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Vacina contra câncer será testada em Porto Alegre

O Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, participa de um estudo clínico internacional que testa uma nova terapia personalizada contra o câncer de pulmão. O tratamento utiliza uma tecnologia baseada em RNA mensageiro (mRNA) e tem como objetivo ajudar o sistema imunológico a reconhecer e combater células tumorais, buscando reduzir o risco de retorno da doença.

Apesar de ser chamada de “vacina contra o câncer”, a estratégia não funciona como as vacinas tradicionais utilizadas para prevenir doenças. Neste caso, o tratamento é destinado a pacientes que já tiveram câncer de pulmão e passaram por cirurgia para retirada do tumor.

O estudo é conduzido internacionalmente e conta com diferentes centros de pesquisa. Em Porto Alegre, o Hospital Moinhos de Vento está entre as instituições que participam da investigação. Atualmente, seis pacientes participam do protocolo na instituição, segundo informações divulgadas pelo hospital.

Tratamento é personalizado para cada paciente

Um dos principais diferenciais da terapia é justamente a possibilidade de personalização do tratamento.

O medicamento, conhecido como intismeran autogene (V940), é desenvolvido a partir das características genéticas encontradas no tumor retirado do paciente.

A lógica é identificar alterações específicas presentes nas células cancerígenas e utilizar essas informações para preparar uma resposta mais direcionada do sistema imunológico.

Segundo o oncologista Guilherme Geib, do Hospital Moinhos de Vento, a proposta é ajudar o organismo a reconhecer as células cancerígenas que eventualmente permaneçam no corpo e combatê-las.

Isso ocorre porque o câncer consegue, em determinadas situações, escapar da vigilância do sistema imunológico. As células tumorais podem apresentar características semelhantes às células normais, dificultando seu reconhecimento como uma ameaça.

A terapia experimental busca justamente aumentar essa capacidade de identificação.

Vacina não serve para prevenir o câncer

Um dos pontos mais importantes para entender a pesquisa é que o tratamento não é uma vacina preventiva contra o câncer de pulmão.

A terapia está sendo estudada como uma forma de tratamento complementar para pessoas que já desenvolveram a doença.

Os pacientes selecionados para o protocolo passam por cirurgia para retirada do tumor e recebem tratamento dentro das condições estabelecidas pelo estudo clínico.

O objetivo é verificar se a combinação da terapia experimental com a imunoterapia consegue aumentar o período em que o paciente permanece sem sinais da doença e diminuir o risco de recorrência.

Estudo compara vacina com placebo

Para determinar se a terapia realmente funciona, o estudo utiliza uma metodologia controlada.

Os participantes são divididos em grupos. Uma parte recebe a terapia experimental, enquanto outra recebe placebo, mantendo o tratamento de imunoterapia previsto no protocolo.

O estudo é realizado de forma cega, ou seja, nem o paciente nem os médicos envolvidos diretamente sabem, durante a pesquisa, quem recebeu a vacina experimental e quem recebeu o placebo.

Esse modelo permite aos pesquisadores comparar os resultados dos grupos de maneira mais confiável e identificar se eventuais diferenças são realmente provocadas pelo tratamento estudado.

Pesquisa está em fase avançada

O estudo que investiga o uso do V940 contra o câncer de pulmão está na fase 3 de pesquisa clínica.

Essa etapa é realizada com um número maior de participantes e busca avaliar de maneira mais ampla a eficácia e a segurança do tratamento.

No estudo registrado internacionalmente, a pesquisa compara a combinação de pembrolizumabe e intismeran autogene com pembrolizumabe e placebo em pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas.

O objetivo principal é verificar se a terapia experimental aumenta o período livre da doença após o tratamento.

Resultados ainda não estão disponíveis

Apesar do avanço da pesquisa, ainda não é possível afirmar que a vacina funciona contra o câncer de pulmão.

O estudo continua em andamento e os pesquisadores precisam acompanhar os participantes durante um período prolongado para avaliar a eficácia.

No Hospital Moinhos de Vento, o médico responsável pelo estudo informou que ainda não há pacientes que tenham concluído todo o período de acompanhamento necessário para avaliar os resultados.

A expectativa é que dados mais consistentes sobre a eficácia da terapia contra o câncer de pulmão sejam obtidos somente nos próximos anos, com resultados previstos a partir de 2028 ou 2029.

Segurança já é acompanhada pelos pesquisadores

A pesquisa também acompanha de forma rigorosa possíveis efeitos adversos e a segurança da terapia.

