Réu foi condenado por oito crimes cometidos entre 2005 e 2015; esposa também recebeu pena de 20 anos por participação em um dos casos.
A Justiça do Rio Grande do Sul condenou um homem a 166 anos e 12 dias de prisão, em regime fechado, por oito crimes sexuais cometidos contra crianças e adolescentes vulneráveis no município de Vacaria, nos Campos de Cima da Serra.
A sentença foi proferida pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Vacaria e divulgada nesta quinta-feira (3). A decisão também condenou a esposa do réu a 20 anos de reclusão, em regime fechado, pela participação em um dos episódios investigados.
Os crimes ocorreram entre 2005 e 2015. Conforme a acusação, as vítimas tinham entre 2 e 12 anos na época dos fatos e os abusos teriam acontecido de forma reiterada em ambientes de convivência familiar ou de confiança.
Denúncia envolvia nove vítimas
Segundo informações do processo, a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), em julho de 2025, atribuía ao homem a prática de 10 crimes contra nove vítimas.
Ao final da análise judicial, ele foi condenado por oito delitos. O réu já estava preso preventivamente e, conforme a sentença, não poderá recorrer em liberdade.
A identidade dos envolvidos não foi divulgada, e o processo tramita em segredo de Justiça, medida que busca preservar principalmente as vítimas, que eram crianças e adolescentes à época dos fatos.

Juíza destacou consistência dos relatos
Na análise das provas, a juíza Luciana Rech Slaviero Porath Boniotti considerou que os relatos apresentados pelas vítimas foram firmes, coerentes e convergentes em relação à forma de atuação atribuída ao acusado.
A magistrada ressaltou que crimes sexuais contra crianças frequentemente acontecem em ambientes sem testemunhas e podem envolver mecanismos de manipulação psicológica e silenciamento das vítimas.
A decisão também apontou que a semelhança entre os relatos não foi interpretada como combinação de versões, mas como indicativo de um padrão de comportamento repetido.
Conforme descrito na sentença, o acusado utilizava estratégias para se aproximar das crianças e conseguir permanecer sozinho com elas, apresentando os abusos sob uma aparência de afeto ou brincadeira.
Esposa também foi condenada
A sentença também analisou a participação da esposa do réu em um dos episódios.
Segundo a decisão, as provas demonstraram que ela presenciou diretamente uma das situações de abuso e não interveio. A magistrada considerou que a conduta teve elevada gravidade diante do contexto em que os fatos ocorreram.
A mulher foi condenada a 20 anos de prisão em regime fechado.
A decisão considerou especialmente grave o fato de a situação ter ocorrido dentro do ambiente doméstico e envolver uma criança pequena.

Crimes ocorreram ao longo de dez anos
Um dos aspectos destacados no processo é o longo período em que os crimes teriam ocorrido.
De acordo com a acusação, os episódios se estenderam de 2005 a 2015, envolvendo diferentes vítimas e ocorrendo em contextos de convivência familiar ou relações de confiança.
Na sentença, a magistrada apontou que os impactos provocados pelos crimes foram extremamente graves e duradouros para as vítimas.
A análise judicial levou em consideração o conjunto de provas produzido ao longo da investigação e do processo criminal.
Processo tramita em segredo de Justiça
Por envolver crimes sexuais contra crianças e adolescentes, o processo tramita em segredo de Justiça. Por esse motivo, informações que possam identificar as vítimas ou expor detalhes de suas histórias não são divulgadas.
A condenação representa uma decisão de primeira instância da Justiça estadual. O homem, entretanto, não poderá recorrer em liberdade, conforme determinado na sentença.
O caso reforça a importância da proteção de crianças e adolescentes diante de situações de violência sexual, especialmente em ambientes de convivência e confiança.










