Corsan informou nesta sexta-feira (25) que a Barragem Arroio São Luiz entrou em uma condição de maior segurança após redução do volume do reservatório; cerca de 170 moradores seguem fora de casa e estrutura continua sendo monitorada.
O risco de rompimento da Barragem Arroio São Luiz, em São Marcos, na Serra Gaúcha, foi descartado pela Corsan nesta sexta-feira (25). A mudança no cenário ocorreu após a redução significativa do nível da água e a realização de avaliações técnicas na estrutura, que apresentou fissuras e vazamentos depois das fortes chuvas registradas na região.
Segundo a companhia, o reservatório deverá entrar nas próximas horas em uma “zona de maior segurança”, reduzindo a pressão exercida sobre a estrutura. Apesar da melhora, os trabalhos de drenagem, monitoramento e avaliação continuam, e a área de risco permanece isolada.
A situação mobilizou equipes da Corsan, Defesa Civil, Prefeitura de São Marcos, Corpo de Bombeiros e outros órgãos desde quarta-feira (23), quando foram identificados danos estruturais na barragem.
Nível da água caiu quase um metro
Um dos principais fatores para a redução do risco foi a diminuição do nível do reservatório.
Às 8h desta sexta-feira, a medição apontava 3,66 metros. No início da semana, o nível havia chegado a aproximadamente 4,65 metros, após o grande volume de chuva registrado no município.
A diferença de quase um metro representa uma redução importante da pressão sobre a estrutura e permitiu o avanço das medidas de segurança e recuperação.
A operação de retirada da água continua de forma controlada. Atualmente, seis equipamentos atuam no processo, direcionando aproximadamente 3,2 milhões de litros de água por hora para o Rio Jaguari.
A estratégia adotada pelas equipes técnicas é reduzir progressivamente o volume armazenado, diminuindo a pressão sobre os pontos que apresentaram fissuras.

Dmae de Porto Alegre enviou equipamentos
A operação recebeu reforço de Porto Alegre.
Duas bombas de alta vazão disponibilizadas pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) chegaram a São Marcos na noite de quinta-feira (24). Os equipamentos foram testados e permanecem disponíveis para serem incorporados à operação caso haja necessidade.
As bombas têm capacidade elevada para acelerar o processo de retirada de água do reservatório, permitindo que as equipes técnicas tenham maior controle sobre o nível da barragem.
A mobilização dos equipamentos ocorreu diante da necessidade de reduzir rapidamente a pressão sobre a estrutura após a identificação das fissuras.
Mergulhadores trabalham na estrutura
Outra frente de atuação envolve profissionais especializados em inspeção subaquática.
Mergulhadores foram mobilizados para avaliar a parte interna da barragem e identificar com maior precisão a extensão dos danos.
As equipes também iniciaram trabalhos de preenchimento das fissuras com material isolante, em uma etapa destinada a reforçar a segurança da estrutura.
A avaliação interna é considerada importante porque parte dos danos está localizada em áreas que não podem ser analisadas adequadamente apenas por inspeções externas.
A partir dessas avaliações, os técnicos poderão definir quais reparos serão necessários e quais medidas de manutenção deverão ser adotadas de forma permanente.

Chuva intensa provocou aumento do nível
A situação na barragem ocorreu após um episódio de chuva intensa que atingiu São Marcos e outras cidades da Serra Gaúcha.
Segundo informações divulgadas durante o atendimento da emergência, o município registrou aproximadamente 174 milímetros de chuva em 24 horas, volume superior à média histórica de chuva de todo o mês de setembro na cidade.
O grande volume de água em um período curto elevou rapidamente o nível do reservatório e aumentou a pressão sobre a estrutura.
Na quarta-feira (23), técnicos identificaram trincas e vazamentos em partes da barragem, levando à ativação do Plano de Ação de Emergência.
A partir daquele momento, as autoridades passaram a trabalhar com um cenário preventivo de possível colapso, embora o rompimento nunca tenha ocorrido.
Cerca de 170 moradores continuam fora de casa
Mesmo com a redução do risco, aproximadamente 170 moradores permanecem afastados de suas residências.
As famílias foram retiradas preventivamente das comunidades localizadas dentro da área que poderia ser atingida em caso de rompimento.
A retirada foi realizada como medida de segurança antes que houvesse qualquer colapso da estrutura.
Até esta sexta-feira, ainda não havia previsão para o retorno dos moradores. A liberação das áreas dependerá das avaliações técnicas e da confirmação de que a estrutura apresenta condições seguras para a permanência da população.
A orientação das autoridades é que as famílias permaneçam nos locais definidos até uma nova determinação oficial.