Segundo o oncologista do Hospital Moinhos de Vento, citado na reportagem, os dados disponíveis até o momento permitem considerar a terapia segura dentro do contexto do estudo.

Isso, porém, não significa que sua eficácia contra o câncer de pulmão já esteja comprovada.

Segurança e eficácia são avaliadas separadamente nos estudos clínicos. Uma terapia pode apresentar um perfil de segurança considerado aceitável e ainda não demonstrar benefício suficiente contra determinada doença.

Por isso, os pesquisadores continuam acompanhando os participantes antes de qualquer conclusão definitiva.

Tecnologia já apresentou resultados em outro tipo de câncer

A tecnologia utilizada na pesquisa ganhou atenção internacional depois de resultados obtidos em estudos envolvendo melanoma, um tipo de câncer de pele.

Em 2026, Moderna e MSD divulgaram resultados de uma pesquisa na qual a terapia personalizada baseada em mRNA foi combinada com pembrolizumabe.

Os resultados positivos no melanoma ajudaram a ampliar a investigação da plataforma para outros tipos de câncer, incluindo tumores de pulmão e bexiga.

Isso, entretanto, não significa que os resultados obtidos em um tipo de câncer possam ser automaticamente aplicados a outro. Cada tumor exige estudos específicos para determinar segurança e eficácia.

Outros centros brasileiros também participam da pesquisa

O estudo de câncer de pulmão conta com centros de pesquisa em diferentes regiões do Brasil.

Além do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, registros da pesquisa indicam participação de instituições em estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e Rio Grande do Norte, entre outros locais.

No Rio Grande do Sul, também existem centros envolvidos em estudos relacionados à terapia, incluindo instituições em Porto Alegre, Bento Gonçalves, Passo Fundo e Santa Cruz do Sul, conforme os registros de pesquisas clínicas disponíveis.

Como funciona a estratégia

De maneira simplificada, o tratamento segue uma lógica diferente da vacinação convencional.

Primeiro, o tumor do paciente é analisado para identificar alterações genéticas específicas das células cancerígenas.

A partir dessas informações, é desenvolvida uma terapia personalizada destinada a estimular o sistema imunológico a reconhecer determinadas características do tumor.

A intenção é fazer com que as células de defesa tenham maior capacidade de identificar e atacar células cancerígenas que possam permanecer no organismo após os tratamentos convencionais.

O objetivo final é reduzir a possibilidade de recorrência da doença e aumentar o tempo em que o paciente permanece livre do câncer.

Pesquisa não significa tratamento disponível para todos

Outro ponto importante é que a terapia ainda está dentro de um estudo clínico.

Isso significa que ela não deve ser interpretada como um tratamento já aprovado e disponível para qualquer paciente com câncer de pulmão.

A participação depende de critérios médicos e científicos definidos pelo protocolo da pesquisa, incluindo características específicas do tumor, estágio da doença, tratamentos anteriores e condições clínicas.

O registro do estudo estabelece critérios de inclusão e exclusão que precisam ser avaliados pela equipe responsável pela pesquisa.

Porto Alegre ganha destaque na pesquisa oncológica

A participação do Hospital Moinhos de Vento coloca Porto Alegre entre os centros que acompanham uma das linhas mais avançadas de pesquisa envolvendo vacinas personalizadas contra o câncer.

O uso de tecnologias baseadas em RNA mensageiro representa uma das frentes estudadas atualmente pela oncologia para tentar tornar os tratamentos mais individualizados.

A proposta é utilizar características específicas de cada tumor para orientar a resposta do sistema imunológico, em vez de aplicar exatamente a mesma estratégia para todos os pacientes.

Ainda assim, os pesquisadores reforçam que a tecnologia precisa passar por todas as etapas de avaliação antes de ser considerada uma opção terapêutica comprovadamente eficaz.

Jornal MPV

A pesquisa representa uma frente importante no desenvolvimento de novos tratamentos contra o câncer, mas os resultados ainda precisam ser comprovados cientificamente.

Por enquanto, o tratamento deve ser entendido como experimental e restrito ao contexto da pesquisa clínica. Não se trata de uma vacina preventiva contra o câncer de pulmão nem de uma terapia já disponível de forma ampla.

O Jornal MPV acompanha os avanços da pesquisa científica e da medicina no Rio Grande do Sul, especialmente iniciativas desenvolvidas em instituições de Porto Alegre.

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