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Cesta básica cai 0,31% em Porto Alegre

A cesta básica em Porto Alegre registrou uma redução de 0,31% em agosto, na comparação com julho, e passou a custar R$ 839,34. Apesar da queda, a capital gaúcha continua entre as cidades brasileiras onde o custo da alimentação básica é mais elevado.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira (10) e considera os preços de 13 produtos que fazem parte da cesta básica nas capitais brasileiras. A pesquisa permite acompanhar a evolução dos preços dos alimentos e medir o impacto desse custo sobre a renda dos trabalhadores.

Em Porto Alegre, o valor passou de R$ 841,94 em julho para R$ 839,34 em agosto, uma redução de R$ 2,60 no período.

Apesar de pequena, a queda interrompe parcialmente a pressão sobre o orçamento das famílias. No entanto, o resultado de agosto não significa que os alimentos, de forma geral, tenham ficado mais baratos.

Isso porque 10 dos 13 produtos pesquisados tiveram aumento de preço durante o mês.

Porto Alegre tem a quinta cesta mais cara

Mesmo com a redução de 0,31%, Porto Alegre terminou agosto com a quinta cesta básica mais cara entre as 27 capitais brasileiras pesquisadas.

O ranking foi liderado por São Paulo, onde a cesta chegou a R$ 900,59.

Na sequência aparecem:

  • Cuiabá: R$ 851,57;
  • Rio de Janeiro: R$ 851,19;
  • Florianópolis: R$ 850,90;
  • Porto Alegre: R$ 839,34.

A diferença entre Porto Alegre e São Paulo, que apresentou o maior valor, foi de aproximadamente R$ 61,25.

O levantamento também mostrou que praticamente todas as capitais registraram redução no preço da cesta em agosto. As exceções foram São Luís e Maceió.

A maior queda do mês foi observada em Rio Branco, no Acre, onde o valor recuou 4,68%.

Batata foi responsável pela maior queda

Entre os 13 produtos analisados em Porto Alegre, a batata apresentou a maior redução de preço em agosto.

O valor médio do produto caiu 22,98% na comparação com julho.

Também tiveram redução:

  • Açúcar refinado: -0,75%;
  • Café em pó: -0,13%.

A forte queda da batata ajudou a compensar os aumentos registrados nos demais produtos e contribuiu para que o resultado geral da cesta terminasse o mês no campo negativo.

O comportamento mostra por que a análise do valor total da cesta precisa ser observada junto com a variação individual dos alimentos. Uma queda expressiva em um determinado produto pode compensar aumentos em diversos outros itens.

Arroz teve maior alta entre os alimentos

Na direção oposta da batata, o arroz agulhinha foi o produto que mais aumentou de preço em Porto Alegre em agosto.

O avanço foi de 6,43% em relação ao mês anterior.

Também ficaram mais caros:

  • Banana: +2,58%;
  • Óleo de soja: +1,42%;
  • Pão francês: +1,19%;
  • Farinha de trigo: +0,75%;
  • Manteiga: +0,71%;
  • Tomate: +0,64%;
  • Carne bovina de primeira: +0,55%;
  • Leite integral: +0,53%;
  • Feijão preto: +0,29%.

Ou seja, embora a cesta tenha ficado 0,31% mais barata no conjunto, a maioria dos produtos apresentou aumento.

Esse comportamento é relevante para o consumidor porque a redução no valor total não significa necessariamente uma percepção generalizada de preços menores nos supermercados.

Custo ainda está acima do registrado em 2025

A redução de agosto também não elimina a alta acumulada ao longo do ano.

Na comparação entre agosto de 2026 e agosto de 2025, a cesta básica em Porto Alegre apresentou aumento de 3,48%.

Já no acumulado de 2026, considerando dezembro de 2025 até agosto deste ano, a alta chega a 7,03%.

Isso significa que, apesar da queda registrada especificamente em agosto, o custo dos alimentos básicos continua significativamente acima do patamar registrado no final do ano passado.

O dado é importante porque mostra que uma redução mensal não necessariamente representa uma mudança de tendência no custo de vida.

Mais da metade do salário mínimo líquido vai para a cesta

Outro dado apresentado pelo levantamento mostra o peso da alimentação básica sobre o trabalhador que recebe o salário mínimo.

Em agosto, o salário mínimo nacional considerado na pesquisa era de R$ 1.621,00.

Um trabalhador de Porto Alegre remunerado pelo piso precisou trabalhar 113 horas e 55 minutos para conseguir comprar a cesta básica.

Em julho, eram necessárias 114 horas e 16 minutos.

A diferença representa uma redução de 21 minutos na jornada necessária para adquirir os mesmos produtos.