Área de risco permanece isolada
Apesar da mudança no nível de alerta, o perímetro próximo à barragem continua isolado.
O governo do Estado havia informado que o eventual impacto de um rompimento ficaria concentrado nas áreas próximas à estrutura, de acordo com o mapeamento da mancha de inundação.
O Plano de Ação de Emergência identificou áreas específicas que poderiam ser atingidas. São aproximadamente 28 edificações na Zona de Autossalvamento (ZAS) e outras 31 edificações na Zona de Segurança Secundária (ZSS), além de uma ponte.
Os moradores dessas áreas foram retirados preventivamente.
As autoridades também esclareceram que um eventual rompimento da Barragem Arroio São Luiz não representaria risco de inundação para Porto Alegre ou para áreas distantes da estrutura.
Rodovia também foi afetada
A situação provocou alterações na circulação de veículos na região.
A RS-815, conhecida como Rodovia Padre Pedro Rizzon, teve um trecho bloqueado nos dois sentidos devido à área de risco associada à barragem.
A interdição atingiu aproximadamente 600 metros da rodovia nas proximidades da estrutura.
A liberação da estrada depende das avaliações das autoridades e da evolução da situação no local.

Escola teve atividades suspensas
A emergência também afetou a rotina escolar.
A Escola Municipal de Ensino Fundamental Antônio Pessini teve as aulas suspensas durante o período mais crítico da operação.
A medida foi adotada como precaução diante da proximidade da área considerada de risco e das restrições de circulação estabelecidas pelas autoridades.
A retomada das atividades depende da avaliação das condições de segurança na região.
Plano de emergência foi acionado preventivamente
O acionamento do Plano de Ação de Emergência (PAE) ocorreu depois que técnicos identificaram danos na estrutura.
O procedimento não significa que uma barragem tenha rompido. Trata-se de um protocolo utilizado para organizar a resposta das autoridades diante de uma situação que possa representar risco à população.
No caso de São Marcos, a Defesa Civil recebeu o comunicado da Corsan na quarta-feira e iniciou a retirada preventiva dos moradores.
Um alerta severo também foi enviado por Cell Broadcast aos celulares de moradores da região, orientando a população a se preparar para uma possível evacuação.

Laudo técnico deve apontar próximos passos
A Corsan informou que um laudo técnico deverá consolidar as avaliações realizadas na estrutura e indicar as medidas de manutenção e contingenciamento necessárias.
O documento será importante para determinar como os reparos deverão ser conduzidos e quais condições precisarão ser atendidas antes de uma eventual liberação completa da área.
Mesmo com o risco de rompimento descartado nas condições atuais, a estrutura ainda precisa passar por intervenções e acompanhamento técnico.
A redução do nível da água diminui a pressão sobre a barragem, mas não elimina a necessidade de reparar os danos identificados.
Monitoramento continua 24 horas
A barragem permanece sob acompanhamento permanente.
Durante o período mais crítico, câmeras e equipes técnicas foram utilizadas para acompanhar a movimentação da estrutura e o comportamento do reservatório.
Corsan, Defesa Civil e Prefeitura de São Marcos continuam mobilizadas para acompanhar a evolução da situação.
A mudança desta sexta-feira representa uma redução significativa do risco, mas a operação ainda não foi completamente encerrada.

Entenda a sequência dos acontecimentos
21 de setembro: São Marcos registra forte volume de chuva, com cerca de 174 milímetros em 24 horas.
23 de setembro: técnicos identificam trincas e vazamentos na Barragem Arroio São Luiz.
23 de setembro: Corsan aciona o Plano de Ação de Emergência e moradores de áreas potencialmente atingidas começam a ser retirados.
23 de setembro: Defesa Civil emite alerta severo e utiliza o sistema Cell Broadcast para orientar moradores.
24 de setembro: equipes intensificam a drenagem, mergulhadores avaliam a estrutura e bombas de alta vazão são mobilizadas.
25 de setembro: Corsan informa que o risco de rompimento foi descartado após a redução do nível da água e as avaliações técnicas.
Situação nesta sexta-feira
O cenário atual é de redução do risco, mas não de encerramento completo da emergência.
A água continua sendo retirada de forma controlada, os reparos nas fissuras estão em andamento e o monitoramento da estrutura permanece.
Cerca de 170 moradores ainda aguardam autorização para retornar às suas casas.
A liberação dependerá de novas avaliações técnicas e da conclusão das medidas de segurança.
A recomendação permanece para que a população respeite os bloqueios e não tente acessar a área isolada, permitindo que as equipes trabalhem sem interferências.

Números da operação
- 3,66 metros: nível do reservatório às 8h desta sexta-feira.
- 4,65 metros: nível registrado no início da semana.
- 3,2 milhões de litros por hora: volume retirado atualmente de forma controlada.
- 6 equipamentos: utilizados na operação de drenagem.
- 170 moradores: retirados preventivamente da área de risco.
- 420 mil m³: volume aproximado do reservatório.
- 28 edificações: localizadas na Zona de Autossalvamento.
- 31 edificações: localizadas na Zona de Segurança Secundária.
- 1 ponte: incluída no mapeamento da área potencialmente atingida.










