Os Correios acionaram o Tribunal Superior do Trabalho (TST) para tentar encerrar a greve dos trabalhadores da estatal, iniciada na noite de quinta-feira (10). A empresa apresentou pedido de dissídio coletivo de greve na sexta-feira (11) e solicitou que a paralisação seja considerada abusiva, além de pedir a retomada dos serviços em caráter de urgência.
A greve foi aprovada por tempo indeterminado depois que trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pela empresa durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027. Segundo a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect), 35 assembleias haviam aprovado a paralisação.
A mobilização começou às 22h de quinta-feira (10) e ocorre em diferentes regiões do país. A Findect informou que a paralisação envolve, entre outras, as bases de São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru, Santos, Maranhão e Mato Grosso do Sul. A entidade também orienta a ampliação da mobilização a partir desta segunda-feira (14).
Plano de saúde é principal ponto de conflito
Um dos principais pontos de divergência entre os trabalhadores e a direção dos Correios envolve o plano de saúde dos empregados, aposentados e dependentes.
A Findect afirma que a categoria rejeita mudanças na condição dos Correios como mantenedores do benefício. Para a entidade sindical, a alteração pode afetar o custeio e a garantia da assistência médica aos trabalhadores e seus familiares.
A federação sustenta que a decisão pela greve ocorreu depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação realizadas no próprio TST, sem que as partes chegassem a um acordo.

Correios defendem proposta apresentada
Os Correios afirmam que a proposta apresentada durante as negociações buscava conciliar a situação financeira da estatal com a manutenção dos direitos dos empregados e a continuidade dos serviços prestados à população.
Segundo a empresa, a proposta preservava 78 das 80 cláusulas do acordo anterior e previa reajuste integral com base no INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) para salários e benefícios. A estatal também afirma que manteve a assistência à saúde.
Antes da greve, os Correios já haviam recorrido ao TST para tentar construir uma solução negociada para o novo acordo coletivo. A empresa informou, em agosto, que vinha realizando reuniões com sindicatos e empregados e que buscava uma alternativa compatível com a situação econômico-financeira da estatal.
Agências continuam abertas
Apesar da greve, os Correios afirmam que as agências permanecem abertas.
A estatal informou que adotou medidas para tentar reduzir os efeitos da paralisação, entre elas o remanejamento de equipes, a utilização de empregados administrativos em atividades operacionais, reforço da frota e realização de mutirões.
Na prática, porém, a paralisação pode provocar alterações no fluxo de encomendas, cartas e demais serviços postais, especialmente caso a mobilização seja ampliada nos próximos dias.
A dimensão dos impactos dependerá da adesão dos trabalhadores em cada região e da capacidade dos Correios de manter a operação com as equipes disponíveis.

Estatal enfrenta crise financeira
A greve ocorre em um momento delicado para os Correios, que enfrentam uma grave crise financeira.
Dados divulgados durante a mobilização apontam que a estatal acumulou prejuízo de aproximadamente R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026. No segundo trimestre, o resultado negativo ficou em torno de R$ 2,2 bilhões.
Como parte da tentativa de reorganizar as contas, os Correios também solicitaram um novo empréstimo de R$ 7 bilhões junto a instituições financeiras. A operação depende de garantia do Tesouro Nacional.
O cenário financeiro aumenta a pressão sobre as negociações trabalhistas, já que a empresa tenta reduzir custos enquanto os trabalhadores defendem a manutenção de direitos e benefícios.
Governo e trabalhadores ainda podem voltar à mesa de negociação
A apresentação do dissídio coletivo ao TST coloca o tribunal novamente no centro da disputa entre os Correios e os trabalhadores.
O processo poderá resultar em novas audiências de conciliação e, caso não haja acordo, o tribunal poderá analisar as reivindicações apresentadas pelas partes e as condições da paralisação.
A Findect, por sua vez, afirma que pretende manter a mobilização e busca uma nova proposta que preserve os direitos da categoria, principalmente em relação ao plano de saúde.
Neste momento, portanto, não há previsão definida para o fim da greve. A paralisação segue por tempo indeterminado enquanto o impasse é levado à Justiça do Trabalho.
O impasse entre os Correios e os trabalhadores agora será acompanhado pelo Tribunal Superior do Trabalho, enquanto a categoria mantém a paralisação e a estatal tenta preservar a continuidade dos serviços postais.