Mesmo assim, o peso da alimentação continua elevado.

Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, a cesta básica consumiu 55,98% da renda líquida do trabalhador em agosto.

Na prática, isso significa que mais da metade do rendimento disponível de quem recebe o salário mínimo seria comprometida apenas com os alimentos considerados básicos na pesquisa.

Salário mínimo necessário seria de R$ 7.565,86

O Dieese também calcula mensalmente quanto deveria ser o salário mínimo necessário para atender às necessidades básicas de uma família de quatro pessoas.

Em agosto, a estimativa chegou a R$ 7.565,86.

O valor corresponde a aproximadamente 4,67 vezes o salário mínimo vigente de R$ 1.621,00.

Em julho, a estimativa era de R$ 7.687,01, equivalente a 4,74 vezes o piso nacional.

A diferença entre os dois meses acompanha a redução registrada no custo da cesta básica.

O cálculo do Dieese não considera apenas alimentação. A metodologia leva em conta despesas fundamentais de uma família, como moradia, alimentação, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Para realizar a estimativa, o Dieese utiliza como referência a cesta básica mais cara entre as capitais pesquisadas. Em agosto, essa cesta foi registrada em São Paulo, com valor de R$ 900,59.

O que a queda representa para o consumidor

A redução de 0,31% em agosto representa um pequeno alívio no orçamento das famílias de Porto Alegre, mas não deve ser interpretada como uma queda generalizada dos preços dos alimentos.

O próprio levantamento demonstra isso: enquanto a batata teve redução de quase 23%, dez produtos ficaram mais caros.

O arroz, por exemplo, apresentou alta superior a 6%, enquanto banana, óleo de soja e pão francês também tiveram aumentos.

Por isso, o resultado final da cesta é uma média ponderada do comportamento dos diferentes produtos, e não uma indicação de que todos os itens ficaram mais baratos.

Para o consumidor, a variação de preços continua sendo significativa, principalmente para as famílias de menor renda, que destinam uma parcela maior do orçamento à alimentação.

Porto Alegre permanece entre as capitais mais caras

A posição de Porto Alegre no ranking nacional também chama atenção.

Mesmo com a redução mensal, a Capital permanece na quinta posição entre as 27 capitais pesquisadas.

O resultado mantém Porto Alegre no grupo das cidades em que o custo dos produtos básicos apresenta maior impacto sobre o orçamento dos trabalhadores.

A situação também mostra que o comportamento dos preços dos alimentos continua sendo um componente relevante para o custo de vida na Capital.

A pesquisa Conab/Dieese é realizada mensalmente justamente para acompanhar essas oscilações e permitir comparações entre as capitais brasileiras.

Pesquisa acompanha 13 produtos básicos

A cesta básica pesquisada em Porto Alegre é formada por 13 produtos alimentícios definidos de acordo com a metodologia da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos.

O levantamento considera quantidades consideradas suficientes para o consumo mensal de um trabalhador adulto, levando em conta as características regionais de alimentação.

A metodologia da pesquisa tem origem no Decreto-Lei nº 399, de 1938, que regulamentou aspectos relacionados ao salário mínimo e estabeleceu a composição regional da cesta de alimentos.

Atualmente, a pesquisa permite acompanhar os preços dos produtos e calcular o custo da cesta, além de estimar quantas horas de trabalho são necessárias para que um trabalhador consiga adquiri-la.

Cenário mostra alívio pontual, mas custo continua elevado

Os números de agosto apresentam dois movimentos simultâneos em Porto Alegre.

De um lado, houve uma queda de 0,31% no preço da cesta básica, reduzindo o valor para R$ 839,34.

De outro lado, a cidade continua com a quinta cesta mais cara do Brasil, acumula alta de 7,03% no ano e registra aumento de 3,48% em 12 meses.

Além disso, o trabalhador que recebe o salário mínimo ainda precisa comprometer 55,98% da renda líquida para adquirir os produtos básicos pesquisados.

Portanto, o resultado de agosto representa um pequeno alívio mensal, mas não altera de maneira significativa o cenário de pressão sobre o orçamento das famílias.

Os principais números de agosto

Valor da cesta em Porto Alegre: R$ 839,34

Variação mensal: -0,31%

Alta acumulada em 2026: 7,03%

Alta em 12 meses: 3,48%

Posição no ranking nacional: 5ª mais cara

Salário mínimo considerado: R$ 1.621,00

Tempo de trabalho para comprar a cesta: 113h55min

Parcela do salário mínimo líquido comprometida: 55,98%

Salário mínimo necessário calculado pelo Dieese: R$ 7.565,86

Produto com maior queda: batata (-22,98%)

Produto com maior alta: arroz agulhinha (+6,43%)

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