Mobilização de 24 horas ocorre em meio às negociações da Campanha Nacional de 2026; em Porto Alegre e região, mais de 97% rejeitaram a proposta apresentada pela Fenaban
Bancários de todo o Brasil realizam nesta quinta-feira (20) uma paralisação de 24 horas durante a Campanha Nacional Unificada de 2026. A mobilização foi aprovada após a categoria rejeitar uma proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) durante as negociações salariais.
Em Porto Alegre e região, mais de 97,5% dos trabalhadores que participaram da assembleia rejeitaram a proposta e aprovaram a paralisação. O movimento envolve trabalhadores de instituições financeiras públicas e privadas representados pelos sindicatos que aderiram à mobilização.
A paralisação está prevista para durar 24 horas, e a orientação sindical também alcança os bancários que trabalham em regime remoto. A categoria pretende pressionar os bancos por avanços nas negociações antes da data-base.
Quais bancos podem ser afetados?
A paralisação não é uma greve exclusiva de um banco. O movimento está relacionado à negociação nacional da categoria bancária com a Fenaban.
Por isso, podem ser afetadas agências e unidades de instituições públicas e privadas, conforme a adesão dos trabalhadores em cada local.
Entre os bancos que fazem parte do sistema bancário e que possuem trabalhadores abrangidos pelas negociações estão instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banrisul, Bradesco, Itaú e Santander, além de outros bancos privados e públicos.
Isso não significa, porém, que todas as agências desses bancos necessariamente ficarão fechadas. O funcionamento dependerá da adesão dos trabalhadores e das orientações dos sindicatos em cada região.
No Rio Grande do Sul, sindicatos ligados à Fetrafi-RS aprovaram a paralisação de 24 horas para 20 de agosto.
Por que os bancários decidiram parar?
O principal motivo da mobilização é o impasse nas negociações da Campanha Nacional dos Bancários de 2026.
A categoria afirma que os bancos não apresentaram uma proposta considerada suficiente para atender às reivindicações econômicas e relacionadas às condições de trabalho.
Entre os principais pedidos estão 5% de aumento real, além da reposição da inflação, valorização do piso salarial, aumento dos valores de vale-refeição e vale-alimentação e melhorias na Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Os trabalhadores também reivindicam mudanças nas condições de trabalho, incluindo o combate às metas consideradas abusivas, ao assédio relacionado a ferramentas digitais e ao monitoramento permanente dos funcionários.
Proposta da Fenaban provocou reação
Na rodada de negociação realizada em 13 de agosto, a Fenaban apresentou uma proposta que desagradou às entidades sindicais.
Entre os pontos apresentados estava o congelamento do piso salarial de ingresso para novos trabalhadores e a criação de três faixas salariais, com reajustes diferentes.
Segundo as entidades sindicais, naquele momento os bancos não haviam informado quais seriam os percentuais aplicados a cada faixa.
Também houve discussão sobre os valores dos benefícios de alimentação.
De acordo com o movimento sindical, a Fenaban chegou a propor diferenças nos valores de vale-refeição e alimentação entre trabalhadores de grandes cidades e municípios do interior.
Após a reação da categoria, parte dessas propostas foi retirada durante a retomada das negociações.
Bancos recuaram de alguns pontos
A pressão dos trabalhadores levou a Fenaban a recuar de alguns dos pontos apresentados anteriormente.
Entre os itens retirados estavam a proposta de reajustes divididos por faixas salariais, a diferenciação dos valores de vale-refeição e alimentação e o congelamento do piso de ingresso.
Mesmo com o recuo, a paralisação de 20 de agosto foi mantida pelos sindicatos.
A razão é que, segundo a representação dos trabalhadores, ainda não havia uma proposta econômica capaz de encerrar o impasse.
Quanto os bancários estão pedindo?
A pauta econômica apresentada pela categoria inclui:
- 5% de aumento real nos salários e demais verbas;
- reposição da inflação;
- aumento do piso salarial;
- aumento dos valores de vale-refeição;
- aumento do vale-alimentação;
- valorização da PLR;
- criação de um piso salarial específico para trabalhadores de Tecnologia da Informação.
Além da questão salarial, os trabalhadores também reivindicam mudanças nas condições de trabalho.
A pauta inclui o combate às metas abusivas, ao assédio algorítmico e ao monitoramento permanente utilizado para intensificar a cobrança por resultados.
E quem trabalha em home office?
A mobilização também alcança os bancários que trabalham remotamente.
A orientação sindical é para que os trabalhadores não realizem atividades profissionais durante o período da paralisação, independentemente de estarem trabalhando dentro de uma agência ou em regime de teletrabalho.
Isso inclui evitar o acesso aos sistemas corporativos e a execução de tarefas profissionais durante as 24 horas do movimento.
