Estruturas herméticas serão instaladas nas portas e janelas do prédio histórico quando houver risco de inundação; obra integra reforço do sistema de proteção do Centro Histórico.
A Usina do Gasômetro, um dos principais cartões-postais de Porto Alegre, está recebendo um novo sistema de proteção contra cheias. A Prefeitura iniciou a instalação de comportas metálicas herméticas nas portas e janelas do prédio histórico para impedir que a água do Guaíba avance para o interior da estrutura e, em determinadas circunstâncias, para a área urbana da Capital.
A intervenção foi vistoriada nesta quinta-feira (1º) pelo prefeito Sebastião Melo e faz parte das obras de reforço do sistema de proteção contra inundações de Porto Alegre após a enchente histórica de maio de 2024.
Ao todo, estão previstas 46 comportas, que serão instaladas no primeiro andar da Usina do Gasômetro. O investimento informado pela Prefeitura é de R$ 690 mil, e a previsão é de que a intervenção seja concluída em aproximadamente 60 dias.
A instalação foi planejada para preservar as características arquitetônicas do prédio. As estruturas ficam posicionadas pelo lado interno das portas e janelas e não permanecerão visíveis durante o funcionamento normal da usina.
Comportas serão utilizadas somente em situação de cheia
Um dos principais pontos do novo sistema é que as comportas não ficarão permanentemente instaladas.
Em condições normais, os equipamentos permanecerão armazenados e não alterarão a circulação de pessoas no entorno ou as características visuais do prédio.
Quando houver previsão de cheia e o nível do Guaíba atingir uma condição considerada de risco para a estrutura, as comportas poderão ser instaladas nos pontos determinados.
Segundo a Prefeitura, a instalação será necessária quando o nível do Cais Mauá chegar próximo de 4,5 metros, considerado o nível associado à cota de inundação do prédio.
A medida cria uma barreira física adicional justamente nos pontos mais vulneráveis da construção: portas e janelas localizadas no primeiro pavimento.

Objetivo é impedir entrada da água
A função das comportas é impedir que a água do Guaíba entre na Usina do Gasômetro durante uma eventual cheia.
A estrutura tem importância estratégica porque o prédio integra a linha de proteção contra inundações que conecta o Muro da Mauá ao trecho 1 da Orla do Guaíba.
O reforço também busca evitar que um eventual ingresso de água pelo prédio comprometa áreas próximas.
Segundo o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), a proteção do Gasômetro representa uma etapa importante no fechamento dos pontos vulneráveis do sistema de contenção existente no Centro Histórico.
Obra preserva prédio histórico
A instalação das estruturas precisou considerar as características arquitetônicas da Usina do Gasômetro.
Por isso, as comportas serão colocadas pelo lado interno das janelas e portas, evitando alterações permanentes na aparência externa do prédio.
A solução permite combinar a preservação do patrimônio histórico com uma estrutura moderna de proteção contra eventos extremos.
A Prefeitura afirma que a intervenção foi planejada justamente para que o sistema de segurança seja acionado apenas quando necessário, sem transformar a fachada da usina em uma estrutura permanente de contenção.

Câmara de resfriamento também foi fechada
Além das comportas, a obra inclui a concretagem da antiga câmara de resfriamento, que fazia ligação direta entre a Usina do Gasômetro e o Guaíba.
O fechamento desse ponto reduz outra possibilidade de entrada da água durante uma cheia.
A intervenção faz parte do mesmo projeto de reforço da proteção do prédio e amplia as barreiras físicas existentes contra o avanço do Guaíba.
Última etapa do reforço no Centro Histórico
A Prefeitura considera a instalação das comportas na Usina do Gasômetro como a última etapa das melhorias previstas no sistema de proteção contra cheias do Centro Histórico.
Nos últimos dois anos, o município realizou intervenções em diferentes estruturas da região, incluindo as comportas do Muro da Mauá e equipamentos relacionados ao sistema de bombeamento.
O objetivo é reduzir os pontos vulneráveis identificados durante a enchente de 2024 e aumentar a capacidade de resposta da cidade diante de futuras elevações do nível do Guaíba.
O Gasômetro, nesse contexto, passa a contar com uma estrutura específica para bloquear a entrada da água pelos acessos do prédio.

