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Catamarã fica mais caro nesta terça

A tarifa do catamarã entre Porto Alegre e Guaíba aumenta a partir desta terça-feira (29). O valor da passagem passa de R$ 16,90 para R$ 19,15 por trecho, representando um reajuste de 13,29%.

O aumento foi calculado pela Metroplan, órgão responsável pela gestão do transporte metropolitano, e homologado pelo Conselho Superior da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs) em 8 de setembro.

A nova tarifa passa a ser cobrada após a publicação da decisão no Diário Oficial do Estado.

Na prática, o passageiro pagará R$ 2,25 a mais em cada viagem.

Para quem utiliza o serviço nos dois sentidos, o custo diário passa de R$ 33,80 para R$ 38,30, um aumento de R$ 4,50 por dia.

Quanto passa a custar a viagem

SituaçãoAntesA partir de terça
Um trechoR$ 16,90R$ 19,15
Ida e voltaR$ 33,80R$ 38,30
Aumento por trecho—R$ 2,25
Reajuste—13,29%

Para um passageiro que utiliza o Catamarã diariamente, o impacto pode ser significativo no orçamento mensal.

Considerando 22 dias úteis e duas viagens por dia, o gasto passa de R$ 743,60 para R$ 842,60 por mês, uma diferença de R$ 99.

Esse cálculo considera apenas a tarifa cheia e não inclui eventuais descontos, gratuidades ou outras condições específicas de pagamento.

Quem opera o serviço

A travessia entre Porto Alegre e Guaíba é operada pela Catsul Guaíba Transportes Hidroviários Ltda., empresa ligada ao Grupo Ouro e Prata.

A Metroplan é responsável pela gestão do transporte metropolitano, enquanto a Agergs atua na regulação da travessia.

A própria Agergs lista Porto Alegre–Guaíba entre as travessias hidroviárias intermunicipais de passageiros reguladas pela agência.

O serviço atende principalmente passageiros que precisam se deslocar entre os dois municípios, incluindo trabalhadores, estudantes e usuários que utilizam o transporte hidroviário como alternativa ao deslocamento rodoviário.

Cerca de 1,6 mil passageiros usam o Catamarã por dia

Segundo informações divulgadas pela GZH, aproximadamente 1,6 mil passageiros utilizam diariamente o serviço.

A Catsul realiza cerca de 190 viagens por semana na operação entre Porto Alegre e Guaíba.

O número de usuários, entretanto, já foi significativamente maior.

A demanda sofreu forte impacto nos últimos anos, especialmente em razão da pandemia de Covid-19 e dos eventos climáticos extremos registrados no Rio Grande do Sul.

Enchentes provocaram queda de mais de 40% na demanda

Um dos principais argumentos presentes na discussão sobre a situação financeira da concessão são os efeitos das enchentes e da redução da demanda.

De acordo com informações do processo regulatório, a demanda mensal caiu de 71.046 passageiros para 42.290.

Isso representa uma redução de aproximadamente 40,5%.

Além da perda de passageiros, a operação da travessia chegou a ficar 67 dias interrompida em consequência dos eventos climáticos.

A queda de usuários significa menor arrecadação para a concessionária, enquanto diversos custos de operação permanecem mesmo com a redução da quantidade de passageiros transportados.

Enchentes de 2023 e 2024 entraram na discussão

A situação econômica da concessão foi afetada especialmente pelas enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul em 2023 e 2024.

A Catsul apresentou pedido relacionado ao reequilíbrio econômico-financeiro do contrato, alegando impactos extraordinários provocados por acontecimentos que afetaram a operação.

Esse pedido, entretanto, é diferente do reajuste tarifário aprovado agora.

A Agergs decidiu separar os dois processos.

Reajuste tarifário

É a atualização periódica da tarifa, calculada conforme os mecanismos previstos para o serviço.

Foi esse processo que resultou na passagem de R$ 16,90 para R$ 19,15.

Reequilíbrio econômico-financeiro

É uma discussão separada sobre possíveis perdas extraordinárias e alterações nas condições econômicas da concessão.

Essa análise ainda não resultou em uma compensação financeira definida ou em um subsídio permanente para os passageiros.

Metroplan terá 60 dias para analisar reequilíbrio

Na decisão sobre a tarifa, a Agergs determinou que a Metroplan analise o pedido de reequilíbrio econômico-financeiro em até 60 dias.

Segundo informações do processo, a análise já acumulava 17 meses de atraso antes de chegar à agência reguladora.

A determinação busca acelerar a avaliação das perdas extraordinárias apresentadas pela concessionária.

O resultado dessa análise poderá definir se existe algum valor a ser compensado à empresa ou se serão necessárias outras medidas dentro do contrato.

Por enquanto, porém, nenhuma compensação ou subsídio permanente foi aprovado.

Reajuste não significa aprovação de subsídio

Esse ponto é importante para o passageiro.

O aumento para R$ 19,15 não significa que a Agergs tenha aprovado um subsídio para a Catsul.

O que foi aprovado é o reajuste ordinário da tarifa.