O que muda para quem precisa ir ao banco?
Para o cliente, o principal impacto poderá ser a redução ou interrupção do atendimento presencial em determinadas agências.
Entretanto, a paralisação dos bancários não significa que o sistema bancário inteiro ficará indisponível.
Serviços digitais, como aplicativos e internet banking, podem continuar funcionando normalmente.
Também podem permanecer disponíveis os terminais de autoatendimento, embora determinados serviços dependam da presença de funcionários.
Por isso, quem precisa realizar uma operação bancária nesta quinta-feira deve verificar antecipadamente as alternativas oferecidas pela instituição.
Pix e aplicativos continuam funcionando?
Em princípio, a paralisação não significa uma interrupção geral dos sistemas eletrônicos dos bancos.
Operações digitais que funcionam de forma automatizada, como Pix, transferências, pagamentos e consultas pelo aplicativo, podem continuar disponíveis.
O problema está principalmente nos serviços que dependem de atendimento ou intervenção de funcionários.
Assim, uma pessoa pode conseguir fazer um Pix pelo celular, por exemplo, mas encontrar dificuldades para resolver presencialmente uma pendência que dependa de um funcionário da agência.
A disponibilidade concreta de cada serviço depende da instituição financeira e do tipo de operação.
Porto Alegre terá forte adesão
Em Porto Alegre e região, a mobilização ganhou força após a votação realizada pelos trabalhadores.
Mais de 97,5% dos participantes rejeitaram a proposta da Fenaban e aprovaram a paralisação do dia 20.
O SindBancários representa trabalhadores de instituições financeiras na Capital e região e participa da mobilização nacional da categoria.
A decisão ocorre em um momento de pressão para que as negociações avancem antes da data-base.
Banrisul também está em negociação própria
O Banrisul merece uma atenção específica no Rio Grande do Sul.
Além da negociação nacional envolvendo a Fenaban, os trabalhadores do banco estadual possuem discussões próprias relacionadas ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
O Portal Bancários RS informou que, em agosto, ocorreram rodadas de negociação entre representantes dos empregados e a direção do Banrisul sem avanços considerados suficientes pelo movimento sindical.
Em 11 de agosto, trabalhadores chegaram a realizar um ato de mobilização em frente à agência central e à direção-geral do banco, em Porto Alegre.
Isso significa que o Banrisul possui uma frente específica de negociação, além da mobilização nacional dos bancários.
Negociações continuam
A paralisação não encerra automaticamente a negociação entre trabalhadores e bancos.
O objetivo do movimento é aumentar a pressão sobre a Fenaban para que uma nova proposta seja apresentada.
A mesa nacional de negociação começou em julho. Segundo as entidades sindicais, a categoria apresentou sua pauta em 24 de junho, enquanto as negociações tiveram início em 2 de julho.
A Fenaban e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmam que o cronograma de negociação está dentro do prazo previsto.
A paralisação, portanto, ocorre enquanto as duas partes ainda negociam.
Paralisação não significa fechamento definitivo dos bancos
É importante separar a mobilização desta quinta-feira de uma greve por tempo indeterminado.
A decisão anunciada pela categoria prevê 24 horas de paralisação no dia 20 de agosto.
O que acontecerá depois dependerá do resultado das negociações e das novas decisões tomadas pelos trabalhadores.
Caso haja uma nova proposta considerada suficiente, a mobilização poderá perder força. Se o impasse continuar, novas assembleias poderão decidir pela continuidade ou ampliação das ações.
O que o cliente deve fazer nesta quinta-feira
Quem precisa utilizar serviços bancários deve se preparar para possíveis alterações.
Antes de sair de casa:
- confira se a agência estará aberta;
- priorize aplicativo e internet banking quando possível;
- utilize caixas eletrônicos para operações disponíveis;
- faça pagamentos ou transferências antecipadamente se houver urgência;
- evite deixar operações que dependem de atendimento presencial para o dia da paralisação.
A disponibilidade dos serviços pode variar conforme o banco e a agência.
Entenda a paralisação
Data: quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Duração: 24 horas
Abrangência: nacional
Categoria: trabalhadores bancários
Motivo: impasse nas negociações da Campanha Nacional Unificada de 2026
Representação patronal: Fenaban
Principais reivindicações: 5% de aumento real, reposição da inflação, valorização do piso, benefícios maiores, PLR e melhorias nas condições de trabalho
Porto Alegre e região: mais de 97,5% dos participantes rejeitaram a proposta e aprovaram a paralisação
Bancos: instituições públicas e privadas podem ter unidades afetadas, conforme a adesão dos trabalhadores
Serviços digitais: podem continuar funcionando, mas operações que dependam de funcionários podem sofrer impacto
Situação das negociações: em andamento










