Rio Grande do Sul não registra casos da doença neste momento, mas autoridades reforçam vigilância e vacinação diante do avanço do sarampo no Brasil e nas Américas.
O Rio Grande do Sul reforçou o alerta epidemiológico contra o sarampo diante do aumento de casos registrados em outros estados brasileiros e do crescimento da circulação do vírus em diferentes países. A orientação da Secretaria Estadual da Saúde (SES) é para que os serviços de saúde estejam atentos à identificação de casos suspeitos, realizem a notificação imediata e adotem medidas de controle para evitar uma possível reintrodução da doença no território gaúcho.
Apesar do alerta, o Estado não registra casos de sarampo neste momento. Segundo o Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), os últimos casos confirmados no Rio Grande do Sul ocorreram em 2024 e 2025 e foram classificados como importados, relacionados a viagens internacionais, sem registro de transmissão para outras pessoas no Estado.
Casos em outros Estados aumentam preocupação
Desde o início de junho, o Brasil voltou a registrar casos importados e relacionados à importação, com um surto ativo em São Paulo.
Até o momento, foram confirmados 21 casos em Guarulhos, São Bernardo do Campo e São Paulo. Também houve registros anteriores no Rio de Janeiro e em São Paulo, cujos surtos já foram encerrados.
O cenário preocupa as autoridades sanitárias porque o sarampo é altamente contagioso e pode voltar a circular em locais onde existam pessoas sem proteção adequada pela vacinação.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) também aponta crescimento da doença. Até julho de 2026, o número de casos confirmados de sarampo no mundo havia aumentado 12% em relação ao mesmo período de 2025.

Américas registram maior número de casos em 22 anos
A situação internacional também contribui para o reforço da vigilância no Brasil.
Nas Américas, foram registrados mais de 47 mil casos de sarampo em 17 países, além de 44 mortes. Trata-se do maior número de casos na região nos últimos 22 anos.
Quatro países concentram cerca de 95% dos registros: Guatemala, México, Estados Unidos e Peru.
Em novembro de 2024, o Brasil havia sido certificado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) como país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo. Entretanto, casos importados e surtos localizados mantêm o risco de reintrodução da doença.
Quais são os sintomas do sarampo?
O sarampo é uma doença viral aguda e extremamente contagiosa. Entre os principais sinais estão:
- Febre;
- Manchas vermelhas na pele, conhecidas como exantema;
- Tosse;
- Coriza;
- Conjuntivite;
- Aumento dos gânglios linfáticos em alguns casos.
De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, também devem ser investigadas pessoas que apresentem febre e manchas vermelhas e tenham viajado, nos 30 dias anteriores, para regiões onde existe circulação do vírus.
A transmissão ocorre principalmente por meio de secreções respiratórias, eliminadas quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala. O vírus apresenta elevada capacidade de disseminação, especialmente em ambientes com pessoas não imunizadas.

Notificação de casos suspeitos é obrigatória
O alerta do Cevs orienta os serviços públicos e privados de saúde a manterem as equipes preparadas para reconhecer rapidamente possíveis casos.
A suspeita de sarampo ou rubéola é de notificação compulsória e imediata. A comunicação à vigilância em saúde municipal deve ocorrer em até 24 horas.
A partir da notificação, podem ser adotadas medidas como investigação epidemiológica, busca ativa de contatos e vacinação seletiva das pessoas expostas.
Também é recomendado que casos suspeitos sejam mantidos em isolamento durante o período de transmissibilidade e que o paciente utilize máscara cirúrgica ao procurar atendimento de saúde.
Vacinação é a principal forma de prevenção
A vacinação contra o sarampo continua sendo a principal estratégia para evitar a circulação do vírus.
A Secretaria Estadual da Saúde orienta a população a verificar a caderneta de vacinação e procurar uma unidade de saúde em caso de dúvidas sobre o esquema vacinal.
De acordo com o calendário informado pela SES:
- Pessoas dos 12 meses aos 29 anos devem ter duas doses da vacina tríplice viral;
- Pessoas dos 30 aos 59 anos devem ter uma dose da tríplice viral caso não tenham comprovação de vacinação.
A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola.

Alerta não significa que há surto no RS
Apesar do reforço das medidas de vigilância, é importante destacar que o alerta estadual não significa que exista atualmente um surto de sarampo no Rio Grande do Sul.
A preocupação das autoridades está relacionada ao risco de entrada do vírus por pessoas infectadas em outras regiões ou países. Por isso, a identificação rápida de casos suspeitos e a manutenção da vacinação são consideradas fundamentais para impedir que uma eventual introdução provoque transmissão local.
O cenário exige atenção principalmente diante da circulação do vírus em outros Estados brasileiros e do aumento expressivo de casos nas Américas.
Orientação para a população
A recomendação das autoridades de saúde é que a população mantenha a vacinação atualizada, especialmente antes de viagens para locais onde há circulação do sarampo.
Quem apresentar febre acompanhada de manchas vermelhas, principalmente quando houver tosse, coriza ou conjuntivite, deve procurar atendimento médico e informar eventuais viagens recentes.
A orientação é evitar contato próximo com outras pessoas enquanto houver suspeita da doença e comunicar aos profissionais de saúde sobre os sintomas e o histórico de deslocamentos.
O objetivo da vigilância é justamente identificar rapidamente possíveis casos e impedir que o vírus volte a circular no Rio Grande do Sul.










