UPA Moacyr Scliar restringe atendimento a casos mais graves, enquanto Emergência do Hospital Conceição reduz temporariamente o recebimento de pacientes encaminhados pela rede.
As emergências de hospitais e unidades de pronto atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam superlotação em Porto Alegre nesta terça-feira (15). O cenário mais crítico está na UPA Moacyr Scliar, na Zona Norte, que permanece com a capacidade acima do limite e restringe temporariamente o atendimento aos casos de maior gravidade.
De acordo com atualização encaminhada pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), a situação também afeta a Emergência do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), que amanheceu com 80 pacientes e mantém medidas excepcionais para reduzir a pressão sobre o serviço.
O quadro é agravado pela indisponibilidade de leitos regulados pelos gestores municipal e estadual do SUS, fazendo com que pacientes permaneçam por mais tempo nas unidades de emergência enquanto aguardam transferência para internação.
UPA Moacyr Scliar atende apenas casos mais graves
Na UPA Moacyr Scliar, 63 pacientes aguardavam leito hospitalar na atualização divulgada pelo GHC. Além deles, havia quatro pacientes classificados como laranja, com possibilidade de necessidade de internação.
Diante da superlotação, a unidade passou a atender temporariamente apenas pacientes classificados como laranja e vermelho, que correspondem a situações de maior prioridade clínica.
Pacientes classificados como azul, verde e amarelo permanecem temporariamente com a entrada restrita.
A medida será reavaliada no próximo turno, segundo o GHC. A classificação dos pacientes é realizada conforme o Protocolo de Manchester, que estabelece a prioridade de atendimento de acordo com a gravidade do quadro clínico.
A UPA já havia registrado, na segunda-feira (14), uma taxa de ocupação de 441%, segundo dados divulgados sobre o serviço. Nesta terça-feira, o painel da Secretaria Municipal de Saúde apontava ocupação de 376% até as 11h, com 64 pacientes aguardando leito.

Hospital Conceição também opera sob pressão
A Emergência do Hospital Nossa Senhora da Conceição amanheceu com 80 pacientes nesta terça-feira.
Segundo o GHC, houve uma leve melhora em relação ao cenário anterior, mas a situação continua delicada. A previsão é de que o número de internações seja superior ao de altas ao longo do dia, o que mantém a pressão sobre a capacidade hospitalar.
Por esse motivo, permanece temporariamente reduzido o recebimento de pacientes encaminhados pela rede.
A medida não significa o fechamento da emergência. De acordo com o GHC, casos graves de demanda espontânea continuam sendo acolhidos.
As internações eletivas também foram suspensas na segunda-feira e nesta terça-feira, com exceção dos procedimentos que não poderiam ser adiados.
Falta de leitos agrava situação
O GHC aponta a indisponibilidade de leitos regulados pelos gestores municipal e estadual do SUS como um dos principais fatores que contribuem para a superlotação.
Quando um paciente atendido em uma UPA precisa de internação hospitalar, ele pode permanecer na unidade aguardando a disponibilização de um leito adequado.
Esse processo prolonga a permanência dos pacientes e, consequentemente, reduz a capacidade da unidade de receber novas pessoas.
A UPA Moacyr Scliar, por exemplo, não possui estrutura de internação hospitalar convencional. Os pacientes permanecem em observação enquanto aguardam transferência para um hospital, conforme a necessidade clínica e a disponibilidade de leitos regulados.

Outras unidades também estão superlotadas
O problema não está restrito ao Hospital Conceição e à UPA Moacyr Scliar.
Dados do painel de ocupação da Secretaria Municipal de Saúde citados nesta terça-feira apontavam outras unidades operando acima da capacidade.
A UPA Bom Jesus registrava ocupação de 246%, enquanto a Cruzeiro do Sul estava em 226% e a Lomba do Pinheiro, em 217%.
Nos hospitais, o cenário também era de pressão.
O Hospital de Clínicas de Porto Alegre registrava 296% de ocupação e atendimento restrito a pacientes com risco de morte. Havia 143 pacientes internados na unidade.
Já a emergência adulta da Santa Casa operava com aproximadamente o dobro da capacidade, com 63 leitos ocupados para 28 leitos operacionais.
Situação preocupa no fim do inverno
A superlotação ocorre em um período de maior pressão sobre os serviços de saúde devido à circulação de doenças respiratórias.
A Secretaria Municipal da Saúde havia alertado que o período final do inverno, que se estende até 22 de setembro, costuma registrar aumento de problemas respiratórios e procura por atendimento médico.
Entre as orientações estão manter a vacinação em dia, evitar exposição desnecessária ao frio e procurar atendimento médico diante do agravamento dos sintomas.
A recomendação é especialmente importante para pessoas que fazem parte dos grupos de maior risco para complicações respiratórias.

Restrição não vale para casos graves
Apesar das restrições temporárias, o GHC reforça que pacientes em situação grave continuam sendo atendidos.
Na UPA Moacyr Scliar, a classificação de risco permanece funcionando normalmente. Casos classificados como laranja e vermelho continuam sendo acolhidos devido à maior prioridade clínica.
A restrição temporária aos pacientes classificados como azul, verde e amarelo tem como objetivo preservar a capacidade operacional da unidade diante do número elevado de pessoas aguardando internação.
A situação deverá ser reavaliada pela equipe no próximo turno.
O que significa cada classificação?
A classificação de risco é utilizada para determinar a prioridade de atendimento, e não simplesmente a ordem de chegada.
De forma geral, a classificação segue níveis de gravidade:
- Vermelho: emergência, com necessidade de atendimento imediato;
- Laranja: situação muito urgente, com alta prioridade;
- Amarelo: caso urgente;
- Verde: situação pouco urgente;
- Azul: situação não urgente.
A avaliação definitiva é feita pelos profissionais de saúde, conforme os sintomas e as condições apresentadas pelo paciente.

Orientação aos pacientes
Diante do cenário de superlotação, pessoas com quadros de menor gravidade devem, quando possível, procurar unidades de saúde adequadas ao tipo de atendimento necessário, evitando sobrecarregar as emergências hospitalares.
Já pacientes com sintomas graves ou sinais de risco devem procurar atendimento imediatamente.
A restrição anunciada pela UPA Moacyr Scliar é temporária e está relacionada à situação excepcional de superlotação. O atendimento de casos graves permanece garantido conforme a classificação de risco.
Cenário permanece em avaliação
O GHC informa que a situação será reavaliada conforme a evolução do fluxo de pacientes, altas hospitalares e disponibilização de novos leitos.
A expectativa, porém, é de manutenção da pressão sobre a Emergência do Hospital Conceição ao longo desta terça-feira, diante da previsão de mais internações do que altas.
O cenário também depende da liberação de leitos regulados pelos gestores do SUS, fator apontado pelo GHC como determinante para reduzir a permanência dos pacientes nas unidades e recuperar a capacidade de atendimento.

Jornal MPV acompanha
O Jornal MPV acompanha a situação das emergências e unidades de pronto atendimento de Porto Alegre.
A orientação é que a população fique atenta à classificação de risco e procure atendimento imediatamente diante de sinais de gravidade. As restrições informadas pelo GHC são temporárias e podem ser alteradas conforme a disponibilidade de leitos e a evolução da demanda.
Fonte: Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre e informações públicas sobre a ocupação das unidades.










