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Rios sobem e RS ainda tem milhares sem luz

Temporais atingiram 145 municípios, deixaram milhares de pessoas fora de casa e provocaram quatro mortes. Em Porto Alegre, Defesa Civil mantém alerta para possível elevação do Guaíba.

Mais de 48 horas após os temporais que atingiram o Rio Grande do Sul, os efeitos da chuva intensa e dos fortes ventos ainda provocam transtornos em diversas regiões do Estado.

Nesta quarta-feira (23), pelo menos quatro rios permanecem em elevação, enquanto a Defesa Civil acompanha a possibilidade de aumento do nível do Guaíba, em Porto Alegre.

O temporal que atingiu o Estado entre domingo (20) e segunda-feira (21) provocou danos em pelo menos 145 municípios, principalmente nas regiões Sul, Serra e Litoral, mas também em diferentes áreas da metade leste do Rio Grande do Sul.

Quase 4 mil pessoas ainda estão fora de casa

Segundo o balanço mais recente da Defesa Civil estadual, 3.934 pessoas permanecem fora de suas residências em consequência dos temporais.

Desse total, 703 pessoas estão desabrigadas, ou seja, dependem de abrigos públicos, enquanto outras 3.231 estão desalojadas e permanecem, em geral, na casa de familiares ou conhecidos.

Os temporais também provocaram danos estruturais em imóveis. Foram contabilizadas 22 casas destruídas, 463 com danos estruturais e 2.177 destelhadas.

A Defesa Civil segue mobilizada nas regiões mais afetadas para auxiliar os municípios nas ações de resposta e atendimento à população.

Quatro mortes foram confirmadas

Até esta quarta-feira, quatro mortes foram registradas em decorrência do episódio de temporais.

Uma pessoa continua desaparecida em Caxias do Sul. Trata-se de Eliane Nunes da Silva, que estava em um veículo arrastado pela correnteza do Rio São Marcos, na manhã de segunda-feira (21).

Os filhos que estavam no carro, uma criança de quatro anos e uma adolescente de 13 anos, também foram atingidos pela correnteza e tiveram as mortes confirmadas.

As equipes de resgate continuam mobilizadas nas buscas pela mulher desaparecida.

Rios continuam subindo mesmo após a chuva

Um dos principais pontos de atenção nesta quarta-feira é a situação dos rios.

Mesmo com a redução das chuvas, os níveis continuam subindo em algumas bacias devido ao volume de água que chega aos cursos d’água após as precipitações registradas nos últimos dias.

Entre os rios monitorados estão o Caí, Sinos, Jacuí e Taquari.

Rio Caí

Em Montenegro, o Rio Caí chegou a 7,59 metros, enquanto a cota de inundação é de 6 metros.

Em São Sebastião do Caí, o nível estava em 11,38 metros, acima da cota de inundação de 10 metros.

Rio dos Sinos

Em Taquara, o Rio dos Sinos estava em 6,58 metros, acima da cota de inundação de 6 metros.

Em São Leopoldo, o nível chegou a 4,13 metros, com elevação registrada de aproximadamente 2 centímetros por hora. A cota de inundação no município é de 4,50 metros.

Os números demonstram que o cenário hidrológico ainda exige monitoramento, mesmo depois da passagem da frente de instabilidade.

Guaíba entra no radar de Porto Alegre

Na Capital, a preocupação está concentrada principalmente na possível elevação do Guaíba.

A Defesa Civil de Porto Alegre emitiu um aviso de risco alto para elevação do nível do lago ao longo desta semana.

O alerta é válido das 8h desta quarta-feira (23) até as 10h de sexta-feira (25).

Segundo a Defesa Civil, existe possibilidade de o Guaíba atingir a cota de inundação no bairro Arquipélago, região das ilhas, além de áreas ribeirinhas do Sul e Extremo Sul de Porto Alegre.

Isso não significa que toda a Capital esteja sob risco de inundação. O alerta está direcionado principalmente às regiões ribeirinhas e áreas sujeitas à elevação do nível do Guaíba.