Sistema será acionado conforme o nível do Guaíba
A operação das comportas dependerá do acompanhamento dos níveis do Guaíba.
O Dmae monitora continuamente as condições hidrológicas e poderá orientar a instalação das estruturas quando houver risco de inundação.
A lógica é semelhante à de outros pontos do sistema de proteção: as barreiras são acionadas de acordo com a necessidade, permitindo que a cidade mantenha seus sistemas de circulação e drenagem funcionando normalmente enquanto não existe ameaça de cheia.
Segundo o diretor-presidente do Dmae, Vicente Perrone, o trabalho de proteção contra cheias exige acompanhamento permanente de todos os pontos do sistema.
Porto Alegre está novamente em atenção para cheias
A instalação das comportas ocorre em um momento de atenção para a situação hidrológica da Capital.
Nesta quinta-feira (1º), o Guaíba entrou em alerta de inundação, em meio à elevação dos níveis dos rios e à previsão de novas chuvas no Rio Grande do Sul.
A situação aumenta a importância do funcionamento adequado das estruturas de proteção existentes em Porto Alegre.
Além do Gasômetro, o município acompanha outros pontos considerados vulneráveis, incluindo regiões das ilhas e estruturas relacionadas aos sistemas de drenagem e contenção.

Comportas fazem parte de um sistema maior
A proteção contra enchentes em Porto Alegre não depende apenas de uma estrutura.
O sistema municipal envolve diques, muros de contenção, comportas, galerias, casas de bombas e estações de bombeamento.
Após a enchente de 2024, diversas estruturas passaram por recuperação, modernização ou substituição.
Em agosto de 2026, por exemplo, a Prefeitura informou a conclusão da modernização das comportas móveis do sistema de proteção, com investimento superior a R$ 11 milhões. As intervenções incluíram estruturas localizadas na Avenida Castelo Branco e no Muro da Mauá.
A instalação das novas comportas na Usina do Gasômetro complementa esse conjunto de medidas.
Por que a proteção do Gasômetro é estratégica
A Usina do Gasômetro está localizada às margens do Guaíba, em uma região central e de grande circulação de moradores e visitantes.
Além da importância histórica e cultural do prédio, a área integra uma das principais frentes de proteção da região central da cidade.
Durante uma cheia, qualquer ponto vulnerável pode representar uma possibilidade de entrada de água. Por isso, o reforço das portas, janelas e demais acessos da usina busca reduzir uma dessas vulnerabilidades.
A Prefeitura afirma que o objetivo é proteger simultaneamente o patrimônio histórico e a cidade.

Obra deve ser concluída em cerca de dois meses
A intervenção começou em setembro e tem previsão de conclusão em aproximadamente 60 dias.
Até a conclusão, equipes da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi) continuarão trabalhando na instalação das estruturas e nos ajustes necessários para garantir o funcionamento das barreiras.
O projeto também precisa assegurar que as comportas possam ser instaladas rapidamente quando houver necessidade.
Essa capacidade de resposta é importante porque eventos de cheia podem exigir medidas de proteção em um intervalo relativamente curto, dependendo da velocidade de elevação do Guaíba.
Proteção reforçada depois da enchente de 2024
A enchente histórica de maio de 2024 deixou evidente a necessidade de revisão e reforço do sistema de proteção de Porto Alegre.
Desde então, a Prefeitura vem executando uma série de intervenções para recuperar estruturas existentes e reduzir vulnerabilidades.
O trabalho inclui melhorias em comportas, fechamento definitivo de algumas passagens, recuperação de diques, reforço de casas de bombas e instalação de novas estruturas de contenção.
No caso da Usina do Gasômetro, a solução escolhida foi manter o aspecto histórico do prédio e acrescentar uma barreira móvel que possa ser utilizada em situações de risco.

População não verá as comportas no dia a dia
Uma característica importante do projeto é que as estruturas não ficarão expostas permanentemente.
Enquanto não houver risco de cheia, o público que circula pela região continuará vendo as portas e janelas do prédio sem a presença das barreiras.
Somente em uma situação de elevação significativa do Guaíba os equipamentos serão instalados.
Dessa forma, a Prefeitura pretende conciliar preservação arquitetônica, funcionamento do espaço e segurança contra inundações.
Monitoramento continuará sendo permanente
Mesmo com a instalação das novas estruturas, o sistema não elimina o risco de enchentes na região.
As comportas funcionam como uma barreira adicional e precisam ser utilizadas em conjunto com as demais estruturas de proteção da Capital.
O acompanhamento dos níveis do Guaíba, dos rios que contribuem para sua elevação e das previsões meteorológicas continuará sendo fundamental para determinar quando as barreiras deverão ser acionadas.
Em situações de risco, a orientação é que a população acompanhe os comunicados oficiais da Defesa Civil, Prefeitura de Porto Alegre e Dmae.