O pedido relacionado às perdas extraordinárias e à possibilidade de um eventual subsídio segue em análise pela Metroplan.

Portanto, existem duas discussões diferentes acontecendo simultaneamente: uma já foi concluída, com a definição da nova tarifa; outra ainda está pendente.

Agergs também determinou revisão da metodologia tarifária

A decisão regulatória não tratou apenas do preço cobrado atualmente.

A agência também reconheceu problemas relacionados à metodologia utilizada para os cálculos tarifários e determinou uma revisão.

Segundo informações sobre a decisão, a aplicação consistente da metodologia de custos eficientes está comprometida desde 2019.

A questão envolve a forma como são considerados custos operacionais, demanda, receitas e demais componentes utilizados para definir a tarifa.

Documentos da própria Agergs mostram que estudos tarifários da travessia consideram elementos como custos operacionais, atualização pelo IPCA, fluxo de passageiros, receitas auxiliares, impostos, taxas e outros componentes.

Histórico de atrasos nos reajustes

O histórico da tarifa também ajuda a explicar o cenário atual.

Entre 2010 e 2016, foram acumulados 1.443 dias de atraso em reajustes previstos para a travessia. A situação chegou a ser discutida judicialmente.

A Agergs considerou esse histórico ao analisar o atual processo tarifário.

A tarifa anterior de R$ 16,90 foi homologada em janeiro de 2025, depois de um processo que envolveu reajustes referentes aos períodos anteriores.

Documentos da Agergs registram que aquele processo buscava evitar uma nova defasagem temporal na atualização da tarifa.

Evolução do preço

A evolução recente mostra mudanças significativas no valor da passagem.

Em 2020, a tarifa chegou a R$ 12,90.

Em dezembro de 2023, foi homologado o valor de R$ 16,85.

Em janeiro de 2025, a tarifa passou para R$ 16,90.

Agora, em setembro de 2026, chega a R$ 19,15.

A diferença entre R$ 12,90 e R$ 19,15 representa um aumento nominal de R$ 6,25 por trecho desde 2020.

Serviço também foi afetado pelos temporais recentes

Além das enchentes dos anos anteriores, a operação do Catamarã voltou a sofrer alterações em setembro de 2026.

Na semana passada, o serviço chegou a ser suspenso temporariamente devido ao excesso de resíduos no Guaíba, incluindo troncos, galhos e outros materiais carregados pelos rios após episódios de chuva intensa.

A Catsul informou que a suspensão ocorreu por questões de segurança dos passageiros e para preservar os equipamentos.

O episódio mostra que as condições climáticas continuam sendo um fator operacional relevante para o transporte hidroviário.

Catamarã é uma alternativa ao transporte rodoviário

A travessia pelo Guaíba representa uma alternativa de deslocamento entre Porto Alegre e Guaíba, evitando que o passageiro precise realizar todo o percurso por transporte rodoviário.

Para quem mora em Guaíba e trabalha ou estuda em Porto Alegre, o serviço pode ser utilizado como parte da rotina diária.

Da mesma forma, moradores da Capital podem utilizar a travessia para acessar Guaíba.

A operação também possui importância para a mobilidade metropolitana, especialmente em períodos de congestionamentos ou alterações nas condições das rodovias.

O que muda para quem utiliza todos os dias

O aumento pode parecer pequeno quando considerado individualmente, mas se torna mais significativo para usuários frequentes.

Um passageiro que faça:

1 trecho por dia durante 22 dias:
R$ 19,15 × 22 = R$ 421,30

2 trechos por dia durante 22 dias:
R$ 19,15 × 44 = R$ 842,60

Na tarifa anterior, o segundo cenário custava R$ 743,60.

A diferença mensal é de R$ 99.

Para trabalhadores que utilizam o catamarã durante todo o mês, o reajuste representa uma despesa adicional que se acumula ao longo do ano.

O que ainda está pendente

Apesar de a nova tarifa já estar definida, a situação econômica da concessão ainda não está completamente encerrada.

Entre os assuntos que continuam em análise estão:

  • pedido de reequilíbrio econômico-financeiro da Catsul;
  • impactos financeiros das enchentes;
  • efeitos da pandemia sobre a demanda;
  • possibilidade de eventual subsídio permanente;
  • revisão da metodologia tarifária;
  • avaliação das perdas extraordinárias apresentadas pela concessionária.

A Metroplan recebeu prazo de 60 dias para avançar na análise do pedido de reequilíbrio.

Nova tarifa começa a valer nesta terça-feira

Com a decisão já publicada, o passageiro que utilizar o Catamarã a partir desta terça-feira (29) deverá pagar R$ 19,15 por trecho.

A alteração representa um reajuste de 13,29% e acrescenta R$ 2,25 ao custo de cada viagem.

O aumento ocorre em meio a uma situação mais ampla envolvendo a sustentabilidade financeira da concessão, a queda da demanda, os impactos das enchentes e a necessidade de revisão dos critérios utilizados para definir a tarifa.

Enquanto a nova tarifa já está valendo, a discussão sobre eventuais compensações financeiras e subsídios ainda não foi concluída.

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