Mais de 113 mil clientes continuam sem energia

Os temporais também provocaram danos significativos na rede elétrica.

Na atualização desta quarta-feira, cerca de 113.635 clientes permaneciam sem energia elétrica em todo o Rio Grande do Sul.

Desse total:

  • 105.857 clientes pertencem à área de concessão da CEEE Equatorial;
  • 7.778 clientes estão na área atendida pela RGE.

As concessionárias continuam trabalhando para recompor os pontos afetados pelos ventos fortes, quedas de árvores e danos provocados pelo temporal.

Na área da CEEE Equatorial, Pelotas e Rio Grande estão entre os municípios que concentram grande número de unidades consumidoras ainda sem energia. Em Pelotas, mais de 22 mil consumidores permaneciam sem luz na manhã desta quarta-feira, segundo atualização do painel da concessionária.

Abastecimento de água também foi afetado

A falta de energia provocou consequências em outros serviços públicos.

Em Pelotas, por exemplo, as estações de tratamento de água foram afetadas pela interrupção do fornecimento de energia elétrica.

O município precisou recorrer a caminhões-pipa e pontos alternativos de abastecimento para atender moradores afetados.

O cenário mostra que os impactos do temporal não estão restritos aos danos provocados diretamente pela chuva e pelo vento. A interrupção de energia pode comprometer serviços essenciais, especialmente em municípios que dependem de sistemas elétricos para captação, tratamento e distribuição de água.

Defesa Civil mantém monitoramento dos rios

A Defesa Civil estadual mantém o acompanhamento das principais bacias hidrográficas do Rio Grande do Sul.

Antes mesmo da passagem do sistema de tempestades, o órgão já havia identificado risco de elevação significativa de rios na região hidrográfica do Guaíba.

Entre os cursos d’água que exigem atenção estão os rios Caí, Taquari, Jacuí e Sinos, além de outros rios e arroios que podem apresentar elevação rápida após períodos de chuva intensa.

No Vale do Taquari, as autoridades municipais foram mobilizadas para adotar medidas previstas nos planos de contingência, principalmente nas áreas consideradas de maior risco.

Um Gabinete Regional Integrado de Gerenciamento de Desastres também foi instalado para coordenar as ações de resposta na região.

Orientação para moradores de áreas de risco

A Defesa Civil orienta moradores de áreas próximas a rios, arroios, encostas e locais historicamente sujeitos a alagamentos a acompanhar os alertas oficiais.

Em caso de inundação ou elevação rápida da água, a recomendação é deixar áreas de risco e buscar locais seguros.

Também é importante evitar a circulação em áreas alagadas, especialmente quando houver correnteza, pois a profundidade da água pode ser difícil de identificar e o deslocamento da correnteza pode arrastar pessoas e veículos.

Em situações de emergência, a população pode acionar os serviços de segurança e emergência pelos números 190, da Brigada Militar, e 193, do Corpo de Bombeiros.

Cenário ainda exige atenção

Apesar da redução das chuvas em relação ao período mais crítico do temporal, o cenário ainda não pode ser considerado totalmente normalizado.

A combinação entre rios em elevação, solo encharcado, danos na infraestrutura, falta de energia e possibilidade de aumento do nível do Guaíba mantém diferentes regiões do Estado sob monitoramento.

Em Porto Alegre, a principal atenção está voltada às áreas das ilhas e regiões ribeirinhas do Sul e Extremo Sul.

No interior, a situação dos rios continua sendo acompanhada pelas autoridades devido à possibilidade de novas elevações, mesmo após a diminuição das chuvas.

Jornal MPV acompanha a situação

O Jornal MPV acompanha a evolução dos efeitos dos temporais no Rio Grande do Sul, com atenção especial para Porto Alegre e Região Metropolitana.

A situação dos rios, do Guaíba, do fornecimento de energia elétrica e dos serviços essenciais poderá sofrer alterações ao longo das próximas horas.

O MPV seguirá acompanhando os comunicados da Defesa Civil, concessionárias de energia e órgãos municipais e estaduais para atualizar as informações à população.

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