diante do cenário de pressão sobre a rede hospitalar, a Secretaria Municipal de Saúde orienta a população a manter a vacinação em dia, especialmente contra gripe e Covid-19.

A pasta também recomenda medidas de proteção contra o frio e atenção aos primeiros sinais de agravamento de sintomas.

A orientação é procurar atendimento médico quando houver necessidade, mas considerar os diferentes pontos da rede de saúde de acordo com a gravidade do quadro.

Em situações de emergência ou risco de morte, o atendimento deve ser buscado imediatamente e o Samu pode ser acionado pelo telefone 192.

Restrição não significa fechamento do hospital

É importante destacar que a restrição máxima está direcionada à emergência adulta do Hospital de Clínicas.

O hospital continua funcionando em suas demais áreas e serviços.

A medida significa que, temporariamente, a emergência recebe apenas pacientes encaminhados pelo Samu, enquanto a equipe trabalha para reduzir a superlotação e garantir atendimento adequado às pessoas que já estão no setor.

A situação será reavaliada pelo hospital conforme a disponibilidade de leitos e a evolução do número de pacientes.

Cenário preocupa a rede de saúde de Porto Alegre

A situação simultânea de superlotação em diferentes hospitais de alta complexidade mostra que o problema ultrapassa uma única instituição.

Clínicas, Santa Casa, Conceição e Instituto de Cardiologia apresentam diferentes níveis de pressão sobre suas emergências, enquanto o São Lucas enfrenta limitações adicionais devido às obras.

Para a população, o cenário pode significar maior tempo de espera e restrições temporárias de atendimento, especialmente para pacientes que não chegam encaminhados pela regulação do sistema de saúde.

A principal questão apontada pelas instituições é a dificuldade de liberar pacientes da emergência para leitos de internação, criando um efeito de acumulação dentro dos próprios setores de pronto atendimento.

Números da superlotação nesta quinta-feira

HospitalCapacidadePacientes
Hospital de Clínicas56130
Santa Casa — emergência SUS2853
Hospital Conceição5188
Instituto de CardiologiaMais de 400% da capacidade
São Lucas da PUCRSEmergência em reforma24

Os números correspondem ao cenário informado pelas instituições e pela Secretaria Municipal de Saúde na manhã de quinta-feira (3).

Serviço

Hospital de Clínicas: emergência adulta em restrição máxima até as 21h desta quinta-feira, recebendo apenas pacientes encaminhados pelo Samu.

Samu: 192 para situações de urgência e emergência.

Emergência: em casos graves ou de risco de morte, a orientação é buscar atendimento imediatamente.

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